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CRÔNICA/SERRINHA

A visita

Gilson Nogueira

As estrelas não despencarão do céu, como imaginam as crianças. As nuvens, no entanto, em forma líquida, precipitam-se sobre a Terra, desde o início dos tempos, enchendo rios e mares, trazendo fartura e provocando tragédias. Às vezes, meteoritos as imitam, em escala infinitamente menor, limitando-se a riscos de fogo no céu, após contato com a atmosfera terrestre. Há mais de três séculos, um deles furou o solo brasileiro, para ser notícia em todo o planeta. Conferindo, e transcrevendo, o que está escrito na Wikipédia, conhecida como A enciclopédia livre, na Internet:

O “meteorito do Bendegó, também chamado Pedra do Bendegó (ou Bendengó) foi encontrado em 1784 pelo menino Bernardino da Mota Botelho, filho do vaqueiro Joaquim da Mota Botelho, próximo ao riacho do Bendegó, então município de Monte Santo. É o maior meteorito já encontrado em solo brasileiro. No momento do seu achado, tratava-se do 2º maior meteorito do mundo, mas hoje ocupa o 16º lugar, em tamanho. A julgar pela camada de 435 cm de oxidação sobre a qual ele repousava, e a parte perdida de sua porção inferior, calcula-se que estava no local há milhares de anos. A respeito do ano da descoberta há uma certa confusão, sendo que a maioria das fontes, incluindo historiadores baianos como José Aras e José Calasans, citam o ano de 1784. Porém em alguns lugares pode se encontrar o ano de 1774.

A notícia do achado correu o mundo, chegando aos ouvidos do governador D. Rodrigues Menezes, que em 1785 ordenou o seu transporte até Salvador, pelo capitão-mor da vila de Itapicuru, Bernardo Carvalho da Cunha. Devido ao peso de mais de 5 toneladas, mesmo com doze juntas de bois não foi possível transportá-lo, e a pedra acabou despencando ladeira abaixo e caindo no leito seco do riacho Bendegó, a 180 metros do local original. Ali ficou por mais de 100 anos. “

Pois bem, esse registro, ocorre-me, aqui e agora, no Rio de Janeiro de todos os encantos e desencantos, ao lembrar que a anunciada visita da presidente Dilma Rousseff a Serrinha, porta de entrada do Sertão da Bahia, a 173 quilômetros de sua capital, Salvador, poderia constituir-se em fato histórico capaz de rivalizar com a queda de Bendegó, em Monte Santo, na época em que o capeta ainda era menino.

Mas, de repente, a honrosa visita da presidente foi cancelada, obrigando o Lobisomem de Serrinha, personagem do jornalista e escritor baiano e filho da terra, Tasso Franco, a desfazer a mesa, em sua casa, para o almoço que arquitetara em homenagem à terceira mulher mais poderosa do mundo, segundo a revista Forbes.

O lansudo da Serra havia comprado, na feira local, como anunciou, o galo do guisado, a ser feito com capricho nordestino, para o deleite da primeira mandatária desse país. ” Ele iria adorar!” afiança.
Li, no embalo, que o deslocamento dela ao interior baiano tinha a ver com um programa da área de saúde do Governo ligado ao tratamento de catarata. Em seguida, ao saber da desistência da viagem da chefa Dilma, lamentei, também, a perda da oportunidade de propociona à excelentíssima visitante, caso fosse passar pela Avenida Antonio Rodrigues Nogueira, que leva à Colina Sagrada, de Nossa Senhora Sant’Ana, onde está edificada sua imagem, como padroeira de Serrinha, uma bela cajuada, preparada com frutos sem agrotóxicos colhidos na Chácara Bela Vista, e aquele doce de leite, em compota, cozinhado no fogão a lenha, por Margarete, cozinheira de Dr. Daniel Muller, e capaz de fazer anjo dançar forró, de tão gostoso que é.

