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Postado em 05-08-2012
Arquivado em (Artigos) por vitor em 05-08-2012 14:43

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ARTIGO

Salve Jorge!

Lídice da Mata

Nessa segunda-feira, 6 de agosto, o Congresso Nacional irá realizar uma sessão solene em homenagem ao centenário desse amado baiano e inesquecível escritor brasileiro por requerimento de minha autoria. Nascido em 10 de agosto de 1912, em Itabuna, conheceu a dura sobrevivência dos trabalhadores rurais do cacau, a arrogância dos coronéis e a violência dos jagunços na constante disputa pelas terras e pelo domínio político. Aos quinze anos, já um jovem adulto, conhecera, no Pelourinho, uma nova realidade urbana que irá povoar seus romances – a vida dos pais e mães de santo, dos estivadores do porto, dos vendedores de peixe da rampa do Mercado Modelo, das crianças abandonadas nas ruas, das prostitutas.

E foi esse território, a Bahia, que ajudou a construir no imaginário nacional e internacional. E foi essa gente, tão marginalizada e oprimida, a quem Jorge Amado deu vez e voz em sua obra, com seus mais de 500 personagens, em seus 21 romances, espalhados pelo mundo e traduzidos em 48 línguas em mais de 52 países.

Como ele mesmo disse certa vez: “A Bahia é meu tema, meu território físico e moral. Sei dela de um saber sem dúvidas, vivido e não observado do lado de fora. Estou do lado de dentro.”

E foi esse saber dividido tão generosamente, com tamanha força e originalidade, que conquistou um lugar único na literatura mundial, dando protagonismo aos afrodescendentes brasileiros. Definia-se assim: “Em verdade sou um obá – em língua iorubá da Bahia obá significa ministro, velho, sábio: sábio da sabedoria do povo.”

Em outro seis de agosto, em 2001, esse guerreiro com seus cabelos já todos brancos, deu seu último suspiro em sua casa no Rio Vermelho, ao lado de sua amada Zélia Gattai, com quem dividiu seus sonhos e toda uma vida. Casa essa, na Rua Alagoinhas 33, que urge que as nossas autoridades federal, estadual e municipal mobilizem-se para preservá-la, transformando-a em um lugar de memória para as futuras gerações sobre esse grande homem a quem a Bahia tanto deve. Nesses cem anos de seu nascimento queremos saudá-lo:

– Salve Jorge, tão amado por todos os baianos!

Lidice da Mata (lidice@lidice.com.br), ex-prefeita de Salvador, é senadora pelo PSB

(Artigo publicado originalmente no Jornal A Tarde, 04/08/2012 )

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Comentários

vangelis on 5 agosto, 2012 at 16:47 #

Num bom baianês: Sai daí! Tão amado(?) e tão maltratado pelos políticos. O jornalista Levi Vasconcelos publicou em A Tarde, hoje, um trecho da carta da atriz Sonia Braga rejeitando um convite do Senado com fina ironia:
“Convidada para ir ao Senado amanhã assistir sessão especial em homenagem ao centenário de Jorge Amado, a atriz Sônia Braga, a primeira Gabriela, mandou carta à senadora Lídice da Mata na qual diz que na condição de filha adotiva de Jorge e Zélia não vê sentido.
Um trecho: A casa onde viveu Jorge Amado e Zélia Gattai, apesar de todos esforços dos filhos, está abandonada por falta de recursos. Sendo assim, uma solenidade no Congresso, sem uma definição para a situação da Rua Alagoinhas 33, para mim não faz o menor sentido…”


rosane santana on 5 agosto, 2012 at 17:11 #

Espalhou-se feito vírus no facebook, a mensagem de Sônia.


Olivia on 5 agosto, 2012 at 18:00 #

A família Amado deixa muito a desejar quanto à memória de Jorge, aliás, vem de de$fazendo de suas obras.


vangelis on 5 agosto, 2012 at 22:33 #

Olívia,
Eu sei que esse seu post trata-se de speech para essa senhora que levou a raspada de Sonia Braga, se a família se desfaz de bens é devido às dificuldades para mantê-los, esses políticos nada fizeram para manter esse patrimônio na Bahia. Veja o exemplo do Marcio Meireles, tão criticado pela classe, quando secretário de cultura negou-se a ajudar na manutenção do acervo dos Amados alegando que não poderia transferir dinheiro público para bem privado. Atitude medíocre ou não? Assim age a classe política com a cultura no patropi, a exemplo do próprio Ministério da Cultura que é uma vergonha nacional. Não se pode exigir da família a manutenção de um patrimônio cultural quando esse interesse é público. Essa senhora, que levou a raspada de Sonia Braga, por falta de projetos, parece que quer viver à sombra de homenagens. O Bahia Em Pauta, em 23/08/2011, publicou a homenagem a Glauber que foi proposta por essa senhora, na passagem de 30 anos da morte do cineasta. Pois é mais de trinta anos o acervo de Glauber esteve esquecido pelos (Ir) responsáveis públicos. Graças à extrema dedicação, com todas as dificuldades financeiras, de Dona Lucia em mantê-los é que esse acervo está no Rio de Janeiro. Não deveria estar na Bahia? Quem sabe a casa nº 33 da Rua Alagoinhas um dia vai parar em São Paulo!


Olivia on 6 agosto, 2012 at 9:17 #

Essa senhora tem nome e sobrenome: Lidice da Mata. Uma mulher digna e de muita coragem. Perseguida por quem dizia que amava a Bahia e nada fez para melhorar a vida de seu povo, só blá, blá, blá.


Olivia on 6 agosto, 2012 at 10:30 #

Quer saber dona ‘Vangelis”, essa Senhora, primeira Senadora da Bahia, Lidice da Mata, em breve, muito breve, vai governar a Bahia. Se quiser pular fora, tá na hora de arrumar as malas.


vangelis on 6 agosto, 2012 at 16:25 #

Mais 2 post de marketing speech produzidos, que podem ser remunerados ou gratuitos…


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