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Postado em 16-07-2012
Arquivado em (Charges) por vitor em 16-07-2012 08:30


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OPINIÃO POLÍTICA

Não enrola, presidente

Ivan de Carvalho

Quando, durante alguns anos do governo petista de Lula – sustentado pelos ajustes na economia e finanças feitos sob a presidência de Fernando Henrique Cardoso e mantidos, mas principalmente pelo cenário econômico mundial – o Produto Interno Bruto brasileiro apresentou índices significativos de crescimento, não apareceu ninguém do governo para dizer que “uma grande nação não deve ser medida pelo PIB”.

Agora, alguns pequenos desajustes produzidos no governo Lula – como uma certa gastança em pessoal desnecessário e em obras, algumas desnecessárias, outras não, que atrasam e não são concluídas no tempo e pelo preço previsto (costumes nacionais) – começaram a pesar excessivamente no orçamento da União e na economia nacional. Uma política de crédito fácil, farto e caro está cobrando seu preço agora, com inadimplência, que produz retração do consumo, antes estimulado em excesso.

Mas o peso maior, faça-se justiça, é representado pela crise financeira e econômica internacional, que, aliás, mostra não estar o país tão preparado como diziam para esse tipo de coisa. Podemos destacar três elementos que se juntam para dar a dimensão que a crise adquiriu, impedindo que no Brasil ela seja mais uma vez declarada pelo governo uma simples “marolinha”, como o presidente Lula apelidou – com demasiado e estudado otimismo – os reflexos, nos seus dois últimos anos de governo (2009 e 2010), da crise que explodiu nos Estados Unidos em 2008.

Dilma enfrenta agora problema muito mais grave. Registre-se, no entanto, que por causa das eleições de 2010, principalmente a sua, para a presidência da República, o último ano de governo de Lula foi marcado por uma frouxidão dos controles orçamentários que veio causar problemas no governo atual, inclusive no que diz respeito à inflação, cujos índices oficiais alguns analistas consideram “maquiados”.

Bem, voltando ao problema enfrentado por Dilma. A economia americana se recupera da crise com uma lentidão bem maior que a esperada. E, por assim dizer, detonou a crise financeira e econômica na chamada Zona do Euro, na Europa, onde Irlanda, Grécia, Portugal, Espanha e já agora também a Itália foram ou são os focos de crise mais aguda. No entanto, é uma crise que ameaça toda a Zona do Euro e irradia seus reflexos para áreas da Europa que não adotaram o euro.

Prossegue o circuito com a inclusão da China, economia exportadora por excelência, que está em crise, com queda acentuada do PIB (embora continuando, para os padrões ocidentais atuais, bastante alto, acima dos 7 por cento. Mas era de mais de 10 por cento quando começou a cair. Ora, se a China exporta menos, importa menos – inclusive do Brasil. Tendem também a reduzir seu crescimento a Índia e a Rússia.

O PIB brasileiro para 2012 já está sendo previsto para 2,1 por cento pelo mercado (o governo põe alguns décimos a mais, 2,7 a 2,5 por cento). Como todo mundo sabe, PIB é a soma das riquezas que um país produz. E como ele está assim tão mixuruca, vem a presidente e diz, aproveitando-se do Dia da Criança e do Adolescente: “Uma grande nação deve ser medida por aquilo que faz para suas crianças e seus adolescentes. Não é o Produto Interno Bruto. É a capacidade do país, do governo e da sociedade de proteger o seu presente, o seu futuro, que são suas crianças e seus adolescentes”.

Bem, com um PIB fraco em relação ao número de pessoas, essa capacidade do país de proteger suas crianças e adolescentes também é reduzida. No sistema de saúde, nas cracolândias, nas casas estatais de reeducação para menores infratores, na falta de creches públicas, na merenda escolar não efetiva, no ensino público de má qualidade, na desastrosa assistência à saúde.

Menos, presidente. Não enrola.

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Comentários

ISA on 16 julho, 2012 at 10:02 #

Esta retórica está desgastada. Nunca antes da história deste país se presenciou tantos argumentos falaciosos. Onde está o projeto de nação para investir em questões estruturarais demandadas como saúde, educação, segurança? Trabalhar com o superficial, como copa… O esporte tem importância mas engajado num projeto de ducação e cultura.
Ainda bem que vcs existem para sinalizar a diferença entre discurso e realidade.


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