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Maria Bethânia, o sublime em continuação

Marlon Marcos

Ontem(27), no Teatro Castro Alves, às 20 h., Salvador assistiu a sua grande estrela cantando o seu compositor favorito, Chico Buarque, especialmente para sua mãe, D. Canô, quase 105 anos, na plateia tietando a filha. Uma noite que assinala o canto de Maria Bethânia como um dos mais bonitos do mundo contemporâneo. Uma noite que a tornou tão nossa pela intensidade amorosa do público que lotou a Sala Principal para assistir a poesia inteira que é a presença desta artista em cima de um palco.

As vestes brancas combinando com a serenidade, a doçura esvaindo-se da tranquilidae dos gestos, o domínio musical, a beleza de diva, a pronúncia autoral, o vigor artístico, a banda como moldura e ela bailando ao som da sua própria e rara voz. Um presente para qualquer espectador em qualquer lugar do mundo. E como é universal essa baiana!

O repertório irretocável localizando a genialidade de Chico Buarque, e mais que tudo, fazendo a gente arder na ideia de amor que as letras trazem.
Cada cena, cada execução, e eu entre o orgulho e o fascínio, me perguntando porque é assim, meu Deus? A síntese dela, como profissional e artista, é a qualidade. Como se faz para além do “bonita” e ali, no auge da nossa emoção, nos mergulha na sensação de eternidade. Linda!

Isso de melhor intérprete é verdade. Como também é verdade o título de melhor cantora das composições de Chico Buarque. Melhor cantora das audições que recebem noções culturais deste país. Melhor cantora na voz que ocupa o espaço e nos atinge como se um deus nos tomando. A mais importante cantora num país que tem Gal Costa e Nana Caymmi.

O show me pareceu uma espécie de sonho: eu vi, entre estrelas, o formato de sempre me impulsionando a sentir, a experenciar Maria Bethânia como o sublime em continuação. Aprendo e amo a assertiva de que nela, daquele jeito, o “velho” é uma engenhosa ( deliciosa) novidade.

Marlon Marcos é jornalista e antropólogho

ago
28


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“Penny Lanne”, uma das mais lindas canções dos Beatles e um dos clipes musicais mais completos já editados na web. omfira!!!

(Vitor Hugo Soares)


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DEU NO DIÁRIO DE NOTÍCIAS, DE LISBOA

Juliana Paes tem a complicada missão de fazer esquecer Sónia Braga, que em 1977 fez parar Portugal. O remake de 2012 conta ainda com a participação de António Fagundes e Maitê Proença.

Com a promoção no ar há quase um mês, a SIC já anuncia a data de estreia da sua próxima novela da noite. É já daqui a duas semanas, a 10 de setembro, que chega às telinhas o remake de Gabriela.

Com Juliana Paes, no papel da protagonista do folhetim da TV inspirado na obra de Jorge Amado, que no passado marcou a estreia da carreira de Sónia Braga, esta história promete trazer à memória de quem viu o original momentos eternos e que foi a primeira novela brasileira a ser transmitida em Portugal, em 1977.

Do elenco fazem parte atores como António Fagundes, Humberto Martins, José Wilker e Maitê Proença, entre outros.

Ao que tudo indica, vai ocupar o horário de O Astro, logo após Dancin’ Days.

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BAIANO BURRO NASCE MORTO

GORDURINHA

O pau que nasce torto
Não tem jeito morre torto
Baiano burro garanto que nasce morto
Sou da Bahia comigo não tem horário
Não sou otário e você pode zombar
Sou cabra macho, sou baiano toda hora
Meio dia, duas hora, quatro e meia o que é que há
Cabeça grande é sinal de inteligência
Eu agradeço a providência ter nascido lá
Salve a Bahia, ioio
Salve a Bahia, iaia
Sou cabra macho, sou baiano toda hora
Meio dia, duas hora, quatro e meia o que é que há
Cabeça grande é sinal de inteligência
Eu agradeço a providência ter nascido lá
O pau que nasce torto
Não tem jeito morre torto
Baiano burro garanto que nasce morto
Salve a Bahia, ioio
Salve a Bahia, iaia
Sou cabra macho, sou baiano toda hora
Meio dia, duas hora, quatro e meia o que é que há
Cabeça grande é sinal de inteligência
Eu agradeço a providência ter nascido lá
O Castro Alves poeta colosso
Sujeito moço, mas soube o que fez
A Marta Rocha violão baiano
Foi mostrar pro americano que a Bahia já tem vez
E Rui Barbosa, cabra de sangue na guerra,
Foi pra Inglaterra ensinar inglês
O pau que nasce torto
Não tem jeito morre torto
Baiano burro garanto que nasce morto.

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Dá-lhe, mestre Gordurinha. Um soteropolitano do bairro da Saúde, terreiro de bambas da música em Salvador, que dá orgulho à Bahia e ao País.

