Wagner: com Padilha e sem Dilma no
mutirão da catarata em Serrinha
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ARTIGO DA SEMANA

Campanha sem Dilma

Vitor Hugo Soares

Ao cancelar em cima da hora a visita que a presidente Dilma Rousseff faria ontem (24) à cidade de Serrinha, porta de entrada do sertão baiano, o Palácio do Planalto derramou potes de água gelada na cabeça quente dos candidatos do PT e de partidos aliados na Bahia nesta campanha municipal de 2012.

A decisão de suspender a rota Brasília-Bahia, anunciada quinta-feira, mexeu igualmente nas expectativas políticas de muita gente de olho desde agora nas corridas estadual e presidencial de 2014.

Prorrogou, também, a já prolongada fase de inferno astral do governador Jaques Wagner, iniciada com a greve da PM e a ocupação da Assembléia Legislativa do Estado, pelo comando do movimento que só acabou com a entrada em cena das tropas da Força Nacional de Segurança e a polêmica prisão dos principais líderes.

Veio a seguir a prolongada e desgastante paralisação dos professores da rede estadual, também com a ocupação da ALBA, encerrada há poucos dias, mas cujos efeitos se arrastam, principalmente na área sindical – um dos principais pilares de apoio no campo social do governo petista.

Que ninguém se engane: Este complicado enredo baiano tem relevância nacional. Pelos signos de poder que projeta e as lições gerais que encerra (política e factualmente).
Mesmo diante dos empolgantes lances e reviravoltas do duelo quase particular entre os ministros do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa e Ricardo Lewandowski ( relator e revisor, respectivamente, do processo de julgamento dos 37 réus acusados do caso Mensalão ).

Mal comparando (ou não?), são emblemáticos alguns episódios dessa refrega jurídica (que repercute nas redes sociais, inclusive entre jornalistas, como um Fla x Flu decisivo) a exemplo do acontecido na passada quinta-feira de absolvições. Carga dramática explosiva . Tensão e novas expectativas dignas do confronto implacável entre os personagens Carminha e Nina a cada capítulo da novela das 9h da TV Globo, “Avenida Brasil”.

No caso do cancelamento da viagem da presidente Dilma Rousseff ao interior da Bahia (decisão tomada no calor da hora de uma tentativa de cerco do Palácio do Planalto, pelo movimento dos trabalhadores sem terra e servidores federais de diferentes categorias em greve, a relevância se deve a outros motivos e significados diferentes.

Acontece no começo da etapa considerada crucial da disputa pelas prefeituras, este ano, em mais de 5 mil municípios no País. No estratégico momento de arrancada dos candidatos e seus partidos no horário eleitoral “gratuito” no rádio e na televisão. Portanto, sob previsível vigilância geral e atenta.

Fácil descobrir: Mesmo com o carimbo oficial de “agenda administrativa”, os preparativos da anunciada visita da presidente e sua caravana a Serrinha, mal conseguia disfarçar os objetivos políticos eleitorais precariamente ocultos sob manto curtíssimo.

Dilma viria lançar o Programa Nacional de Cirurgias Eletivas do Ministério da Saúde de seu governo. E, ao mesmo tempo, “conhecer o mutirão de cirurgias de catarata que está sendo feito na região pela Secretaria de Saúde do governo baiano”.

Na terça-feira, em seu programa radiofônico semanal “Conversa com o Governador, propagado pela Secom-Ba na capital e no interior, Wagner falou sobre a até então ainda agendada visita de Dilma: “É uma homenagem ao nosso programa que, pelo interior deste estado já fez, em três anos, mais de 85 mil cirurgias de catarata, devolvendo o que é tão fundamental – a visão para muitos baianos e baianas”.

O lançamento do programa federal e o mutirão meritório (que executado em período eleitoral causa ruídos e denúncias da oposição, comparáveis às provocadas pelas cirurgias de ligaduras de trompas de mulheres em períodos eleitorais do passado na Bahia) foram mantidos. Mas com agenda cumprida pelo ministro Alexandre Padilha, da Saúde, e o governador Wagner. Evidentemente, sem a visibilidade e a ressonância que a presença da presidente Dilma daria ao evento.

Anunciado pelo Planalto o repentino cancelamento da visita presidencial, e divulgada a nova agenda para a sexta-feira de Dilma – toda ela cumprida na efervescente Brasília -, a festa política prevista para o Sertão da Bahia passou a ser desmontada, entre sorrisos e comentários irônicos da oposição e seus candidatos.

O desmonte começou pela desmobilização das caravanas de prefeitos e candidatos do PT e partidos aliados ao encontro marcado para ontem em Serrinha, a 173 Km de Salvador. O projeto das fotografias ao lado da presidente, cereja da campanha dos governistas, se não foi de todo para o espaço, terá que aguardar o “novo agendamento” prometido pelo Palácio do Planalto, sem data marcada para acontecer na Bahia. E a conferir.

Vitor Hugo Soares é jornalista- E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

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Comentários

Graça Azevedo on 25 agosto, 2012 at 9:34 #

Bom dia, VH! Obrigada pelo artigo lúcido, analítico e sem paixões, digno do grande jornalista que vc é.


