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Uma manifestação pacífica na Praia de Copacabana relembrou um ano da morte da juíza Patricia Acioli, assassinada a tiros na noite do dia 11 de agosto do ano passado. A organização não governamental (ONG) Rio de Paz colocou 21 fotos de balas de revólver com manchas de sangue, com aproximadamente 50 cm de altura, na areia da praia, simbolizando os projéteis disparados contra o carro onde estava a juíza.

Quem passava pela orla da praia podia ler ainda uma faixa com a seguinte frase: “21 tiros na Justiça: um ano da morte da juíza Patricia Acioli”. A faixa foi colocada em frente às fotos das balas de revólver.

Para o presidente da Rio de Paz, Antônio Carlos Costa, o assassinato de Patricia Acioli foi um atentado à sociedade brasileira. “Se queremos que os valores democráticos e as virtudes que dão coesão e beleza à vida em sociedade façam parte da alma do povo brasileiro, a data da morte de Patricia Acioli não pode ser esquecida”, disse.

Costa destacou também o empenho de Acioli em combater o crime organizado na cidade de São Gonçalo, onde era juíza da 4ª Vara Criminal. “Ela lutou com coragem e autonomia pelo direito à vida, combatendo grupos de extermínio. Os 21 tiros desferidos contra sua vida representam a tentativa de silenciar a Justiça.”

O primo da juíza assassinada, Carlos Schramm, que esteve no ato, acredita que é necessário investigar o motivo pelo qual a magistrada estava sem escolta policial desde 2007. Segundo ele, a justificativa dada pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) não coincide com documentos apresentados pelo advogado da família. “Patricia foi morta sozinha e alegaram que ela não queria escolta, mas foi provado por documentação”, alegou.

As investigações do caso revelaram o envolvimento de 11 policiais militares na morte de Patricia Acioli, 47 anos, dentro de seu carro na porta de casa, em Niterói. Entre eles, o ex-comandante do Batalhão de Polícia Militar de São Gonçalo, o tenente-coronel Cláudio Luiz Silva, e o tenente Daniel Santos Benitez Lopes, apontados como mentores do crime. Todos os acusados responderão pelo crime de homicídio triplamente qualificado pela morte da juíza.

(Com informa;’oes da Agencia Brasil)

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“Alegre Menina” é um raro poema de Jorge Amado musicado por Dori Caymmi. Música lançada na trilha sonora da novela Tieta, em 1975, e repetida na novela Gabriela 2012. A primeira versão é interpretada pelo autor, Dori.

O belo vídeo da segunda versão é do grupo Rabo de Lagartixa, da coleção ComPasso samba & choro, da Biscoito Fino.

VIVA JORGE!!! BOA TARDE!!!

(Vitor Hugo Soares)


Jorge Amado:na Casa do Rio Vermelho

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MEMÓRIA/ 1OO ANOS

Meu encontro com Jorge Amado

Regina Soares

O ano acho que foi 1969, estava cursando o Pedagógico e minha turma ficou encarregada de fazer um estudo dos livros de Jorge Amado, meu grupo escolheu Mar Morto. Lembro que partiu de mim a idéia de fazer uma entrevista com o autor como parte da nossa apresentação. Feitos os arranjos, proposta aceita, partimos para a entrevista na sua casa no Rio Vermelho, em Salvador, onde ele e sua mulher, Zélia Gattai, recebiam desde pessoas ilustres até as pessoas mais simples, do povo. Pelo portão com mo­tivos criados pelo amigo e pintor Carybé, já passaram Pablo Neruda, Dorival Caymmi, João Ubaldo Ribeiro, muita mãe-de-santo, políticos e o moleque da quitanda.

Imaginem vocês a curiosidade e deslumbramento daquela menina-moça, acompanhada de sua professora de Português e mais umas quatro colegas de colégio ao encontrar-se na sala onde habitava o maior escritor da Bahia, do Brasil e um dos grandes do mundo e prestes a conhece-lo e toca-lo.

Jorge Amado foi exatamente o que esperávamos. Passos leves, braços abertos, sorriso e olhar de avô.

Sentamos em um canto da sala e começamos a fazer as perguntas e anotar as respostas em cadernos e num pequeno gravador. Falamos sobre o livro Mar Morto que, da longa lista dos romances de Jorge Amado, é um dos mais populares, não só no Brasil como em muitos outros países. Romance de grande força lírica, considerado um verdadeiro poema em prosa, conta histórias de velhos marinheiros, de mestres saveiros, de pretos tatuados e de malandros que contam e cantam essas histórias da beira do cais da Bahia. Conta a história de Guma e Lívia que é a “história da vida e do amor no mar”, como diz Jorge Amado “O povo de Iemanjá tem muito que contar”.