Dá-lhe Jackson do Pandeiro, paraibano da melhor cepa nacional.

Som na caixa, maestro, como diz Maria Olívia de vez em quando neste site blog duro na queda.

BOA TERÇA-FEIRA PARA TODOS E OLHO NOS CANDIDATOS EM CAMPANHA E NOS JUIZES DO SUPREMO, QUE AMANHÃ TEM MAIS JULGAMENTO DOS RÉUS NO MENSALÃ.

(Vitor Hugo Soares)


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ARTIGO/ ELEIÇÕES E HISTÓRIA

Eleições, voto digital e fraude no Brasil

Rosane Santana

Mais de 500 mil urnas eletrônicas serão utilizadas nas eleições municipais brasileiras deste ano. Desse total, 35 mil de última geração, enquanto as demais são modelos utilizados desde 2004. Uma parte dos equipamentos trará a possibilidade de identificação do eleitor pelas impressões digitais, o que segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) torna o sistema ainda mais seguro.

Ao contrário do que diz a Justiça Eleitoral, que realizou testes controlados para verificação da segurança da urna – nos quais os “invasores” não têm acesso a todos os softwares do sistema -, pesquisadores de duas grandes universidades brasileiras, a Universidade de Campinas (Unicamp) e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), após análises, em 2002, admitiram brechas no sistema e sugeriram medidas de aperfeiçoamento, muitas das quais não foram implantados até hoje, como a impressão do voto.

As urnas brasileiras não atendem aos padrões internacionais do sistema de gestão de segurança da informação. Em 2008, especialistas em tecnologia afirmaram categoricamente que a urna eletrônica não é segura, durante audiência pública na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania da Câmara dos Deputados. Países como Estados Unidos, Holanda, Alemanha e até os vizinhos Paraguai e Argentina rejeitaram a utilização de urnas eletrônicas de modelo similar ao brasileiro, alegando falta de segurança.

É forçoso reconhecer que, desde a implantação do sistema do voto eletrônico no Brasil, as denúncias de fraude praticamente desapareceram. Mas, seria precipitado, no mínimo, admitir que, num país onde existe uma mentalidade secular de resistência às regras constitucionais do jogo democrático, a criação do voto eletrônico fosse suficiente para varrer, de uma hora para outra, a fraude do processo eleitoral, exatamente no instante em que ocorre o sufrágio, depois de uma luta de vale tudo em que milhões são investidos pelos candidatos.

A explicação pode estar no fato, admitido por cérebros em tecnologia da informação de várias partes do mundo, de que as urnas eletrônicas em geral são altamente vulneráveis a fraudes de difícil detecção. Não obstante os riscos, o sistema eletrônico de votação no Brasil parece definitivo, até que um acontecimento de grandes proporções indique o contrário. Por enquanto, as regras têm sido aceitas, sem qualquer questionamento, por partidos, candidatos e eleitores – nos dois últimos casos, frise-se, uma maioria de analfabetos ou alfabetizados funcionais e pessoas de baixa escolaridade.

O sistema eleitoral brasileiro, tradicionalmente, sempre foi marcado por violência, fraude e abuso de poder econômico. No Império, os requisitos estabelecidos pela Constituição de 1824, para que o cidadão pudesse votar nas eleições primárias, não eram examinados por nenhuma autoridade no momento da votação.
“A vozeria, o alarido, o tumulto, quando não murros e cacetadas, decidiam o direito de voto dos cidadãos que compareciam”, num cenário em que “voavam imagens e candelabros”, dentro da Igreja matriz, local onde se realizavam as eleições. (BELISÁRIO, Francisco. O sistema eleitoral do Império).
Alguns personagens assumiam papel estratégico, fraudando o resultado do pleito. Os cabalistas, por exemplo, incluíam e excluíam nomes de pessoas das listas de qualificação de eleitores, a serviço dos mandões. Em freguesias de mil ou mais votantes, novas nomes eram incluídos às centenas, de modo que a alteração da lista dos qualificados excedia às vezes a mais da metade do número total dos votantes.
O fósforo foi outro personagem importante no processo. Eles votavam em lugar de eleitores qualificados que, por algum motivo, inclusive morte, não podiam votar. “Os cabalistas sabem que F. qualificado morreu, mudou de freguesia, está enfermo. Em suma, não vai votar: o fósforo se apresenta. É mui vulgar que, não acudindo à chamada um cidadão qualificado, não menos de dois fósforos se apresentem para substituí-lo, cada qual cabe melhores provas de sua identidade, cada qual tem maior partido e vozeria para sustentá-lo em sua pretensão”, mais uma vez Belisário.

