OPINIÃO POLÍTICA
Corpo mole

Ivan de Carvalho

Centenas de candidatos a vereador integram partidos que formam a base da candidatura do deputado Nelson Pelegrino, do PT, a prefeito de Salvador. Mas uma grande parte deste corpo de exército é mole, não está se revelando especialmente combativo, pelo menos até o atual momento da campanha.

O que ocorre é que, ressalvadas honrosas e abnegadas exceções, um candidato a vereador prioriza a sua candidatura e, só em segundo lugar, a de seu candidato a prefeito. É da natureza humana nesse estágio da evolução espiritual em que se enquadram as almas de quase todos os políticos e da imensa maioria das outras pessoas.

Se fosse somente isto, o candidato a vereador lutaria até as últimas gotas de sangue e suor por sua própria eleição, mas paralelamente iria reservando uma parcela bem menor do esforço para promover também o candidato a prefeito, seja por lealdade partidária, seja porque da campanha eleitoral deste lhe vêm recursos financeiros e publicitários que o ajudam no seu objetivo prioritário, o de assentar-se numa das cadeiras do passo municipal.

Mas ocorre que o candidato petista Nelson Pelegrino, mesmo segundo colocado nas pesquisas, está entre 24 e 27 pontos percentuais abaixo do primeiro colocado, o democrata ACM Neto. As pesquisas eleitorais publicadas repetem-se e insistem em mostrar esse quadro antes já apurado em pesquisas reservadas. Se as eleições fossem agora, ACM Neto não precisaria de segundo turno para ganhar.

Ora, sempre registradas as honrosas e, no caso, também sacrificiais e dolorosas exceções, o exército de candidatos a vereador que formalmente apoia Pelegrino cuida de não remar contra a correnteza. Isso prejudicaria a própria eleição e ninguém mais sabe disso do que o próprio candidato a vereador quando pede o voto a um eleitor e se arrisca a pedir também para o seu candidato a prefeito. Se o candidato a prefeito do vereador não coincide com o candidato a prefeito do eleitor cujo voto é solicitado, as chances deste ser dado ao candidato a vereador aproximam-se de zero.

No momento, a correnteza leva a ACM Neto. Isso pode até mudar, a propaganda eleitoral no rádio e televisão só começou, Pelegrino tem instrumentos e uma estrutura de campanha extremamente maior e mais bem suprida que a de qualquer outro candidato. Pode mudar, mas ainda não mudou. E pode não mudar. Então, o que faz a maioria dos candidatos a vereador que, oficialmente, perfilam-se com o candidato do PT a prefeito?
Simples. Eles pedem votos para eles. Repito, há exceções. Dezenas delas. Mas são exceções. Os que não se enquadram nessas honrosas e aparentemente sacrificiais exceções pedem votos para si mesmos, dão-se por satisfeitos e emudecem em relação a candidaturas a prefeito. Se o eleitor eventualmente for inconvenientemente curioso, perguntará qual é o candidato a prefeito que o candidato a vereador sugere. “Ora, isso é com você, fique à vontade, vote em quem quiser”, retorquirá, quase inevitavelmente, o pretendente a vereador.

Enquanto as coisas estiverem como estão, os soldados do grande exército usarão a estratégia descrita acima. Cada um por si. Já o exército de tamanho médio de candidatos a vereador da coligação de ACM Neto faz toda questão de deixar claro ao eleitor que apoia o candidato democrata à prefeitura. Isso é um passo importante para conquistar o voto também para si mesmo. Só não fará isso se acaso descobrir antes que o eleitor já tem candidato diferente a prefeito.

ESPERTO – Estando em meio a uma campanha eleitoral para a prefeitura e não mais podendo disputar a reeleição, João Henrique encontrou um jeito esperto de participar: lançou-se candidato a governador e ainda avisou que isso é irreversível e que estão com medo dele. O assunto merece análise detalhada.

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