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DEU NA FOLHA DE S. PAULO

MARTÍN FERNANDEZ

ENVIADO ESPECIAL A LONDRES


Londres 2012 – Neymar, 20, não tem medo de nada: de perder a medalha de ouro, dos críticos, das vaias, da crise do Santos, da ameaça de Messi na Copa do Mundo de 2014, no Brasil.

Decisivo para levar a seleção à disputa da medalha de ouro, que será no sábado(11), contra o México, o jovem astro tenta espalhar seu destemor entre os demais atletas olímpicos brasileiros.

“Sei como é difícil ganhar uma medalha”, disse Neymar à Folha. “Cabe ao atleta ter cabeça, saber que esse pessoal que critica não quer o seu bem e seguir em frente.”

Na entrevista a seguir, o atacante fala sobre ansiedade pela decisão, estádios ingleses, espírito olímpico. E reclama de saudade do filho.

Folha – Conseguiu dormir depois da semifinal?

Não dormi bem. Dormi muito tarde por causa da tensão do jogo, da alegria toda. Se falar que não estou ansioso, estaria mentindo. Por mim, tinha que ser amanhã [hoje] a final.

Chegar à disputa do ouro foi tão fácil quanto pareceu?

Depois que se chega à final todo mundo fala que é fácil. Mas não foi. Uruguai e Espanha, favoritos, foram eliminados.

Não deu vontade de ficar hospedado na Vila Olímpica?

Deu, deu muita vontade. Mas a gente sabe do nosso compromisso, e aí tem que ficar fora. Mas a Vila Olímpica é uma coisa fantástica, a gente vê atleta de tudo que é modalidade, de tudo que é país.

Tem peso para você o fato de a medalha de ouro no futebol ser inédita para o Brasil?

A gente sabe o que está perto de conseguir, de marcar nosso nome na história do futebol brasileiro. Estamos mais perto do que nunca, 90 minutinhos para conseguir a consagração.

Você tem medo de perder?

Não. Um treinador uma vez falou disso, que o medo de perder tira a vontade de ganhar. Foi o [Vanderlei] Luxemburgo quem falou isso. Isso eu levo para a vida: se ficar com medo, você não faz nada na partida. A gente [seleção] não tem medo, está muito confiante.

Conseguiram ver outros esportes da Olimpíada?

A gente tenta assistir, mas nossos horários não permitem, por causa dos treinos. Mas a gente fica sabendo das medalhas, dá parabéns.

O que você parou para ver?

Atletismo e natação.

Ficou chateado com algum resultado nesses esportes?

Não, não, porque todos vêm aqui para dar seu máximo e, às vezes, acaba dando errado e não conseguem a medalha. Mas sei o quanto é difícil para nós conseguir uma medalha. Tem que levantar a cabeça e pensar na próxima.

Publicamente você reage bem às críticas, da torcida, do Mano, de técnicos rivais. Não tem nada que o incomode?

Não. Poucas coisas me incomodam. Eu não me deixo levar por crítica. Nem por elogio. Recebo os dois da mesma forma, a crítica para ver onde errei e seguir em frente. Algumas críticas, não estou falando para mim, mas para outros atletas, são maldosas, tem muita gente que mistura as coisas e fala besteira.

Você acha que um dia vai cansar de tanto assédio?

Acho que não, cansar não.

Acha que pode ser mais recluso um dia, se expor menos?
Estou acostumado com isso. Se parar, vou sentir falta.

O que esta Olimpíada significa para a Copa de 2014?

Para 2014 não sei, falta muita coisa para acontecer ainda. Mas agora significa muito. Agora é o momento mais importante para a gente.

A Copa de 2014 só anima ou assusta um pouco?

Ah, depende. Tem jogador que gosta de pressão (risos).

Você?

Nos momentos de pressão, estou me dando bem, em finais, jogos importantes, vou bem, não vejo problema.

Uma revista inglesa publicou que você tem obrigação de ser melhor que Messi em 2014. Você acha muito peso?

Não. Acho que Deus não dá uma cruz mais pesada do que você pode carregar. Deus sabe o que faz nas nossas vidas. Não só na minha, na dos meus companheiros também.

(Leia entrevista de Neymar na íntegra na Folha de S. Paulo)

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