O juiz e o kíder dos professores na ALBA
Foto:Correio da Bahia
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OPINIÃO POLÍTICA

Um dia decisivo

Ivan de Carvalho

Há uma forte expectativa e tensão sobre o que ocorrerá hoje, ante a decisão do juiz da 6ª Vara da Fazenda Pública, Rui Eduardo de Almeida Brito, provocado por ação de reintegração de posse com pedido de medida liminar ajuizada pela Assembléia Legislativa contra a ocupação de uma área do Palácio Luís Eduardo Magalhães.

A direção da APLB foi indevidamente surpreendida por uma visita do juiz, às 16 horas de ontem, ao Saguão Nestor Duarte, onde estão acampados e praticamente confinados os professores. Embora o juiz houvesse marcado essa inspeção para as 10 horas de sexta-feira, após a qual tomaria uma decisão, ele atendeu a um pedido do chefe da Procuradoria Jurídica da Assembléia Legislativa, Graciliano Bonfim, para antecipar a inspeção para ontem. Bonfim alegou fato novo – uma assembléia geral dos professores em greve, marcada também para as 10 horas de hoje, no estacionamento do Legislativo. O número grande de professores reunidos em assembléia poderia causar transtornos à inspeção.

A surpresa da APLB com a antecipação foi indevida porque, embora não haja sido diretamente avisada, a direção da entidade estaria sabendo se, por exemplo, houvesse atentado à informação divulgada neste espaço, de que o juiz determinara uma inspeção no local, a ser feita ontem. Estava implícita a antecipação de hoje para ontem.

Como não esperava nada para ontem, o presidente da APLB, Rui Oliveira, apanhado de surpresa, como, aliás, alegou, não estava acompanhado de advogado. Após fazer a inspeção e verificar que realmente houve a turbação de posse alegada pelo Legislativo, o juiz buscou um acordo para a retirada dos professores, considerando que a desocupação por ação policial poderia atingir a incolumidade de pessoas.

Numa sala da Assistência Militar, o juiz reuniu-se com o presidente da Assembléia Legislativa, Marcelo Nilo, o presidente da APLB e o chefe da Procuradoria Jurídica. Os quatro acabaram chegando a um acordo, que assinaram. O presidente da APLB propôs a terça-feira como prazo final para a retirada, então o juiz propôs a segunda-feira e Marcelo Nilo discordou disso e sugeriu até o meio dia de hoje. O juiz mandou por no documento 14 horas de hoje, a partir de quando a Justiça assumirá a responsabilidade pela desocupação com auxílio da polícia, com as cautelas possíveis.

Tendo em vista as características desse movimento grevista, que já completou cem dias, está radicalizado e cuja repercussão é enorme, dificilmente o presidente da APLB assinaria o acordo de desocupação se estivesse acompanhado de advogado e com uma assembléia geral dos grevistas em andamento no local. Ele agora está numa situação política delicada. Há muito de imprevisível sobre o que acontecerá na assembléia geral dos grevistas, pela manhã, e a partir das 14 horas de hoje.

Telefonema – O presidente estadual do PMDB, deputado Lúcio Vieira Lima, esclarece que seu telefonema ao presidente da Assembléia, Marcelo Nilo, não implica em restrição à greve dos professores estaduais. Seu partido não concorda com a atual iniciativa de desocupação da Assembléia por via judicial. Defende o diálogo e entende que “não há pressa” na desocupação, até porque a área ocupada é pequena e o Legislativo está em recesso. O telefonema, afirma, foi para dizer a Marcelo Nilo que o PMDB não mistura desocupação da Assembléia com a eleição para a presidência da Assembléia em fevereiro próximo (Nilo é candidato à reeleição). E acrescenta que ninguém, em nome da oposição, pode fazer essa vinculação. “Se o DEM quiser fazer, por algum motivo próprio, que faça em nome do DEM, mas não da oposição, pois o PMDB, que a integra, não concorda”.

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Comentários

rosane santana on 20 julho, 2012 at 10:12 #

O engraçado de toda essa história é que Jaques Wagner, a exemplo do que aconteceu com a greve dos Policiais Militares, age como se o assunto não fosse com ele. De repente, o governador vai apelar para a presidente Dilma Rousseff e, quem sabe, pegar uma carona para um vôo internacional, para refrescar o juízo. Afinal, já foi reeleito, não tem cacife, como se esperava, para se candidatar à presidência e, para deputado federal, os votos petistas são suficientes. E assim La nave va. Viva la dolce vita do sindicalista que jamais imaginou chegar ao governo da Bahia. Concordo com Danilo, é o pior governador baiano dos últimos 70 anos. Fraquinho, fraquinho! E o secretariado, hein, à sua altura. Cadê a Comunicação? Deu curto circuito nas ligações do engenheiro elétrico Robson Almeida.


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