Quando as eleições primárias não eram disputadas e as igrejas ficavam desertas, percorria-se “os arredores da matriz” e, de última hora, convocavam-se pessoas para votar pelos eleitores ausentes ou colocavam-se na urna cédulas preenchidas pelos integrantes da mesa eleitoral, lavrando-se uma ata para dar aparência de legalidade ao processo. Eram as eleições a “bico de pena”.

Muitas dessas fraudes foram aperfeiçoadas e continuadas, ao longo de quase dois séculos após a Independência. O preenchimento de cédulas de eleitores ausentes pelos mesários, o cadastramento eleitoral de mortos, a substituição integral de urnas, bem como a migração de votos de candidatos já eleitos para outros, cuja eleição estava ameaçada, estavam entre as práticas denunciadas até passado recente, que teriam desaparecido com o sistema de votação eletrônica, a partir de 1996.

Rosane Santana é jornalista e professora universitária.

ago
28
Posted on 28-08-2012
Filed Under (Artigos) by vitor on 28-08-2012


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(Paixão, hoje,n Gazeta do Povo (PR)

ago
28


Beto Richa: exemplo “desalinhado” no Paraná
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OPINIÃO POLÍTICA

Alinhados e desalinhados

Ivan de Carvalho


Um dos pilares da campanha de Pelegrino, candidato à sucessão de João Henrique por uma coligação-monstro de 14 partidos liderada pelo PT, é o argumento de que o prefeito de Salvador deve ser alguém politicamente alinhado com os governos federal e estadual, pois assim destes teria a boa vontade e a simpatia para a destinação de dinheiro que permita a realização de uma boa administração.

Bem, Pelegrino não é pioneiro. Este não é um argumento novo, vem sendo utilizado há décadas em muitos lugares, inclusive em Salvador e por diversas correntes políticas. Nas eleições municipais de 2008, foi muito usado pela campanha do candidato do PT a prefeito, o agora coordenador da campanha de Pelegrino, senador Walter Pinheiro.

Bem antes dele, a senadora Lídice da Mata usara – para justificar as deficiências da administração que fez na capital – o mesmo argumento, mas pelo avesso. Formulou um discurso segundo o qual, embora houvesse conseguido fazer uma administração meritória em vários aspectos, tivera grandes dificuldades em outros, porque não contara com ajuda federal, já que o grupo carlista chefiado por Antonio Carlos Magalhães tudo fizera para impedir a vinda de dinheiro federal e controlava o governo do Estado, que também teria sabotado a gestão da então prefeita.

Finalmente, o próprio carlismo, em várias eleições, usou e abusou do argumento de que o alinhamento político do prefeito de Salvador com os governos federal e estadual – ou mesmo só com o estadual, nas fases que o federal não estava alinhado com o carlismo – era fundamental para a obtenção de recursos financeiros que proporcionassem uma administração municipal profícua.

Ora, ressalve-se que Lídice da Mata “apenas” buscou caracterizar-se como vítima de perseguição política, a qual teria resultado em sofrimento para a cidade – que também sofreu com certos outros prefeitos que não foram alvo de perseguição política, mas vitimaram a cidade por incompetência ou falta de espírito público.

Quanto ao argumento de que o alinhamento é necessário, ele foi sempre, é e continuará sendo enquanto for usado uma espécie de chantagem praticada contra o eleitor. Tipo: “Vote em nós, que somos alinhados, ou dane-se”. Uma chantagem e uma confissão de más intenções: se o eleitorado não votar nos alinhados, a União e o Estado não darão ao prefeito eleito pelo povo da cidade os recursos que arrecadaram do povo mediante os tributos e que dariam se o eleito fosse outro, um candidato alinhado politicamente.

Mas se o dinheiro não é do presidente, se não é do governador, como é que os partidos alinhados com o presidente, com o governador, têm a ousadia de desafiar o eleitorado com esse argumento? Em um país com uma cultura democrática sedimentada uma campanha eleitoral não faz isso. Não cometará a tolice de tal desafio.

Para terminar com um fato bem objetivo: a campanha de ACM Neto trouxe ontem Beto Richa para o horário de propaganda eleitoral na TV. Beto Richa, do PSDB, foi eleito, em 2004, prefeito de Curitiba, capital do Paraná, com 54,78 por cento dos votos, vencendo Ângelo Venhoni, do PT. Não era “alinhado”, mas saiu-se bem e foi reeleito em 2008, ainda no primeiro turno, com 77,27 por cento dos votos válidos, vencendo a atual senadora e ministra-chefe da Casa Civil da presidente Dilma Rousseff, Gleisi Hoffmann. Foi avaliado em pesquisas eleitorais como o “melhor prefeito do Brasil”. Em outubro de 2010 foi eleito governador do Paraná, que governa “desalinhado” com o governo federal.

Se todo mundo precisasse ser alinhado, bastaria existir um partido.

ago
28

http://youtu.be/w_F5ETY8ghI

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Nana, magnfiicamente!!!

BOA NOITE!!!

(VHS)

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