Elquisson: ataque na estrada de Encruzilhada

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Ex-deputado federal e estadual, o advogado Élquisson Soares, candidato à Prefeitura de Vitória da Conquista, pelo PPS, nas eleições deste ano, foi vítima de um sequestro no último sábado (11), quando transitava entre o distrito conquistense de Ilhobim e o município de Encruzilhada.

Falando por telefone com o Blog do Anderson, o advogado Frederico Ferraz, que divide a chapa com Élquisson, disse que o ex-parlamentar foi levado como refém por dois bandidos e liberado em uma estrada de Minas Gerais. O motivo do sequestro não foi revelado.

Nesta segunda-feira à tarde, Élquisson estava em Encruzilhada, para registrar queixa do roubo do seu carro e uma maleta em que levava uma série de documentos.

Baiano da região de Conquista, Elquisson estudou Direito no Rio de Janeiro, onde exerceu forte liderança no movimento estudantil de resistência à ditadura nos anos 60, a partir da Faculdade Estácio de Sá, de cujo diretório acadêmico foi presidente.

Na Assembléia Legislativa da Bahia foi destaque parlamentar por sua atuação desassombrada contra o regime militar e de denúncia contra a grilagem de terras na Bahia, principalmente na região oeste. Na época integrante do chamado “MDB autêntico da Bahia”, ao lado do falecido deputado Chico Pinto, foi igualmente um dos parlamentares mas atuantes e acatados do país. Longe do parlamento há décadas, disputa este ano, pelo PPS, a prefeitura de Vitória da Conquista, uma das maiores cidades da Bahia.

(Postado por Vitor Hugo Soares, com informações do blog d0 Anderson (Conquista)

http://youtu.be/0ERZ45kg1cQ

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Nelson Jacobina e Jorge Mautner são os compositores de “Maracatu Atômico”, sucesso lançado por Gilberto Gil em 1973.

Maracatu Atômico

Atrás do arranha-céu tem o céu, tem o céu
E depois tem outro céu sem estrelas
Em cima do guarda-chuva tem a chuva, tem a chuva
Que tem gotas tão lindas que até dá vontade de comê-las

No meio da couve-flor tem a flor, tem a flor
Que além de ser uma flor tem sabor
Dentro do porta-luva tem a luva, tem a luva
Que alguém de unhas negras e tão afiadas se esqueceu de por

No fundo do pára-raio tem o raio, tem o raio
Que caiu da nuvem negra do temporal
Todo quadro-negro é todo negro, é todo negro
E eu escrevo o seu nome nele só pra demonstra o meu apego

O bico do beija-flor beija a flor, beija a flor
E toda a fauna aflora grita de amor
Quem segura o porta-estandarte tem arte, tem arte
E aqui passa com raça eletrônico maracatu atômico

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BOA SEGUNDA- FEIRA PARA TODOS. COM O JULGAMENTO DO MENSALÃO E SEM LONDRES.

(Vitor Hugo Soares)


Eliana Calmon:firmeza de sempre às
vésperas de deixar a corregedoria

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DEU NO JORNAL O ESTADO DE S. PAULO

Felipe Recondo e Fausto Macedo

BRASÍLIA – A poucos metros do plenário do Supremo Tribunal Federal, a corregedora Nacional de Justiça, Eliana Calmon, acompanha o julgamento do mensalão e revela sua expectativa. “É uma grande oportunidade de estabelecermos alguns valores, morais, éticos, políticos, por isso o julgamento do mensalão é tão importante”, disse. Para ela, a defesa dos réus trata a tese do caixa 2 como “se fosse conduta corriqueira, socialmente consentida”. Eliana Calmon diz que não conhece as provas dos autos, mas para ela o escândalo “soa como corrupção”. Sobre o comportamento dos 11 ministros no julgamento que o País acompanha desde o dia 2, ela prefere não opinar. Mas perguntada sobre José Antonio Dias Toffoli, ex-assessor do PT, a corregedora salienta que “o assunto está na pauta do dia porque o povo anotou”.

Na última quarta-feira, a ministra recebeu o Estado em seu gabinete no Anexo I da sede do STF, uma sala cujas janelas se voltam para os fundos do Supremo. A ministra se prepara para deixar o cargo de xerife do Judiciário em setembro. Depois de ver a Justiça por dentro, ela se diz “assustada” com o que constatou – desvios e desmandos, corrupção, enriquecimentos pessoais e contracheques milionários. Na entrevista, afirma ainda que depois de denunciar a existência de “bandidos de toga”, sofreu resistência do então presidente do STF, Cezar Peluso: “Ele tentou me inviabilizar”.

