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OPINIÃO POLÍTICA

Reforma na campanha

Ivan de Carvalho

As coisas não estavam bem na campanha do candidato do PT a prefeito, deputado Nelson Pelegrino, o que se tornava mais grave ante uma modesta aceitação da candidatura pelo eleitorado. Um conjunto de duas pesquisas eleitorais – uma realizada para consumo interno dos que a encomendaram e dos que, na área governista estadual, receberam os resultados de presente e outra encomendada pela TV Bahia como parte da política de divulgação de pesquisas da Rede Globo – não deixavam margem a dúvidas. E ainda não houve tempo para a situação mudar.

A última das duas pesquisas mencionadas conferiu 40 por cento das intenções de voto ao deputado ACM Neto, candidato a prefeito da coligação de cinco partidos liderada pelo Democratas, 13 por cento para o candidato da coligação de 14 partidos liderada pelo PT, deputado Nelson Pelegrino e oito por cento para o radialista e ex-prefeito Mário Kertész, candidato da coligação liderada pelo PMDB e completada pelo PSC.

Da outra pesquisa, pouco anterior, feita para uso reservado, não se pode avançar muito, devido às restrições, ao meu ver exageradas ou talvez simplesmente ilegítimas, mas legais. Quase tudo que sobre ela podia ser dito foi dito e o que se pode acrescentar é que seu resultado, no tocante ao líder das intenções de voto, é superior, mas o mais próximo possível, do apresentado pela pesquisa divulgada pela TV Bahia. Pelegrino coloca-se, na pesquisa pública, abaixo, mas só um pouco – o que não significa que não seja significativo – do que obteve na pesquisa reservada. Kertész, da pesquisa reservada para a pública, teve em desfavor um número maior de pontos percentuais.

Mas, voltando à campanha de Pelegrino e à situação de sua candidatura, uma terceira pesquisa, não eleitoral, mas de opinião dos eleitores a respeito dos governos estadual e de Salvador e do governador e do prefeito da capital (encomendada pelo Correio da Bahia à empresa Futura) mostrou um descontentamento geral do eleitorado. Tanto na área municipal, onde foi até pior, quanto na área estadual, onde foi muito ruim. Essa avaliação relacionada com a área estadual vem dificultando uma escalada da candidatura do petista Pelegrino junto ao eleitorado.

Tal avaliação é circunstancial, já deixou muito a desejar até a metade do primeiro mandato de governador de Jaques Wagner, depois Wagner deu a volta por cima e reelegeu-se no primeiro turno com facilidade. Agora a avaliação está ruim outra vez, mas ele cumpriu até aqui apenas um ano e sete meses do segundo mandato (uma interpretação pessimista consideraria que ele cumpriu cinco anos e sete meses do total de oito anos). Wagner tem instrumentos objetivos para uma virada até 2014. Claro que o fenômeno que Nelson Rodrigues chamava de “Sobrenatural de Almeida” pode manifestar-se: repercussões do Mensalão na imagem do PT no país (isso pode também atingir Pelegrino, que também não teve a ver com o caso, mas é do partido), os resultados das eleições deste ano e sobretudo os reflexos internos, caso se aprofundem, da crise financeira e econômica internacional.

Lutando no mundo materialista, concreto, o PT acaba de fazer uma espécie de intervenção alegremente consentida na campanha de Pelegrino – para tirá-la do casulo em que se metera – formando um conselho político que traz a bancada baiana no Senado como elemento chave. Walter Pinheiro, como reformador do núcleo de campanha e coordenador geral executivo. Lídice da Mata, expressiva força auxiliar. E João Durval como a cereja do bolo, honroso enfeite, que empresta o nome, a figura e a simpatia, mas de quem não se espera que vá suar a camisa – e se sabe que não irá comer o bolo.

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