Mariana Soares on 25 agosto, 2012 at 10:12 #

Mais um belo artigo, meu irmão! Mas, hoje estou aqui para lhe dizer que Brasília amanheceu para você: um friozinho que pede um bom vinho e um delicioso bacalhau daqui a pouco, como o que você adora! Venha que estou lhe esperando para este delicioso programa! E se, por acaso, por algum motivo, não possas vir, fique certo que o farei pensando e celebrando você! Beijos saudosos e um ótimo sabadão!


luiz alfredo motta fontana on 25 agosto, 2012 at 10:17 #

Caro VHS

Credita-se o cancelamento ao desprezo de Dona Dilma para comezinhos compromissos de campanha, ou à uma súbita indigestão provocada pelos outrora companheiros, hoje em greve?

Wagner é causa ou apenas um desprezado parceiro?

Trocando em miúdos, o que realmente revela esse cancelamento?

Já no STF…

7 de anos de espera, nenhuma nova imputação, afora as colecionadas pela imprensa em decorrência do ato solitário de Jefferson e da consequente CPI televisiva.

Após laudas e laudas e inevitáveis citações (como é árduo o trabalho dos assessores dos ministros), os votos prolixos, os procedimentos de rito, as improvisações face ao desvarios de egos inflados, e cada vez menos, e distante, qualquer flagrância dos atos que emporcalharam a República.

Na Bahia, e nos outros estados da federação, a obsolescência das campanhas eleitorais, no STF, a constatação de que processo, para os ministros, e os que os aplaudem, é coisa diversa da realidade e dos fatos, vale a dança, o minueto, as vestes, e a arrogância.

Um diz que relatou, o outro rapidamente faz contraponto, e todos ficam à vontade para… melhor não dizer.

E Dona Dilma vira capa da Forbes!


vangelis on 25 agosto, 2012 at 12:27 #

Em meados dessa semana que se finda houve um comício do candidato Pelegrino, apoiado por Valter Pinheiro, na Praça Castro Alves que provocou um engarrafamento enorme de veículos do bairro do Comércio até o Campo Grande. Estava dentro de um buzu engarrafado na Ladeira da Montanha viajando lentamente ao chegar às imediações da Praça Castro Alves vimos uma quantidade enorme de ônibus fretados e possíveis eleitores trajando as indefectíveis camisas vermelhas do PT, portando bandeiras, carregando balões, sendo comandados sempre por um líder de grupo, parecendo claque de programas de auditório. Provocando os passageiros levantei a questão: Como, se há tanta gente nesse comício, as pesquisas demonstram que outro candidato está a um passo da vitória e as ruas mostram outra coisa? Rapidamente uma senhora respondeu: – Vejam, eles estão sendo pagos por isso, hoje todo mundo é esclarecido, tem televisão, internet, rádio… “A maioria é desempregada, estão aí para faturar um dinheirinho depois votam em quem quer…”, o motorista se manifestou: Nesse aí eu não voto, nem morto, ele traiu a categoria… muitos responderam: Eles traíram foi o povo com as mesmas bandalheiras que antes eles combatiam…as discussões continuaram quando desci da condução nas imediações da Praça da Piedade pois já não aguentava mais o engarrafamento infernal.
Esse pequeno relato vem demonstrar um pouco o que o Luiz Fontana citou sobre “a obsolescência das campanhas eleitorais”, o uso da máquina seja pública ou privada, os recursos financeiros que na maior parte não demonstram às suas origens, vide pasta cor de rosa num passado recente, os mensalões, recursos não contabilizados, os caixas 2, 3, 4, etc. das empresas que bancam essas campanhas em troca de contratos que só lesam o erário público trazendo as mazelas históricas para esses eleitores iludidos por promessas que nunca são cumpridas. Essa gente que ao longo das suas vidas não serão beneficiadas com as três condições básicas de uma sociedade decente: Saúde, Educação e Habitação.
Por fim, lembrando que o candidato do comício que provocou o engarrafamento que deu origem a esse relato tem as suas dificuldades dentro do seu próprio partido, tendo em vista episódios que aconteceram quando chegaram ao poder na eleição do Lula à Presidente da República:
Quando da reforma da previdência dos servidores públicos, em 2003, o deputado Pelegrino era líder do governo na câmara, de forma dúbia ou incoerente, ora se posicionava a favor dos servidores, ora defendia o governo. Por causa desse comportamento político foi chamado pelo chefe casa civil Zé Dirceu para tomar o seu esporro e se enquadrar, dessa forma:
“Como líder, você não pode titubear, ainda mais sendo do PT. As propostas são do governo do qual você é um dos líderes”, disse Dirceu a Pellegrino. Mais: Dirceu avisou que, se Pellegrino não liderasse a bancada afinado com o governo, perderia, na prática, o comando das articulações. Resposta: Pellegrino se enquadrou, mas pediu que o convencimento da bancada fosse feito discretamente, para não parecer puxão de orelha.
Depois disso, tudo que falava era sempre desautorizado pelo vice-líder Professor Luizinho até perder o cargo de líder. Aninha Franco está com razão quando diz que o cara não passou de um deputado medíocre.
Isso entre outras coisas me leva a não votar nesses candidatos, pois, não me representam…


danilo on 25 agosto, 2012 at 18:07 #

diante desta situação já tem gente pensando em criar a LZFG, Liga da Zelite dos Flanelinhas Golpistas, e reunir a galera pra trabalhar na Praça do Campo Grande organizando a fila que deverá se estender até o “pé do caboclo”, com direito a distribuição gratuita de lenços da marca Contraditório, drágeas de Lexotan e tubos de pomada Calminex…


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