DEU NO BLOG DA FEIRA

O candidato Tarcízio Pimenta (foto), que disputa a reeleição pelo PDT, é o mais rico entre os postulantes à Prefeitura de Feira de Santana, segundo dados disponíveis no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Pimenta declarou possuir R$ 1.671.664,11 em bens.

Em segundo lugar entre os mais abastados, aparece o deputado estadual Zé Neto (PT), que disputa a eleição para prefeito de Feira pela terceira vez. Os bens apontados pelo petista somam R$ 1.239.467,51.

O ex-prefeito José Ronaldo de Carvalho (DEM), que governou o município por oito anos seguidos, garantiu ter “apenas” R$ 1.045.677,73 em bens, sendo o terceiro na hierarquia dos prefeituráveis mais bem aquinhoados.

Fora do rol dos “milionários”, surge o candidato pelo Partido Pátria Livre (PPL), Adelmo Menezes, cujo nome consta na relação apresentada no site do TSE, a despeito da informação divulgada por vários setores da imprensa local de que a candidatura dele não havia sido registrada. Menezes declarou R$ 142 mil em bens.

O professor Jonathas Monteiro, candidato do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) não declarou nenhum bem.

Elsimar Pondé
elsimarponde@blogdafeira.com.br

jul
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Depois de Gardel, nenhum na Argentina como o “polaco” Goyeneche. E como neste sábado bateu uma saudade imensa de Corrientes, Junin e Esmeralda, nada melhor que um tango na voz incomparável de Polaco para começar o dia musical no Bahia em Pauta.

BOM SÁBADO PARA TODOS

(Vitor Hugo Soares)

jul
21
Posted on 21-07-2012
Filed Under (Artigos) by vitor on 21-07-2012

ARTIGO

Eu não sou cachorro, não

Janio Ferreira Soares

Se vivo fosse, o grande Waldick Soriano estaria fora do contexto. Como se não bastasse à extinção das apaixonadas cartas de amor escritas por machões com os olhos rasos d’água e o coração cheio de mágoa, também seria muito complicado para o nosso bregueiro maior pegar o microfone de uma boate cheirando a gardênia e a continental sem filtro e mandar o seu grande sucesso, aquele mesmo em que ele dizia que não era cachorro para ser tão humilhado. É que atualmente os cães estão sendo tratados com tantos salamaleques e pedidos de desculpas públicas, que só não estão dando autógrafo porque ninguém teve a brilhante ideia de tatuar um au-au em suas patas para que elas sejam carimbadas ao lado das assinaturas de Thiaguinho e Michel Teló – embora isso seja tão somente uma questão de certas adequações ao novo estilo totó de ser star.

Aproveitando a onda, Angeli, o genial cartunista da Folha de São Paulo – e, a exemplo de Waldick, também um outsider que prefere virar um conhaque no balcão de um pé sujo numa cinzenta tarde paulistana a dar um selinho em Hebe Camargo numa vernissage do Itaú Cultural –, fez mais uma daquelas charges que valem por um editorial inteiro.

Nela, vários senadores engravatados e com focinhos de cães (alguns babando), olham para um colega abandonado no meio do plenário e disparam: “adeus, cachorro sarnento!”. E o mais bacana é que, para fugir do óbvio, nenhuma das excelências caninas retratadas possui o bigode de Sarney, nem o olhar de agosto de Collor, tampouco o semblante pequinês de Renan. Mas basta uma acurada na visão para sabê-los ali, implícitos, igualmente com seus ossos e segredos enterrados sob as tetas da infinita madre, a comemorar a ruína de um colega que até há pouco latia sob a proteção da coleira da impunidade e agora vive zanzando feito um vira-lata pelos becos cantando Eu Não Sou Cachorro, Não – acompanhado por cinco pulgas amestradas que fazem o backing vocal. Seu sonho, dizem, é ser atropelado por um BMW conversível de um pagodeiro e depois ser adotado por ele.

Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura, Turismo e Esportes de Paulo Afonso, do lado baiano do Rio São Francisco

jul
21
Posted on 21-07-2012
Filed Under (Artigos) by vitor on 21-07-2012


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Humberto, hoje, no Jornal do Comércio (PE)


Quino e Mafalda:quimica perfeita entre criador e criatura
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ARTIGO DA SEMANA

A irônica presença de Mafalda

Vitor Hugo Soares

“O tempo passa, o tempo voa…”. Assim cantava antiga peça musical marqueteira, para vender à incautos e metidos a sabidos, as maravilhas de uma caderneta de poupança de instituição financeira privada que se esfumaçou. Sumiu no meio de um desses apagões que de vez em quando atingem economia e governo no Brasil (no resto do mundo também), em geral, depois de mais ou menos largo período de oba-oba e cegueira.

Podem ficar sossegados: este é um texto de vivência e opinião, mas não pretendo, nas próximas linhas, dar uma de analista econômico ou falar sobre os atuais labirintos e contradições que cercam a CPI do Cachoeira, o julgamento dos acusados do Mensalão, ou dos espúrios acordos e estranhas transações com vistas às eleições municipais, este ano, principalmente nas capitais – de Salvador a São Paulo, de Recife a Belo Horizonte.

Na verdade, o “gancho jornalístico” e o ponto de partida deste artigo semanal nem estão no Brasil, da petista Dilma Rousseff, mas na Argentina, da peronista Cristina Kirchner. Para ser mais exato, dirijo as vistas e a memória para a província de Mendoza – terra de assados deliciosos e vinhos melhores ainda -, onde o notável cartunista Joaquim Lavado “Quino” festejou 80 anos na terça-feira, 17, cercado de admiração e honras merecidas ao talento que deu Mafalda ao seu país e ao mundo. Um dos personagens mais incríveis, irônicos e instigantes dos quadrinhos em todos os tempos.

Na América Latina e no mundo, diga-se a bem da verdade.

Tiro o boné, bato palmas e canto parabéns para Quino, em meu recanto na Bahia, enquanto revivo com emoção e encantamento os meus primeiros e surpreendentes encontros com Mafalda, nas ruas e quiosques de Buenos Aires, no começo dos anos 70. Ainda agora, quando seu criador faz 80 e ela própria passou dos 40, me surpreendo, me emociono sempre e fico cada dia mais intrigado com a atualidade desta incrível e indomável garota, e das paixões que ela desperta desde que surgiu nas margens do Rio da Prata.

“Na vida real, eu nasci em 15 de março de 1962”, disse Mafalda em uma carta de apresentação. Quino, pai da menina, prefere o registro que celebra o aniversário da garota em 29 de setembro de 1964, dia em que ela apareceu, pela primeira vez, nas páginas de Primeira Plana como personagem de HQ.

Tendo esta data como parâmetro, o meu primeiro encontro com Mafalda só aconteceu quando a impossível menina de classe média festejava 10 anos e já se transformara em paixão dos argentinos de todas as classes, embora ainda praticamente desconhecida no “Brasil do milagre econômico”, envolto nas brumas da censura e empulhações da ditadura que fez o país virar as costas para o que acontecia no resto do continente.

Então, jovem repórter do Jornal do Brasil, na sucursal de Salvador, caminhava curioso pela Avenida Corrientes, em Buenos Aires. Foi quando avistei pendurada no quiosque de periódicos, a revista com o desenho da garota de rosto enfezado, olhar maroto, e língua afiada. Uma paixão que nasceu à primeira folheada, como confessei em artigo e conversas na Bahia, ao voltar da viagem.

Das camisetas com desenhos da personagem mais universal de Quino, que comprei na capital portenha, a mais bonita dei de presente à Margarida ( também jornalista e na época minha namorada) o que lhe valeu o apelido de “Mafalda”, na redação do jornal A Tarde, onde ela trabalhava na época.

Os editores das tiras de quadrinhos argentinas tiveram uma brilhante idéia, que contribuiu em muito para alargar a presença de Mafalda no mundo meio fechado dos chamados “intelectuais descolados”, em geral “de esquerda”, que precisavam se esconder para ler os HQs de Disney e outros criadores. Publicaram a saga completa da garota portenha em edição bonita e luxuosa, “que qualquer adulto pode exibir sem sentir vergonha”, como assinalou um escritor e jornalista argentino ao escrever sobre a criação de Quino.

