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OPINIÃO POLÍTICA

Marcando passo

Ivan de Carvalho

O candidato do PT e mais 13 partidos a prefeito de Salvador, deputado Nelson Pelegrino, obteve, na amostragem eleitoral realizada pelo Instituto Potencial Pesquisa e divulgado na quarta-feira, percentual de 14,9 por cento de intenções de voto. Digamos, para simplificar, facilitar a memória e porque não é incorreta tal aproximação, 15 por cento.

Em outra pesquisa eleitoral realizada há aproximadamente 20 dias, para uso reservado e a que o comando petista teve acesso, ele obtivera um ponto a mais. E na pesquisa feita pelo Ibope, sob encomenda da TV Bahia, dentro da política de divulgação de pesquisas eleitorais da Rede Globo, o candidato petista aparecera com três pontos percentuais a menos, sempre na modalidade de resposta estimulada. Segundo a pesquisa do Instituto Potencial, “recuperou” dois daqueles três pontos perdidos.

Ora, essas descidas e subidas de Nelson Pelegrino inscrevem-se nas chamadas margens de erro das pesquisas eleitorais e o candidato até fica longe de atingir uma variação que toque os limites máximos ou mínimos de tais margens de erro, exceto, talvez, na queda de 16 para 13 por cento, agora amenizada pela subida de 13 para 15 por cento.

Deixemos de lado números e tecnicalidades e vamos na real. No período em que ocorreram as três pesquisas, o candidato da gigantesca coligação liderada pelo PT esteve parado. Não avançou na preferência do eleitorado nem perdeu simpatizantes. O problema é que deveria ter avançado. E que quanto mais esforço faz, mais fica no mesmo lugar.

O que pode afinal estar acontecendo? O sinal de alerta (tem que ser vermelho, até para preservar a coerência com a cor escolhida pelo PT) está aceso pelo menos há semanas, talvez mais do que isso, nas hostes e na campanha do PT. No entanto, quanto mais se avança do passado em direção ao presente percebemos que o brilho do sinal de alerta vai se tornando mais intenso, ofuscante.

Não terá sido por outro motivo que o PT trouxe voz e imagem de Lula recomendando Pelegrino ao eleitorado para o dia inaugural da propaganda “gratuita”. Está ansioso, tem pressa.

Outra providência, como se sabe, foi tomada. Formar, para o povo ver, um “conselho político” enfeitado pelos três senadores baianos (João Durval, do PDT, Lídice da Mata, do PSB e Walter Pinheiro, do PT). Também para comprometer Lídice da Mata, concretamente, com o planejamento e participação direta na campanha. Mas principalmente para criar ao senador Walter Pinheiro a moldura para intervir nos bastidores da campanha, reorganizando-a e reformulando-a. Como estava, percebera-se, não se movia.

Pelegrino tem, no rádio e televisão, tempo quase igual ao de todos os seus concorrentes somados. Praticamente metade dos 30 minutos de cada bloco. Isso, em princípio, é bom para ele, mas se for mal usado pode se tornar um desastre. Eleitor-telespectador detesta chatice, assim como prepotência baseada na própria vantagem temporal.

Além da fase de desgaste que o governo estadual e o PT experimentam atualmente em Salvador (não é impossível uma recuperação até as eleições, mas o tempo é curto), dois calcanhares de Aquiles teimam em embaraçar o andar da candidatura: a pouca motivação de parte da militância petista e a ausência total de motivação de grande parte do PC do B (frutos venenosos do expurgo da candidatura de Alice Portugal), bem como perceptível ausência de entusiasmo nos quadros de base do PSB

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