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Janio na Abraji: emoção de um grande
construtor de jornais…
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A Tarde, 81 demitidos: má gestão
devasta um jornal centenário
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Claudio Leal

Direto de São Paulo para o Bahia em Pauta

Homenageado no Congresso da Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), em São Paulo, no dia 13 de julho, o jornalista Janio de Freitas, 80 anos, fez um discurso repleto de ensinamentos de quem liderou a reforma de grandes periódicos brasileiros, nas últimas seis décadas, a exemplo do “Correio da Manhã” e do “Jornal do Brasil”.

“Os jornais morrem por tacões militares e policiais ou se suicidam”, afirmou Janio, que identifica uma desorientação empresarial após o surgimento da internet, nos anos 90.

“A internet procura imitar os jornais e os jornais estão tentando imitar a internet”, criticou o colunista político da “Folha de S.Paulo”. Dessa forma, os dois não evoluem sua linguagem, ambos se atravancam.

Janio de Freitas defendeu o investimento no jornalismo impresso, que resistiu ao impacto inicial da televisão, e lamenta o “suicídio” de alguns jornais, ultimamente dedicados em buscar sobrevida apenas na adaptação à internet, sem atentar para as questões centrais (e ainda válidas) de sua própria linguagem. “A internet até agora mostrou que faz um jornalismo veloz.

Mas é o jornal que permite ao leitor escolher quanto tempo, onde e o tamanho das reportagens que ele deseja ler”, ensinou Janio.

Suas palavras podem funcionar como uma compreensão arguta da crise dos grandes jornais brasileiros, que vivem temporadas contínuas de demissões em massa. E umas das maiores delas se verifica esta semana na Bahia, no centenário “A Tarde”.

Quase cem demitidos, certamente para celebrar as velas de aniversário, e uma empresa sem perspectiva de renascimento, a não ser no jornalismo, o velho jornalismo esquecido por levas de consultores e gestores de armazéns de secos e molhados.

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Comentários

Marcia Santana on 16 julho, 2012 at 19:45 #

Parabéns Claudio. Certamente a raiz do jornalismo está em informar, não só de forma rápida,mas sobretudo fazer o leitor experimentar, absorver e elaborar sua opinião sobre os mais diversos assuntos. E com toda a informatização é ainda muito bom ler um texto bem escrito como este, logo cedo pela manhã acompanhado de um bom cafezinho.


Cida Torneros on 17 julho, 2012 at 9:56 #

comovida… pessoal e profissionalmente…bjs


elizabete on 17 julho, 2012 at 9:58 #

conheci o jornal na minha terra Serrinha e logo tomei gosto pela leitura, mas que pena que a modernidade e gestão com visão monetarista tenha acabado com o jornal que nos trouxe noticias, artigos comentários, que nos fazia refletir e aprender sobre as coisas e o mundo sobre a realidade brasileira que pena que um problema administrativo de gestão possa deixar tantas familias desempregadas e tantas pessoas sem noticias , sem leitura e coincida também com a greve na educação. sinto muito pelos pais de familia desempregados e por perder o hábito de sempre ler o jornal. ESPERO que haja mudança e que possam ser readmitidos os profissionais e o gosto pela leitura….


Maria de Lourdes Siqueira on 17 julho, 2012 at 16:56 #

Muito agradecida, Cláudio Leal, por nos proporcionar uma boa leitura. Tenho sentido a falta diária dos seus artigos. Você e Vitor Hugo são excelentes articulistas. Nem precisa ter bola de cristal para prever que maus gestores afundam qualquer empresa. uM GRANDE ABRAÇO.


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