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Postado em 18-08-2012
Arquivado em (Artigos) por vitor em 18-08-2012 12:35


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CRÔNICA/ LÍNGUA

A septuagenária língua de Caetano

Janio Ferreira Soares

A verdade é que brasileiros valorizam mais caras do que bocas. Traduzindo, é bem mais fácil um camarada com jeito de bonzinho – como Airton Senna – virar um “exemplo de dignidade” para Faustão e companhia, do que um Nélson Piquet com sua matraca sem papas ser aplaudido de pé por algum auditório, embora exista a real possibilidade de neguinho só estar jogando para a plateia.

A propósito, por esses dias Paulinho da Viola, Gilberto Gil, Milton Nascimento e Caetano Veloso completam 70 anos. Ganha uma versão remasterizada de Araçá Azul – com o acréscimo de um longuíssimo solo invertido de um berimbau semi-acústico – quem adivinhar qual deles é o mais polêmico e por qual motivo.

Enquanto Milton e Paulinho economizam nas palavras e Gil flui com maestria aquele baianês que mais encanta que provoca, Caetano destoa e continua a girar sua camaleônica língua em 78 rotações e mil direções, opinando sobre os mais variados assuntos e polemizando com figuras que vão de Fidel Castro (que não gostou das críticas contidas na música Baía de Guantánamo sobre a falta de direitos humanos em Cuba), a Luana Piovani (que o chamou de “um banana de pijama” por causa de seu desmentido de que ela teria sido sua musa inspiradora numa canção), passando por Lula (numa entrevista Caetano o chamou de analfabeto e cafona, mas depois se explicou), Lobão, Paulo Francis (outra verve afiadíssima que faz uma falta danada) e tantos outros.

Certamente por isso – e tão somente por isso, já que sua produção musical é inquestionável -, o nosso bardo santamarense nunca vai alcançar a quase unanimidade de um Chico Buarque, que, na dele, apenas observa de sua janela o movimento das ondas, barcos e bikes, embora existam suspeitas de que, ao fechá-la, uma espécie de Julinho da Adelaide versão 2.0 baixa na área e reassume aquele corpo que um dia já foi seu.

Mas agora é hora de festejar essa genial geração “de rombo, 70!” que canta, compõe, escreve e ainda solta o verbo para agitar (ou chatear, aí depende) a mesmice da velha e acomodada manada.

Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura, Turismo e Esportes de Paulo Afonso, na margem baiana do Rio São Francisco

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Comentários

regina on 18 agosto, 2012 at 13:57 #

“Cada macaco no seu galho”… mas, Caetano, nao adianta querer meter ele numa caixa e colocar um rótulo, não cola…


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