Sempre atento e paciente saciou nossa curiosidade e com ternura abraçou uma a uma e ainda recordo o afago que fez na minha cabeça. Zélia veio à sala trazer um refresco e também nos deixou o sorriso.

Nosso trabalho foi um sucesso e reconhecido com honras, mas, na minha memória, a imagem paternal do grande escritor ficou gravada para sempre como meu maior prêmio.

Regina Soares, advogada baiana,diplomada na UFBA, especializada em eleições nos Estados Unidos, mora há décadas em San Francisco, costa leste americana, onde edita o blog Sussurro e colabora com o Bahia em Pauta desde o nascimento deste site blog.

ago
10
Posted on 10-08-2012
Filed Under (Artigos) by vitor on 10-08-2012


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Humberto, hoje, no Jornal do Comércio (PE)


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OPINIÃO POLÍTICA

Reforma na campanha

Ivan de Carvalho

As coisas não estavam bem na campanha do candidato do PT a prefeito, deputado Nelson Pelegrino, o que se tornava mais grave ante uma modesta aceitação da candidatura pelo eleitorado. Um conjunto de duas pesquisas eleitorais – uma realizada para consumo interno dos que a encomendaram e dos que, na área governista estadual, receberam os resultados de presente e outra encomendada pela TV Bahia como parte da política de divulgação de pesquisas da Rede Globo – não deixavam margem a dúvidas. E ainda não houve tempo para a situação mudar.

A última das duas pesquisas mencionadas conferiu 40 por cento das intenções de voto ao deputado ACM Neto, candidato a prefeito da coligação de cinco partidos liderada pelo Democratas, 13 por cento para o candidato da coligação de 14 partidos liderada pelo PT, deputado Nelson Pelegrino e oito por cento para o radialista e ex-prefeito Mário Kertész, candidato da coligação liderada pelo PMDB e completada pelo PSC.

Da outra pesquisa, pouco anterior, feita para uso reservado, não se pode avançar muito, devido às restrições, ao meu ver exageradas ou talvez simplesmente ilegítimas, mas legais. Quase tudo que sobre ela podia ser dito foi dito e o que se pode acrescentar é que seu resultado, no tocante ao líder das intenções de voto, é superior, mas o mais próximo possível, do apresentado pela pesquisa divulgada pela TV Bahia. Pelegrino coloca-se, na pesquisa pública, abaixo, mas só um pouco – o que não significa que não seja significativo – do que obteve na pesquisa reservada. Kertész, da pesquisa reservada para a pública, teve em desfavor um número maior de pontos percentuais.

Mas, voltando à campanha de Pelegrino e à situação de sua candidatura, uma terceira pesquisa, não eleitoral, mas de opinião dos eleitores a respeito dos governos estadual e de Salvador e do governador e do prefeito da capital (encomendada pelo Correio da Bahia à empresa Futura) mostrou um descontentamento geral do eleitorado. Tanto na área municipal, onde foi até pior, quanto na área estadual, onde foi muito ruim. Essa avaliação relacionada com a área estadual vem dificultando uma escalada da candidatura do petista Pelegrino junto ao eleitorado.

Tal avaliação é circunstancial, já deixou muito a desejar até a metade do primeiro mandato de governador de Jaques Wagner, depois Wagner deu a volta por cima e reelegeu-se no primeiro turno com facilidade. Agora a avaliação está ruim outra vez, mas ele cumpriu até aqui apenas um ano e sete meses do segundo mandato (uma interpretação pessimista consideraria que ele cumpriu cinco anos e sete meses do total de oito anos). Wagner tem instrumentos objetivos para uma virada até 2014. Claro que o fenômeno que Nelson Rodrigues chamava de “Sobrenatural de Almeida” pode manifestar-se: repercussões do Mensalão na imagem do PT no país (isso pode também atingir Pelegrino, que também não teve a ver com o caso, mas é do partido), os resultados das eleições deste ano e sobretudo os reflexos internos, caso se aprofundem, da crise financeira e econômica internacional.

Lutando no mundo materialista, concreto, o PT acaba de fazer uma espécie de intervenção alegremente consentida na campanha de Pelegrino – para tirá-la do casulo em que se metera – formando um conselho político que traz a bancada baiana no Senado como elemento chave. Walter Pinheiro, como reformador do núcleo de campanha e coordenador geral executivo. Lídice da Mata, expressiva força auxiliar. E João Durval como a cereja do bolo, honroso enfeite, que empresta o nome, a figura e a simpatia, mas de quem não se espera que vá suar a camisa – e se sabe que não irá comer o bolo.


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“Doces Olheiras”, de João Bosco e Aldir Blanc. Da trilha sonora original da novela Gabriela.

BOA NOITE!!!

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