Por fim,objetivando marcar, para todo o sempre, amém, o fato histórico, por a princesinha do agreste receber, pela primeira vez, em sua história, uma Presidente da República, sugeriria, ao prefeito da cidade, mandar rezar missa solene na Igreja Matriz, diante do Coreto da Praça Luiz Nogueira, no Centro, bem como, providenciar a confecção de bandeirolas, em verde, azul e amarelo, e uma placa, de prata, feito os talheres do almoço que não houve, com os dizeres alusivos ao evento e um monumento, em granito ou mármore, representando, em tamanho natural, o busto da Presidente Dilma. Ela mereceria muito mais! Exclamaria o povo serrinhense, que, até hoje, só fala na visita, que não aconteceu, de olho na estrada, cheio de esperança, palavra que, como se sabe, tem muito a ver com o brasileiro.

Gilson Nogueira é jornalista, colaborador da primeira hora do BP

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Posted on 27-08-2012
Filed Under (Artigos) by vitor on 27-08-2012

Três dos quatro ministros do STF que votaram nesta segunda-feira no julgamento do mensalão seguiram os argumentos do relator Joaquim Barbosa, a favor da condenação de quase todos os réus: Rosa Weber, Luiz Fux e Cármen Lúcia. Rosa só não se pronunciou sobre o crime de lavagem de dinheiro e decidiu absolver o deputado João Paulo Cunha (PT-SP) de um dos crimes de peculato. Já Dias Toffoli votou com o revisor Ricardo Lewandowski, que pediu a absolvição de Cunha, do publicitário Marcos Valério e de seus sócios Cristiano Paz e Ramon Hollerbach na denúncia referente aos contratos da Câmara dos Deputados.

Toffoli, ainda seguindo o voto de Lewandowski, condenou o ex-diretor do Banco do Brasil Henrique Pizzolato por corrupção passiva, peculato e lavagem de dinheiro, e Valério e sócios por peculato, na parte da denúncia referente à acusação de desvios do banco por meio das verbas publicitárias do fundo Visanet.

O placar do julgamento por enquanto é de 4×2 pela condenação de Cunha, Valério e sócios no caso da Câmara, e de 6 votos pela condenação de Pizzolato, do publicitário e sócios no caso Visanet. Faltam ainda os votos de cinco ministros. Celso de Mello, no entanto, só deve participar do julgamento até a sessão desta quinta-feira porque deve se aposentar até o dia 3 de setembro. Ainda não se sabe se ele vai antecipar o voto.

Também na sessão de hoje, os ministros Barbosa e Lewandowski voltaram a discutir sobre trechos de seus votos. Assim que Rosa Weber, a primeira ministra a dar seu voto hoje, decidiu absolver João Paulo Cunha de um dos crimes de peculato, Barbosa pediu a palavra para tentar dissuadi-la de seguir Lewandowski nesse ponto. Lewandowski rebateu e Barbosa voltou a pedir a palavra. Era esperado que a sessão começasse com réplica e tréplica dos dois ministros, mas isso não aconteceu.

Luiz Fux

O ministro Luiz Fux, que votou após Rosa Weber, acompanhou integralmente o voto do relator Joaquim Barbosa e pediu a condenação de João Paulo Cunha, do publicitário Marcos Valério, de seus sócios Cristiano Paz e Ramon Hollerbarch e do ex-diretor do Banco do Brasil Henrique Pizzolato. Ele foi o quarto a falar e levou cerca de uma hora analisando questões teóricas. “A cada desvio de dinheiro público, mais uma criança fica com fome, mais uma cidade fica sem saneamento”, ressaltou.

Barbosa: Relator pede condenação do petista João Paulo Cunha por três crimes

Caso BB: Lewandowski pede para condenar ex-diretor do banco e Valério

Fux votou pela condenação dos cinco pelo crime de peculato. Seguindo o entendimento de Barbosa, votou pela condenação de João Paulo e Pizzolato por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, e de Marcos Valério e seus dois sócios por corrupção ativa. O ministro também considerou que não há provas contra o ex-ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, Luiz Gushiken.

