Embalxada do Equador cercada em Londres
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OPINIÃO POLÍTICA

O Brasil e o caso Assange

Ivan de Carvalho

Eu já estava todo animado para a guerra. Imaginava que o Brasil mandaria, no comando de uma frota, o porta-aviões São Paulo para o rio Tâmisa.

Infelizmente, parece que o experiente Estado inglês é como o boi, que sabe onde arromba a cerca. Arrombou quando veio retomar as Falklands (Malvinas) do governo argentino.

Mas o ex-império onde o Sol nunca se punha fugiu à luta, escafedeu-se, quando percebeu que poderia enfrentar um furioso Equador de Rafael Correa apoiado pelo Brasil de Marco Aurélio Garcia, assessor da Presidência da República para Assuntos Internacionais, com a cobertura infalível dos revolucionários bolivarianos da Venezuela sob o comando do coronel Hugo Chávez. Na verdade, a invasão da embaixada seria um ato de violência injustificada e de extrema visibilidade, daí, talvez, o recuo.

As notícias de quarta-feira e ontem vinham se revelando inquietantes. Na madrugada de quarta, policiais ingleses posicionaram-se em frente à embaixada do Equador, em Londres, enquanto em Quito o governo do Equador tomava a decisão que anunciaria ontem – a concessão do asilo político a Julian Assange, o australiano fundador do site WikiLeaks, fonte de uma enorme dor de cabeça para o governo americano e dores menores para vários outros.
Assange e seu site têm uma importância marcante, em nível mundial, na luta pela preservação das liberdades de imprensa e de expressão. Mas é jovem e, caçado pelo governo americano, foi irresponsável ao meter-se com duas mulheres suecas de uma vez. Resultado: uma denúncia e um processo por violência sexual (ele garante que foi tudo consensual), que pode ser uma conspiração para depois entregá-lo aos Estados Unidos, onde processos contra a segurança do Estado buscariam alcançá-lo e silenciá-lo.
Nem a Inglaterra, cuja corte suprema determinou a extradição para a Suécia, nem a Suécia, quiseram comprometer-se com o Equador em, depois do processo, não entregar Assange às autoridades americanas. E estas negaram-se a informar o governo equatoriano sobre possíveis processo contra Assange no país, alegando que não iriam imiscuir-se em um assunto que estava sendo tratado entre o Reino Unido e a Suécia.
A tensão subiu muito ontem, quando o chanceler do Equador afirmou que seu país recebeu do governo britânico uma carta, na qual advertia que tinha os meios legais para prender Assange dentro da embaixada do Equador – a decisão da corte suprema, apesar de anterior à concessão do asilo, determinando a extradição. O governo britânico disse na carta, segundo o governo equatoriano, que pretende cumprir a ordem da corte e tem base legal para isto, uma lei inglesa de 1987, que permite revogar o status da representação estrangeira, autorizando a entrada da polícia no prédio da embaixada, no caso, a embaixada do Equador. Parece que o Brasil, o Equador e muitos outros países não têm uma lei sequer parecida.

Mas, para alívio geral e fim da guerra antes que começasse, ontem mesmo o Foreign Office, declarando-se decepcionado com a decisão do Equador e o “discurso” de seu chanceler Ricardo Patiño – que denunciou a ameaça britânica – garantiu que não invadirá a embaixada, mas não dará o salvo-conduto para Julian Assange ir da embaixada ao aeroporto e deixar o Londres com destino ao Equador. O Brasil foi convocado para uma reunião da Unasul no domingo, pedida pelo Equador. O governo brasileiro deve ir à luta, pelo aliado Equador (não vamos abandonar o companheiro Correa) e pelo direito de asilo, no caso, para Assange.

Assange vai ter que ficar na embaixada, sabe Deus por quanto tempo.

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Comentários

danilo on 17 agosto, 2012 at 9:46 #

larga de ser mané, Assange! você não não entender que se for pro Equador, bocê não vai poder criticar nem falar nada do governo de lá?

Assange, se ligue, man. no Equador você será uma espécie de prisioneiro light de Rafael Correa. e logo você verá que entrou numa roubada de aceitar uma espécie de prisão domiciliar.


rosane santana on 17 agosto, 2012 at 11:34 #

Sinceramente, não nutro nenhuma, absolutamente nenhuma simpatia por Assange nem pelo wikileaks.


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