set
01
Postado em 01-09-2012
Arquivado em (Artigos) por vitor em 01-09-2012 01:24


Cinco provas de um agosto diferente no Brasil

=================================================

ARTIGO DA SEMANA

UM AGOSTO DE DAR GOSTO

Vitor Hugo Soares

Em décadas de jornalismo profissional, no exercício deste ofício desafiante e complicado de separar fatos de mitos e boatos, jamais imaginei que iria escrever com tanto prazer e já com uma precoce ponta de saudade sobre um agosto brasileiro. Não há como fugir da constatação: em 2012, este foi um mês de dar gosto, principalmente para os que ainda acreditam (e espero que sejam muitos no País) que nem tudo se perdeu.

O “mês oito”, como dizem os soteropolitanos, demonstrou cabalmente que a esperança segue acesa em muitos lugares e em vários aspectos. No pleno do Supremo Tribuna Federal onde são julgados os réus do Mensalão (bem mais) ou na CPI do Cachoeira no Senado (bem menos).Mas o importante é que a chama siga produzindo claridade e iluminando decisões cruciais.

Vivemos dias para ficar na história por múltipas razões e significados, mas em especial no terreno salutar da restauração da confiança na justiça e do bom combate contra corrupção, o peculato e a impunidade.

Não dá para não registrar vivamente, ou deixar de saudar como emblemático e exemplar, um agosto que termina assim: com a condenação à prisão, por 9 a 2, de um ex-presidente da Câmara dos Deputados (João Paulo Cunha), um dos maiorais do principal partido no poder no Brasil (o PT), sentenciado juntamente com outros quatro réus do montanhoso e polêmico processo em julgamento no STF.

O mesmo mês e o mesmo julgamento em que os magistrados do Supremo reconheceram à unanimidade (por falta de provas confiáveis no processo) a inocência de um dos acusados: o ex-ministro Luiz Gushiken.

Tudo o que se fizer será pouco, seguramente, para reparar danos à honra ofendida, agressões disparadas no ar ou escritas no papel de muitos jornais no Fla x Flu das odientas paixões ideológicas que o caso provoca; graves prejuízos pessoais, políticos e familiares sofridos pelo também ex-dirigente e ex-nome de proa do governo petista na era Lula. Pelos dois motivos, e outros que não dá para destacar neste espaço, atravessamos um agosto diferente e rico em lições e emoções nos registros nacionais.

Portanto, o que o jornalista sente agora ao batucar estas linhas na sexta-feira, 31, quando ainda faltam algumas horas para o “mês oito” terminar e começar a virar histórico, é uma saudade das boas. Do tipo cantado por Luiz Gonzaga em “Que nem Jiló”, um dos mais belos e famosos baiões do querido e saudoso artista pernambucano.

Ainda assim, sensações capazes de provocar surtos de arritmia cardíaca, a exemplo dos revelados nos resultados de exames médicos que o jornalista acaba de receber. Mas isso é outra história, que não merece mais que simples registro ilustrativo daquilo que verdadeiramente importa e justifica estas linhas de opinião semanal: os fatos de agosto.

Até ontem para mim, igual a milhões de brasileiros na Bahia como em outras regiões, agosto sempre esteve associado a um tempo de tragédias, desastres ou maus presságios. A começar por uma de minhas lembranças mais marcantes da infância, quando ouvi no meio da rua, em agosto de 1954, o serviço de auto-falante de Paulo Afonso dar a notícia do suicídio do presidente Getúlio Vargas.

Então, a cidade baiana, às margens do Rio São Francisco, era um formigueiro nordestino de operários e engenheiros que trabalhavam na construção da colossal hidrelétrica da CHESF, que iluminaria o Nordeste e criaria as condições para o desenvolvimento industrial da região paupérrima.

A notícia da morte de Getúlio teve o impacto de um terremoto que abrisse o chão sob os pés daquela gente. E do garoto apavorado no meio da rua. Não dá para esquecer. Depois, seguiram-se outros meses oito ruins.

“Agosto, todo mundo sabe, nunca foi fácil… Levou Drummond, levou John Huston, Gilberto Freyre. O mais patético: levou Pixote”, escreveu há anos um cronista em final de “mês oito”.

Agora escrevo eu este artigo para saudar, finalmente, um agosto brasileiro de dar gosto. Que parte deixando saudades. E boas expectativas!

A conferir.

Vitor Hugo Soares é jornalista. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

Be Sociable, Share!

Comentários

Mariana Soares on 1 setembro, 2012 at 11:31 #

Bravo, meu irmão, bravíssimo! Também eu nunca gostei deste mês de agosto, mas como tive gosto de vivê-lo e assistir tudo que nele se passou, especialmente nestes últimos dos seus dias.
Eu sou uma pessoa de muita fé e não deixo de acreditar nunca que algo de bom sempre acontece, apesar de todos os pesares.
Como meu saudoso pai, tenho ódio de qualquer tipo, seja ele qual for, de desonestidade, corrupção, falta de ética e moral, enfim, não compactuo com absolutamente nada fora da ordem, do legal e do justo.
Ver o STF se manifestar exemplarmente neste inicio do julgamento do mensalão, e nem venham me dizer que não existiu, que para mim não cola, nem nunca colou, foi mais que um sopro e esperança na justiça e em alguns homens públicos deste nosso Brasil. Eu, com muito orgulho, trabalho com um deles, Jorge Hage, que, também, não dá trégua aos corruptos do dinheiro público.
Ayres de Brito e Carmen Lucia sempre foram os meus preferidos naquela Corte, onde agora permito a entrada triunfal deste corajoso e destemido Ministro Joaquim Barbosa! Muitos vivas para ele!
Ainda tem muito por vir, eu sei, mas aguardo com esperanças renovadas.
Cuide do seu coração, irmão querido, que ele é muito precioso para você e para todos que te amam tanto, entre tantos, eu sou uma que o faço imensa e incondicionalmente.


Deixe um comentário
Name:
Email:
Website:
Comments:

  • Arquivos

  • setembro 2012
    S T Q Q S S D
    « ago   out »
     12
    3456789
    10111213141516
    17181920212223
    24252627282930