Eliana no CNJ:emoção à flor da pele
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Em sua última sessão como corregedora do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), a ministra Eliana Calmon disse que os dois anos no cargo foram “extremamente incômodos” e que o principal desafio foi fazer inspeção no Tribunal de Justiça de São Paulo, o maior do país.

Emocionada e com a voz embargada, ela disse que sabia que o cargo seria incômodo. “Não tenho limites, uso de toda a minha autoridade, com humildade, mas com todo empenho. Foi o cargo mais maravilhoso que exerci nesses 34 anos de magistratura. Eu tive a oportunidade de conhecer as entranhas do poder Judiciário”, disse.
Sergio Lima/Folhapress

Eliana Calmon apontou a inspeção no Tribunal de Justiça de São Paulo com o principal caso de seu mandato. A ministra disse que tentou, sem sucesso, colocar desembargadores do tribunal em sua equipe para tentar se aproximar do TJ.

“Calcei as botas de soldado alemão, fiz uma inspeção e todos viram o que aconteceu. As coisas começaram a mudar em São Paulo. Parece que as coisas destravaram. Todos estão de mangas arregaçadas, porque precisa de muita ajuda e está em reconstrução. Eu não fiz aquilo. Mas eu fui uma pedra na reconstrução daquele edifício. Saio com consciência de dever cumprido” disse a ministra.

Nos dois anos como corregedora, Eliana Calmon comprou briga com magistrados ao investigar a evolução patrimonial. Ela chegou a falar, em entrevista, sobre “bandidos de toga”. “Fui indiscreta quando corregedora, precisei usar a mídia e fazer a população saber o que se passava no Judiciário”, disse.

PATRIMONIALISMO

Eliana Calmon recebeu uma placa em homenagem do CNJ. A homenagem foi feita pelo presidente do conselho e do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Carlos Ayres Britto, que disse que a ministra tem o “dom da indignação”.

A placa foi entregue após sessão em que Eliana Calmon apresentou o resultado de investigações sobre incompatibilidade patrimonial de juízes –todos os processos foram interrompidos por pedidos de vista de conselheiros.

“Essa sessão operou como retrato falado de vossa excelência, a todo vapor e com personalidade corajosa e engajada, de quem tem a característica da agressividade profissional de ocupar todos os espaços possíveis da profissão”, disse Ayres Britto.

O presidente do CNJ disse ainda que o mandato de dois anos de Eliana Calmon como corregedora foi marcado pelo “combate ao patrimonialismo daqueles que não fazem distinção entre o público e o privado”.

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Comentários

Carlos Volney on 4 setembro, 2012 at 23:04 #

Bravo, ministra Eliana. A senhora resgata a dignidade do judiciário e até da cidadania.
Quando quase não temos mais como ter esperança, tão grande é o lamaçal e a fedentina provocados pela maioria dos políticos e por alguns togados, eis que ela renasce em nós que temos a dignidade como valor absolutamente inegociável, pelo exemplo que a senhora dá.
Continue nos alentando.


Olivia on 5 setembro, 2012 at 9:45 #

Valeu, Doutora Eliana, estamos de olho no CNJ.


Mariana on 5 setembro, 2012 at 10:45 #

A Ministra Eliana efetivamente ocupa todos os espaços que lhe são concedidos para fazer e praticar a justiça e a legalidade.
Fui aluna dela e. desde lá, fui tomada pela coragem e dignidade exemplar desta mulher a que todos temos como exemplo a seguir.
Não tenho muita fé que o seu substituto dará seguimento ao trabalho corajoso por ela iniciado, mas valeu tê-la por estes dois gloriosos anos de combate a corrpção e a impunidade.
Parabéns Ministra Eliana, a senhora dignifica o mister que recebeu!
Valeu!


Graça Azevedo on 5 setembro, 2012 at 17:07 #

Volney, Olivia e Mariana disseram tudo. Assino embaixo.


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