O ministro destacou também a mudança no depoimento do deputado federal João Paulo Cunha com relação ao recebimento de R$ 50 mil por sua esposa, em uma agência do Banco Rural. “Me chamou a atenção a troca de versões sobre o recebimento dos R$ 50 mil pelo parlamentar. Hora era para uma coisa, hora era para outra”.

Rosa Weber

A ministra Rosa Weber, a primeira a falar nesta segunda, votou com o relator na maioria dos casos e pediu a condenação de João Paulo Cunha pelos crimes de corrupção passiva e de um dos peculatos, que trata do desvio de dinheiro público em contratos na Câmara dos Deputados com a SMP&B Comunicação, de Marcos Valério.

O então presidente da Casa, João Paulo Cunha, é acusado de receber R$ 50 mil para favorecer a empresa em uma licitação para serviços de publicidade de R$ 10 milhões. Por esse episódio, os publicitários Marcos Valério, Ramon Hollerbach e Cristiano Paz, representantes da SMP&B, foram condenados pelos crimes de corrupção ativa e peculato. Mas Rosa absolveu João Paulo, divergindo de Barbosa, da outra denúncia de peculato e não viu crime na contratação do jornalista Luís Costa Pinto, por meio da Câmara, para prestar assessoria particular a ele. Neste caso, Rosa seguiu o revisor.

Rosa Weber voltou a se alinhar com o voto de Barbosa nas acusações de desvio de dinheiro público no Banco do Brasil e no fundo Visanet. Ela pediu a condenação do ex-diretor do marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato e o grupo de Valério por corrupção e peculato. A ministra deixou para analisar posteriormente as acusações de lavagem de dinheiro contra João Paulo Cunha e Henrique Pizzolato.

Rosa Weber também concordou com a absolvição do ex-ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República Luiz Gushiken, por falta de provas. A ministra seguiu o que foi combinado informalmente entre os ministros para agilizar o julgamento e apresentou voto breve, de cerca de meia hora.

(Com informações da Agência Brasil )

OPINIÃO POLÍTICA
Corpo mole

Ivan de Carvalho

Centenas de candidatos a vereador integram partidos que formam a base da candidatura do deputado Nelson Pelegrino, do PT, a prefeito de Salvador. Mas uma grande parte deste corpo de exército é mole, não está se revelando especialmente combativo, pelo menos até o atual momento da campanha.

O que ocorre é que, ressalvadas honrosas e abnegadas exceções, um candidato a vereador prioriza a sua candidatura e, só em segundo lugar, a de seu candidato a prefeito. É da natureza humana nesse estágio da evolução espiritual em que se enquadram as almas de quase todos os políticos e da imensa maioria das outras pessoas.

Se fosse somente isto, o candidato a vereador lutaria até as últimas gotas de sangue e suor por sua própria eleição, mas paralelamente iria reservando uma parcela bem menor do esforço para promover também o candidato a prefeito, seja por lealdade partidária, seja porque da campanha eleitoral deste lhe vêm recursos financeiros e publicitários que o ajudam no seu objetivo prioritário, o de assentar-se numa das cadeiras do passo municipal.

Mas ocorre que o candidato petista Nelson Pelegrino, mesmo segundo colocado nas pesquisas, está entre 24 e 27 pontos percentuais abaixo do primeiro colocado, o democrata ACM Neto. As pesquisas eleitorais publicadas repetem-se e insistem em mostrar esse quadro antes já apurado em pesquisas reservadas. Se as eleições fossem agora, ACM Neto não precisaria de segundo turno para ganhar.

Ora, sempre registradas as honrosas e, no caso, também sacrificiais e dolorosas exceções, o exército de candidatos a vereador que formalmente apoia Pelegrino cuida de não remar contra a correnteza. Isso prejudicaria a própria eleição e ninguém mais sabe disso do que o próprio candidato a vereador quando pede o voto a um eleitor e se arrisca a pedir também para o seu candidato a prefeito. Se o candidato a prefeito do vereador não coincide com o candidato a prefeito do eleitor cujo voto é solicitado, as chances deste ser dado ao candidato a vereador aproximam-se de zero.

