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OPINIÃO POLÍTICA

Lula entra na campanha

Ivan de Carvalho

Graças a Deus e à excelente medicina praticada no Hospital Sírio Libanês – tão diferente da praticada no Sistema Único de Saúde – o ex-presidente Lula está liberado por seus médicos, após os últimos exames ali realizados, para “fazer o que quiser”, segundo anunciou o médico pessoal Roberto Kalil.
E, no momento, fazer o que quiser significa principalmente, para Lula, fazer a campanha eleitoral, especialmente a do candidato do PT e seu a prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, o segundo poste que ele oferece à avaliação do eleitorado. O primeiro, como se sabe, foi assimilado pelos eleitores brasileiros em 2010 – a atual presidente da República, Dilma Rousseff.

Claro que a campanha eleitoral para as eleições de outubro próximo não se restringe a São Paulo. Há outras cidades paulistas importantes nas quais o PT tem grande interesse e algumas capitais estaduais de grande relevância para o projeto petista de permanência no poder. Belo Horizonte, Salvador, Recife integram esse grupo de capitais e nelas o PT está apostando alto, além de enfrentar, até o momento, forte desvantagem.

O ex-presidente da República – agora que está liberado para “fazer o que quiser, sem recomendações, apenas com bom senso”, como disse o médico – poderá certamente dar-se ao incômodo de vir a Salvador pedir pessoalmente votos para o candidato petista a prefeito, deputado Nelson Pelegrino, que de acordo com pesquisas eleitorais conhecidas tem motivos para estar muito aflito.

Se não estiver aflito – mesmo com toda a estrutura partidária e material que sustenta sua candidatura –, será talvez por ser um grande otimista, um discípulo de Pangloss, rivalizando com o saudoso reitor da UFBa, Albérico Fraga, de quem Otávio Mangabeira disse que era tão otimista que se passasse e visse uma casa pegando fogo, diria: “Ó, mas que casa bem iluminada!”

Bem, afinal novamente preparado para a guerra das gravações e, mais exigente, a guerra dos palanques, seria pessimismo demais imaginar que Lula não virá a Salvador para uma entrevista, uma reunião e um discurso – talvez em praça pública –, tudo encaixado na campanha de Pelegrino. Imagino ainda que, a depender das circunstâncias político-eleitorais, ele poderá vir duas vezes.

No momento, importante é que venha logo por primeira ou até por única vez, pois é agora que a campanha do candidato petista e mais 14 partidos aliados precisa de um empurrão, melhor, de uma catapulta para pegar embalo.

As coisas já estavam difíceis para a decolagem no fim da semana passada começou o julgamento do Mensalão, aparentemente tende a funcionar – é preciso esperar para conferir se será assim mesmo – como se pendurassem algumas toneladas de pedras na nave petista na hora da decolagem.

Mas, se foi o próprio PT que escavou a pedreira, paciência, ele que carregue as pedras.

A partir de ontem, apesar do simples fato de se estar falando em Mensalão o tempo todo – no boca a boca, nas emissoras, jornais, revistas, redes sociais da internet – ser um forte inconveniente para o PT e aliados, em todo o país, haverá por uns dias um redução do peso das pedras. É que os advogados de defesa é que estarão com a palavra e como são muitos os réus e cada um deles será defendido durante uma hora por seu advogado, isso vai durar toda a semana e até poderá invadir a próxima.

Mas depois vem o julgamento. E aí, sabe Deus o que vai acontecer.

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