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OPINIÃO POLÍTICA

Governo e eleições

Ivan de Carvalho

Nas quarenta maiores cidades da Bahia, o desgaste do governo do Estado é grande. Este é um dado técnicamente apurado. Mas não chega a ser uma surpresa. O olhômetro dos políticos já havia detectado o fenômeno, ainda que sem a precisão estatística agora disponível nos bastidores.

Desgaste grande do governo, para que se seja exato, significa queda muito expressiva da avaliação do desempenho do Executivo estadual, o que a rigor não significa – ainda que possa guardar um paralelismo – com a popularidade pessoal do governador Jaques Wagner.

Outra ressalva cabível é a de que avaliação do governo não se confunde com situação eleitoral dos partidos governistas ou mesmo do principal partido governista, o PT. Mais uma vez, no entanto, há que registrar uma tendência de paralelismo entre uma coisa e outra, de uma maneira geral, naturalmente sempre respeitadas as especificidades de cada município.

O forte desgaste do governo registrado nesse estrato das quarenta maiores cidades da Bahia tem causas bem conhecidas, algumas de longo prazo, outras mais recentes. No longo prazo há que registrar a questão da insegurança pública – crítica em todo o estado, mas pior na região metropolitana de Salvador e em muitas das cidades maiores do interior – e as brutais insuficiências do sistema público de saúde. A insegurança pública é uma responsabilidade básica do Estado federado, tendo os municípios uma função residual e a União responsabilidade essencial que não assume. O sistema público de saúde é responsabilidade das três esferas – federal, estadual e municipal.

Os fatores mais recentes de desgaste foram a greve na Polícia Militar, a greve dos professores estaduais e, no interior, também o despreparo do poder público para o enfrentamento do fenômeno da seca, que vem se manifestando de maneira radical. A isto devem-se acrescentar dificuldades orçamentárias do Estado da Bahia.

A proximidade das eleições de outubro está levando o governo a reagir, intensificando notoriamente a propaganda institucional, enquanto faz aprovar, na Assembléia Legislativa, autorizações para grandes empréstimos, anunciando projetos e obras. Os projetos não serão executados até outubro, as obras na maioria, nem serão iniciados e não dará tempo para receber o dinheiro dos empréstimos, muito menos para gastá-lo. Mas o conjunto dessa reação tende a reduzir parte do desgaste sofrido pelo governo.

Na questão eleitoral, além do que foi dito nas linhas precedentes, há ainda que considerar que a campanha eleitoral pode alterar de modo importante situações hoje existentes nas cidades maiores, inclusive melhorando a situação do governo. Ou não. Nas médias e principalmente nas pequenas cidades, para onde parece estar rapidamente migrando o eleitorado governista, o governo tem os instrumentos para manter ainda por bastante tempo a predominância.

Em Salvador as dificuldades do governo são conhecidas, em Feira de Santana, segundo colégio eleitoral da Bahia, vence o DEM, no terceiro colégio, Vitória da Conquista, o PT mantém a prefeitura. Em Itabuna, o PT pode vencer, mas está mais para o DEM. Em Barreiras há uma tendência para o PMDB, em Alagoinhas o PT, com o deputado Joseildo Ramos, tende a perder para o atual prefeito, Paulo César. Em Irecê, o prefeito petista Zé das Virgens dificilmente se reelege contra o deputado Luizinho Sobral, do PTN. Em Candeias, está complicado para todo mundo. Em Lauro de Freitas, tendência favorável ao PT, mas eleição dura contra o PP. Em Camaçari, o PT tem máquina azeitada e favoritismo, mas não certeza. Teixeira de Freitas e Itapetinga, mais dois problemas. Claro, o espaço não dá para ir até à quadragésima cidade.

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