No momento, a correnteza leva a ACM Neto. Isso pode até mudar, a propaganda eleitoral no rádio e televisão só começou, Pelegrino tem instrumentos e uma estrutura de campanha extremamente maior e mais bem suprida que a de qualquer outro candidato. Pode mudar, mas ainda não mudou. E pode não mudar. Então, o que faz a maioria dos candidatos a vereador que, oficialmente, perfilam-se com o candidato do PT a prefeito?
Simples. Eles pedem votos para eles. Repito, há exceções. Dezenas delas. Mas são exceções. Os que não se enquadram nessas honrosas e aparentemente sacrificiais exceções pedem votos para si mesmos, dão-se por satisfeitos e emudecem em relação a candidaturas a prefeito. Se o eleitor eventualmente for inconvenientemente curioso, perguntará qual é o candidato a prefeito que o candidato a vereador sugere. “Ora, isso é com você, fique à vontade, vote em quem quiser”, retorquirá, quase inevitavelmente, o pretendente a vereador.

Enquanto as coisas estiverem como estão, os soldados do grande exército usarão a estratégia descrita acima. Cada um por si. Já o exército de tamanho médio de candidatos a vereador da coligação de ACM Neto faz toda questão de deixar claro ao eleitor que apoia o candidato democrata à prefeitura. Isso é um passo importante para conquistar o voto também para si mesmo. Só não fará isso se acaso descobrir antes que o eleitor já tem candidato diferente a prefeito.

ESPERTO – Estando em meio a uma campanha eleitoral para a prefeitura e não mais podendo disputar a reeleição, João Henrique encontrou um jeito esperto de participar: lançou-se candidato a governador e ainda avisou que isso é irreversível e que estão com medo dele. O assunto merece análise detalhada.

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Uma inspeção do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) identificou ocorrência sui generis na cúpula do Judiciário da Bahia. Maria de Fátima Carneiro de Mendonça, enfermeira de profissão, mulher do governador baiano, Jaques Wagner (PT), tornou-se servidora efetiva do Tribunal de Justiça sem fazer concurso público. Recebe salário de R$ 13.619.

Ainda segundo o CNJ, Fátima seria servidora fantasma. “A mulher do governador é do Tribunal de Justiça, está efetivada lá e ela nunca foi lá”, aponta a corregedora Nacional de Justiça, Eliana Calmon. A ministra afirmou que situações como essa evidenciam “a existência de conluio” entre o Executivo, o Judiciário e o Ministério Público da Bahia.

A corregedoria identificou o caso durante inspeção no TJ-BA, realizada em julho. Ao examinar o processo 13.690/2012, o CNJ deparou com “eventual acumulação irregular de cargos públicos” citando Maria de Fátima como ocupante de dois cargos distintos, um no Executivo, como analista, e outro no Judiciário, como assessora de supervisão geral. Em 5 de fevereiro de 2004, a mulher do governador assumiu cargo comissionado e atualmente está lotada na Coordenação de Assistência Médica.

As assessorias do governador Jaques Wagner e do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia negaram irregularidades na contratação da primeira-dama do Estado, Fátima Mendonça.

“Talvez a ministra (a corregedora Eliana Calmon, do CNJ) não tenha conhecimento da situação real da servidora (Fátima), que integra o quadro de funcionários do Tribunal há mais de 20 anos e exerce cargo comissionado há quase 14 anos, bem antes de seu esposo ser eleito e assumir o cargo de governador do Estado da Bahia”, informou o tribunal, em nota. As

(Com informações são do jornal O Estado de S. Paulo.)

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Posted on 27-08-2012
Filed Under (Artigos) by vitor on 27-08-2012


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Brum, hoje, na Gazeta do anorte

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