Não é hora de o Supremo Tribunal Federal dar um basta na cultura do dinheiro sujo na política?

E quem sabe o Supremo não vai dar? É uma grande oportunidade de estabelecermos alguns valores, um julgamento importantíssimo. Valores morais, valores éticos, políticos, não é? Valores de conduta de cidadania.

A defesa dos réus do mensalão quer cravar que tudo não passou de caixa 2 de campanha eleitoral. A tese vai vingar? Como se fosse conduta corriqueira, socialmente consentida.

Não conheço as provas dos autos, mas para mim o mensalão soa como corrupção (e não caixa 2). Eu me impressionei pelas imagens (a cena da entrega do dinheiro nos Correios), até hoje me choca. Não posso ignorar que este é um país de caixa 2. Isso é relativizado na hora que se vai examinar os fatos.

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) puniu juízes que agiram parcialmente por causa de relações com as partes. No julgamento do mensalão discutiu-se sobre a suspeição do ministro Dias Toffoli. O exemplo não deve vir de cima?

Isso está na pauta do dia. Não vou qualificar, por uma questão de hierarquia, questão disciplinar. Mas o assunto está na pauta do dia porque o povo anotou.

O modelo de financiamento de campanha deve ser alterado?

Ninguém ignora que nós precisamos fazer uma reforma política porque o financiamento de campanha neste país é uma vergonha. Nós, magistrados, ignoramos isso? Não. Se é um problema generalizado, é um problema que conta com a conivência de todos, de toda a Nação, tanto que até hoje não se tomou nenhuma providência.

O STF vai ser julgado pela sociedade no julgamento do mensalão?

O STF está com muito cuidado neste julgamento do mensalão porque a Nação está olhando. Será um julgamento bastante técnico. Estamos no ápice da manifestação democrática do País. Alguns magistrados ainda não se aperceberam de que nós podemos ser julgados. É assim que acontece em qualquer democracia. A sociedade julga os serviços prestados por qualquer servidor público, e ministro é servidor público. Eu sou servidora pública. O STF está numa posição difícil, tem de prestar satisfação para os jurisdicionados. Ele tem um problema político por resolver, porque há realmente interesses políticos que estão em jogo. A Nação toda está mobilizada, com os olhos voltados para o Supremo. E a saída do Supremo é julgar tecnicamente.

Como foi a convivência com Peluso?

Foi socialmente boa, só que ele é uma pessoa difícil. Eu insistia muito para ter um diálogo, mas sempre encontrei pouca receptividade. Despachávamos normalmente, uma vez por semana, mas de uma forma bastante seca, rápida. Essa convivência não me deixava à vontade, eu não me sentia fazendo parte de uma equipe. Comecei a sentir uma corregedoria separada da gestão do CNJ e isso me incomodava bastante. Eu fui me encolhendo dentro desse universo CNJ para ser possível, então, fazer uma administração à margem. A Corregedoria era ignorada.

Quando a sra. apontou “bandidos de toga” tentaram afastá-la?

Naquele momento, meu entendimento foi de que o ministro Peluso quis publicizar uma insatisfação que já era dele. Se essa insatisfação fosse generalizada, naturalmente eu ficaria absolutamente impedida de continuar como corregedora. Ele pessoalmente ligou para os tribunais e pediu que tomassem a mesma medida. Ele queria que os tribunais se reunissem para examinar a nota de repúdio e divulgar. Eu sei disso porque no STJ, o presidente à época disse: ‘O ministro Peluso telefonou e pediu para eu reunir o plenário para aderir à nota de repúdio’. Isso também foi feito no Tribunal Superior do Trabalho, que emitiu nota assinada por todos os ministros, com exceção do ministro Ives Gandra.

Qual era a intenção?

Interromper a minha atividade. Se eu estou inviabilizada com a magistratura, eu não posso continuar corregedora, fico desmoralizada. A hora que eu chegar num tribunal eu estou inviabilizada, ninguém acredita numa pessoa que a magistratura repudiou, uma pessoa que quer o mal da magistratura. Essa foi a ideia. Superei porque tinha consciência de que não pertencia àquilo que diziam. O que estava na nota não era minha intenção, eu estava certa do que estava fazendo. Veio um apoio generalizado, como se a nota fosse um estopim. Recebi apoio até de ministros do STF, telefonemas, e-mails e este país explodiu de apoio. A mídia foi o grande veículo, o Estado fez editorais. Aí nós marchamos.

Pensa em ingressar na política?

Eu só sou magistrada, não tenho aptidão para a política. Sou uma pessoa que fala as coisas, não faço favores. Os meus amigos dizem ‘Eliana não faz favores, não é amiga dos amigos’. Eu sou amiga, mas dentro da minha atividade profissional eu não tenho amigo, não faço favor porque é uma questão de princípio. No dia em que fizer um favor, eu faço dez.

