Nilo poupa Wgner em jogo de risco com professores
=================================

OPINIÃO POLÍTICA

Desocupação da Assembléia

Ivan de Carvalho

Há uma forte expectativa e indisfarçável tensão política enquanto se aguarda uma decisão na ação de reintegração de posse ajuizada pela Procuradoria Jurídica da Assembléia Legislativa, cujo chefe, procurador Graciliano Bonfim, recebeu para isto recomendação do presidente da Casa, Marcelo Nilo. A ação, com pedido de medida liminar, tem como alvo os professores estaduais que, sob o comando da APLB-Sindicato, ocupam uma área do principal prédio do complexo de edifícios do Poder Legislativo.

Já abordei o assunto aqui, mas cabem novas observações. O juiz da Fazenda Pública estadual responsável pelo processo parece bem consciente não só dos aspectos jurídicos, mas também da densidade política do caso, bem como da possibilidade de consequências políticas e até materiais de sua decisão. Assim, parece agir com redobrada cautela, o que explica o fato de ainda não haver concedido nem negado a liminar e de haver, até surpreendendo as partes, determinado uma inspeção no local, a ser realizada hoje.

O juiz estuda o terreno. O grau de radicalização a que chegou o movimento conduzido pela APLB cria a hipótese de trabalho de ocorrência, no momento da retirada forçada sob força policial (quando lhes foi dado pela Assembléia, prazo de 15 horas, já vencido, os grevistas avisaram que não vão sair) de incidentes e cenas que podem fazer a delícia de fotógrafos e cinegrafistas.

Marcelo Nilo pode dizer à exaustão que é o dono solitário da iniciativa de forçar a retirada mediante ordem judicial – mas ninguém acredita. Seria colocar um problema alheio no próprio colo. A convicção generalizada é de que toda a ação atende a um pedido do Executivo, que seria irrecusável, tendo em vista a sintonia fina que o presidente da Assembléia faz questão de ter com o governador.

A análise política geral que se faz é de que a greve do magistério estadual está causando um enorme estrago para o conceito do governo junto à opinião pública, no interior e na capital. A greve da Polícia Militar e a insuficiência de estrutura para enfrentar a seca foram também causas específicas de tal desgaste, junto com as dificuldades orçamentárias que o Estado da Bahia atravessa. Mas em Salvador o desgaste é sabidamente mais difícil de reverter e, segundo divulgou ontem o Blog do Noblat, a “desaprovação” do governo estadual em Salvador é de 58 por cento, segundo pesquisa encomendada pelo prefeito João Henrique, do PP.

Há um outro problema nessa história. Ao decidir agir para eliminar o foco grevista representado pela “ocupação da Assembléia”, o presidente Marcelo Nilo está tentando, com grande desgaste para si mesmo, resolver um problema para Executivo. Isto só faz aumentar seu crédito junto ao governo, que já era grande por causa de fatos anteriores.

Além disso, segundo tem declarado, Marcelo Nilo é candidato a governador “se tiver o apoio do governador Jaques Wagner” e há uma chance real de que participe, em alguma posição, da chapa majoritária (governador, vice e um senador) situacionista em 2014. Mas isto depende de obter seu quarto mandato consecutivo de presidente. E um de seus trunfos para isso é o apoio da oposição, que se arrisca agora até a perder, visto que a oposicão têm apoiado os professores em greve e se manifestou rigidamente contrária à desocupação forçada da Assembléia.

Enquanto isso, os deputados governistas evaporaram. Os únicos apoios recebidos vieram em e-mail do deputado estadual Mário Negromonte Jr. e em telefonema do deputado federal Lúcio Vieira Lima, que não é governista.

Be Sociable, Share!
Deixe um comentário
Name:
Email:
Website:
Comments:

  • Arquivos