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OPINIÃO POLÍTICA

A insegurança e a escola

Ivan de Carvalho

A insegurança pública para o Centro Municipal de Educação Infantil Vovô Zezinho, no bairro do Arenoso, levou a Secretaria de Educação de Salvador a anunciar que essa escola, que atende 151 crianças de um a cinco anos, será transferida de endereço, em busca da redução da insegurança a um grau tolerável. O secretário João Carlos Bacelar está procurando um imóvel no bairro ou em um bairro próximo para que os alunos sejam transferidos ainda este ano, o mais depressa possível.

Na área onde está localizada atualmente a escola acontecem tiroteios com frequência, a qualquer hora do dia, o que assusta as crianças e os professores, existindo registro de que o carro de uma professora já foi atingido por tiros, segundo relatou ontem o site Bahia Toda Hora.

A informação da Secretaria Municipal de Educação foi prestada na segunda-feira pelo secretário João Bacelar. Ontem, a Secretaria de Segurança Pública do Estado emitiu nota oficial garantindo que, mesmo sem haver sido assinado um convênio anunciado em março pela Polícia Militar, entre o Município de Salvador e Estado da Bahia, para proteção pela polícia estadual dos estabelecimentos escolares municipais, o policiamento na região é executado sistematicamente, com o registro, do começo do ano até aqui, de 53 chamadas apenas de escolas municipais do Arenoso.

Ora, aí está uma confissão de que as coisas lá, parafraseando Chico Buarque, estão pretas. Se houve 53 chamadas apenas de escolas municipais do Arenoso, isso comprova que a insegurança na região é muito grande, do contrário não teriam sido necessárias tantas chamadas. A PM esclarece que, quando solicitada, envia equipes para acompanhar eventos específicos.
Acrescenta que este ano 15 criminosos foram presos e outros cinco morreram em troca de tiros, no Arenoso.

Está aí uma nota que, com a intenção de desmentir ou esclarecer, realmente esclarece, mas confirmando, uma confissão espetacular da insegurança reinante na área em questão. A PM realmente dá conta de sua atuação, mas também dá conta da intensa atuação dos bandidos, até porque é óbvio que, se estão as coisas não só como a prefeitura, mas como a própria PM diz, certamente que há bem mais bandidos que os 15 presos e cinco mortos em combate.

Vistas as coisas pelo ângulo da Polícia Militar, a nota faz sentido, mas se vistas pelo ângulo do governo do Estado, não faz bem. É que ela confirma a situação de intolerável insegurança pública nas áreas da rede municipal de educação nos bairros pobres da capital, sendo legítimo extrapolar uma conclusão: se tais escolas estão com problemas de segurança tão graves em seu entorno, não podem estar em situação tolerável a cidade e mesmo o estado. As informações, o sentimento popular de insegurança, a cobertura policial dada pelos jornais e por alguns programas de televisão – tudo isso mostra que o intenso esforço da PM é muito pequeno para o tamanho do problema.

Há notícias em circulação na mídia – o jornalista Raul Monteiro dá conta disso em comentário assinado no site Política Livre – de que, segundo informações circulantes na prefeitura, o governo estadual teria ficado “irritadíssimo” com a decisão de transferência da escola, porque a notícia que isto gerou seria “inoportuna”. Irritação a conferir, apesar da nota da PM, que dá a pista.

Não é preciso aprofundar o assunto, investigando porque seria inoportuna, se assim foi realmente considerada pelo governo estadual. Meu Deus, inoportuno mesmo seria a prefeitura deixar as crianças no meio do tiroteio até meados ou fins de outubro.

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