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CRÔNICA/COMPARAÇÕES

Felix era o Ringo da seleção

Janio Ferreira Soares

Ruim de bola, eu sempre jogava no gol. Por isso, até hoje um amigo me chama de Felix. Acho bacana ter o apelido daquele que seguramente seria o culpado se a seleção de 70 tivesse perdido a Copa. Só que aquele timaço tinha Tostão e Pelé, dupla infernal que jogava por música. Sem falar em Gérson, lançando.

Qualquer discussão sobre os Beatles e imediatamente Ringo é tachado como uma espécie de Felix da banda. Sorte a dele que, lá na frente, John e Paul seguravam a onda com tabelinhas geniais. Sem falar em Harrison, solando.

Patinhos feios circundados por craques extraordinários, os dois foram fundamentais em suas funções, embora discriminados. A propósito, o caso de Felix me lembra o título original de um clássico do faroeste que passou por aqui como Três Homens e um Destino, mas que na verdade chama-se O Bom, O Mau e O Feio. Convocado como terceiro goleiro para a Copa do México, ele era o feio. Seus companheiros eram os bonitões Ado (o bom) e Leão (o mau). Contam que quando Felix se apresentou ao grupo, Leão sequer lhe dirigiu a palavra. Azar o dele, que ficou toda a Copa segurando as baquetas e, presumo, tocando um bumbo imaginário para poder entrar.

Do mesmo modo, Ringo era tido como o feio – e mais fraco – dos Beatles. Portanto, penso que ele não terá grandes homenagens quando partir. Como Felix, morto na semana passada, que sequer teve a metade dos tributos prestados a Neil Armstrong, falecido um dia depois. É claro que o primeiro homem a pisar na Lua tem o seu valor. Mas se o problema for o título e a conquista, os nossos quase-ídolos também foram astronautas em seus céus particulares. Ou você tem dúvida de que Felix vivia a flutuar na lua crescente da grande área toda vez que via aquela constelação amarela bailando pelos gramados mexicanos? Ou que Ringo, apesar de poucas fãs gritando seu nome, se sentia um verdadeiro guardião da nave de Liverpool, com o poder supremo de, com um simples toque, mandar para o espaço aquelas belas canções rock’n roll? Sem falar em suas costeletas. Mas o espaço, ó!

Janio Ferreira Soares , cronista, é secretário de Cultura, Turismo e Esportes de Paulo Afonso, na margem baiana do Rio São Francisco

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Comentários

O Bom, o Mau e o Feio « ZÉducando on 2 setembro, 2012 at 11:27 #

[…] FÉLIX ERA O RINGO DA SELEÇÃO  […]


Olivia Soares on 2 setembro, 2012 at 12:14 #

Bravo, Janinho. Salve Felix, o esquecido.


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