E isso permite ter sempre em mãos – e agora diante dos olhos, com a internet – a presença de Mafalda e comprovar sua incontestável contemporaneidade. Aí vão, para terminar, algumas perguntas e frases tão incômodas quanto antológicas da garota, para comprovar a força da sua presença:

– “Não é certo que todo tempo passado foi melhor. O que acontecia era que os que estavam pior ainda não haviam se dado conta”
– “Por onde há que se empurrar este país para levá-lo adiante”?
– “O drama de ser presidente é que se alguém se põe a resolver os problemas de estado, não lhe resta tempo para governar”
– “Não será, por acaso, que esta vida moderna está tendo mais de moderna que de vida?
– “Parem o mundo, eu quero descer.”

Fantástica Mafalda! Parabéns e longa vida, Quino!

Vitor Hugo Soares é jornalista. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br


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(Vídeo garimpado e sugerido por Gilson Nogueira)

Parabéns e votos de vida longa para Quino, genial cartunista argentino, criador de Mafalda.

Viva o humor, força capaz de redimir o mundo.

BOM SÁBADO PARA TODOS!!

(Vitor Hugo Soares)


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OPINIÃO POLÍTICA

A desocupação da Assembléia

Ivan de Carvalho

Ao deixarem ontem a Assembléia Legislativa, onde ocupavam uma área do prédio principal há mais de três meses, os professores estaduais em greve há 102 dias perderam um símbolo do movimento, mas não deram qualquer sinal claro de arrefecimento da greve por causa disso. A decisão de desocupar foi difícil. Primeiro, a assembléia geral, pela manhã, deliberou pela continuidade da ocupação e “resistência pacífica” à ação policial. À tarde, tomou-se a decisão de desocupar sem esperar por eventual ação policial. A desocupação ocorreu às 17:30 horas.

Os sinais de enfraquecimento continuaram sendo os mesmos que já existiam antes da desocupação – uma certa fadiga que tende a ocorrer em toda greve muito prolongada e sem perspectiva de obter o resultado desejado e divergências internas no movimento. Quando a assembléia geral de ontem se preparava para votar a continuidade da greve, uma dirigente da APLB propôs discutir e por em votação o fim do movimento. Tomou uma vaia e fechou o bico. Mas deixou exposta uma divergência.

Os professores decidiram continuar a greve e, em Salvador, fazer na segunda-feira uma assembléia no Colégio Central. Se a greve persistir, eles terão que consolidar esse local ou arranjar algum outro para fazer suas assembleias. Vale assinalar que o Colégio Central, ainda que se deva levar em conta ser um estabelecimento de ensino, é uma propriedade do Estado, controlada pelo Poder Executivo, que, se quiser, interdita o prédio (já que não estão sendo realizadas atividades de ensino ali). Problema será interditá-lo se os grevistas já estiveram dentro.

A desocupação do Saguão Nestor Duarte, contíguo ao plenário e onde estavam circunscritos os grevistas, ocorreu da maneira ideal para o presidente da Assembléia, Marcelo Nilo, posto em circunstâncias políticas que o levaram a determinar à Procuradoria Jurídica da Casa o ajuizamento de uma ação de reintegração de posse. Ele afirma que a idéia foi dele mesmo, mas ninguém acredita, como já assinalado antes neste espaço, pois é evidente que, do ponto de vista político, o grande interessado direto era o Poder Executivo.

A desocupação, com apenas 03:30 horas de atraso em relação ao prazo acordado judicialmente entre a Assembléia e a APLB e determinado pelo juiz Ruy Eduardo Almeida Britto, da 6ª Vara da Fazenda Pública, ocorreu sem presença de oficial de justiça e força policial.

O comando da greve e os grevistas simplesmente chegaram à conclusão de que deviam acatar a decisão judicial. Os professores saíram cantando Coração de Estudante e reafirmando a continuidade da greve. Muitas professoras chorando, a emoção à flor da pele.

O único incidente ocorreu quando os grevistas vaiaram intensamente uma equipe de reportagem (duas pessoas) de programas da TV Record, levando-os a se retirarem. Não houve agressão física. Outros repórteres que estiveram no local foram recebidos e puderam fazer normalmente seu trabalho.

Talvez caiba registrar a aparição de um grupo de cerca de 40 estudantes que foi à Assembléia pedir aos professores para encerrarem a greve. Não consegui saber quem o levou.

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