Em muitos Estados é baixo o índice de condenações por improbidade e os salários dos magistrados são altos. Faz alguma relação entre essas duas situações?

Faço. Este é um país preconceituoso, dominado por elites econômicas e políticas que ainda têm peso grande nos tribunais. E é dentro desse espírito elitista, patrimonialista, que nós temos dificuldades de mudança de cultura. Ainda há magistrados que têm a concepção de que isso é normal, para as elites tudo é permitido e relativizam os atos de improbidade. É uma prática em alguns Estados. Estabelecer salários altos para, dessa forma, ter a conivência da magistratura. Temos de acabar com esse compadrio de tribunais com governadores. Chefes do Executivo, às vezes, repassam verbas para altos salários para terem o quê? A compreensão do Judiciário, a conivência.

Leia entrevista completa de Eliana Calmon no Estadão

ago
13
Posted on 13-08-2012
Filed Under (Artigos) by vitor on 13-08-2012


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Dum, hoje,no portal A Charge On Line

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OPINIÃO POLÍTICA

O caso Toffoli

Ivan de Carvalho

Segundo relatou em seu blog o jornalista Ricardo Noblat, ele foi a uma festa em Brasília, cumprimentando, “na chegada e na saída” – esta já na madrugada de sábado – o ministro do Supremo Tribunal Federal, José Antonio Dias Toffoli. Quando deixava a casa em que a festa se realizava, sentiu-se “atraído por palavrões ditos pelo ministro em voz alta, quase aos berros”. Noblat relata na nota que voltou e ficou em um ponto do terraço de onde podia ouvir, “com clareza”, o que Toffoli dizia.

O alvo dos palavrões – escreveu Noblat no blog e depois, no twitter, mencionou testemunhas – era o próprio Noblat. “Esse rapaz é um canalha, um filho da puta” e “ele só fala mal de mim” foram, pelo que postou o jornalista em seu blog, apenas a ignição para o jato de palavrões que, de tão pesados, vou poupar os meus leitores de lê-los aqui mais do que já leram. Poderão ser encontrados, para os mais curiosos ou os que não quiserem confiar na imaginação, com uma rápida ajuda do Google.

Até o início da noite de ontem o ministro Toffoli não havia desmentido o relato de Noblat. E não havia nenhum bando de jornalistas dando plantão em frente da residência do ministro, à espera de um eventual desmentido. É claro que um desmentido de Toffoli, verbal ou em nota oficial, pouco importa, ampliaria extremamente a repercussão do caso. Iria fazê-lo transbordar da Internet para os demais meios de comunicação, sem exceção. E assim muita gente que está alheia ao assunto iria ter conhecimento do incidente, interessar-se e buscar mais informação.

De qualquer maneira, essa ampliação da repercussão não é um dano a que ele deva esquivar-se. A Lei Orgânica da Magistratura estabelece que ao magistrado cumpre ter um comportamento incensurável tanto na vida pública como na vida privada, o que inclui festas do tipo a que Toffoli e Noblat compareceram – junto a muitas outras pessoas – em casa de “um amigo comum”, conforme o jornalista. Assim, Toffoli, para tranquilizar a nação quanto ao comportamento de um ministro da corte suprema, tem as opções de desmentir a chuva de palavrões ou processar o jornalista Ricardo Noblat por difamação. Silenciar pode até ser a alternativa menos incômoda (embora ainda assim muito incômoda), mas é a pior das três.

Bem, permanecendo no assunto, mas mudando de rumo, ocorre-me uma questão pungente. Note-se que um jornalista estava numa festa em que também estava uma das mais altas autoridades do país e, mal ia saindo, foi, conforme seu relato, agredido à larga com palavrões.

Fico imaginando o drama em que, pelo menos de agora em diante vão estar permanentemente os jornalistas brasileiros. Vão eles, por exemplo, a entrevista coletiva concedida por uma autoridade e, terminada a sessão de perguntas e respostas, a bancada de imprensa continua a postos. Não saem os repórteres às pressas para os seus veículos de comunicação ou para os seus laptops ou para a próxima tarefa da pauta do dia.

Ficam os prudentes jornalistas ali, plantados, mais do que desconfiados, com profundo temor de, ao virar as costas, serem xingados, juntamente com suas respectivas mães, e agredidos com palavrões e com as mais indigestas sugestões. Se, no final, resolverem retirar-se, andarão de costas – ou andarão normalmente mesmo, mas de repente se voltarão, na esperança de flagrar as “declarações” mais importantes, ainda que delas sejam alvos ou vítimas.

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