jul
15


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DEU NO ESTADO DE S. PAULO

TIAGO DÉCIMO

ALAGOINHAS / BAHIA

Um dito popular em Alagoinhas, cidade 128 quilômetros ao norte de Salvador, prega que quem prova a água do local não vai mais embora. Demorou, mas empresas produtoras de bebidas começaram a perceber que a apresentação não é apenas uma demonstração do caráter acolhedor dos habitantes do município.

A água da cidade, proveniente do Aquífero de São Sebastião, tem qualidades capazes não só de encantar visitantes, mas também de atrair investimentos e aumentar produção e lucros das indústrias. O próprio nome Alagoinhas, cunhado no século 17, antes da criação da freguesia que deu origem ao município (emancipado em 1853), faz referência à água abundante no então ponto de encontro e descanso de viajantes que seguiam do litoral para o semiárido baiano. Além dos rios e lagos da área, a água brotava em grande quantidade do chão, quando escavado.

Apenas, agora, mais de 150 anos após a criação do município, a maior vocação natural da cidade começa a ser explorada.

“Temos uma das melhores águas do mundo, facilidades logísticas e um mercado nordestino em crescimento e com potencial para crescer mais”, orgulha-se o prefeito de Alagoinhas, Paulo Cézar Simões (PDT). “As empresas de bebidas começaram a perceber as vantagens de investir aqui.”

O pontapé inicial foi dado pela Schincariol, hoje controlada pela japonesa Kirin Holdings, que há 15 anos instalou uma fábrica no município, às margens da BR-101, depois de pesquisas em diversas áreas do País. “O Aquífero de São Sebastião, rico em quantidade e qualidade, foi um dos principais motivos pelos quais a Schincariol foi instalada no local”, diz o especialista em Recursos Hídricos da Schincariol, Hamilton Luiz Guido.

A empresa reinou sozinha na região – o que a ajudou a chegar à liderança do mercado nordestino de cervejas – até agora. No dia 3 de julho, a população da pacata cidade comemorou a notícia de que o Grupo Petrópolis, dono das marcas Itaipava e Crystal e maior rival da Schin na disputa pela vice-liderança do mercado brasileiro de cervejas (dominado pela Ambev), assinou o protocolo de intenções para a instalação de mais uma cervejaria e um centro de distribuição no município. A empresa espera que o investimento de R$ 1,1 bilhão permita iniciar a produção de 600 milhões de litros em maio do ano que vem, absorvendo 3 mil colaboradores. Para os moradores da cidade, a notícia foi motivo de festa.

“Queremos 16% do mercado nordestino em cinco anos”, diz o diretor de Mercado da empresa, Douglas Costa. Hoje, a participação de mercado da Petrópolis na região não passa de 0,5%. A chegada do Grupo Petrópolis a Alagoinhas promete deflagrar uma guerra de cervejarias, mas outras empresas do ramo de bebidas não alcoólicas também querem aproveitar a água de Alagoinhas. O município foi o escolhido pela peruana Industrias San Miguel (ISM), líder na venda de refrigerantes em seu país, para fazer sua estreia no Brasil.

Riqueza

A cidade virou polo regional após dois grandes ciclos de desenvolvimento, ambos relacionados à posição geográfica. O primeiro teve como catalisador a criação, entre o meio e o fim do século 19, de duas linhas ferroviárias ligando Salvador a outras regiões do Nordeste, que confluíam em Alagoinhas. Uma delas é controlada, hoje, pela Ferrovia Centro-Atlântica (FCA), da Vale.

O outro teve início em meados do século 20 e foi resultado do cruzamento, no município, de duas importantes rodovias federais, a BR-101 – que atravessa o País no sentido Norte-Sul, pelo litoral – e a BR-110, que liga a região metropolitana de Salvador ao litoral do Rio Grande do Norte, atravessando o interior nordestino. Seguiram-se movimentos menores, como o do petróleo, após a descoberta, na década de 1960, de pequenos poços na região, e o da agricultura de frutas cítricas, que fez a cidade ganhar a alcunha “terra da laranja” na Bahia.

A fábrica da Petrópolis está praticamente pronta, nas proximidades da rival Schincariol, após investimentos iniciais de R$ 50 milhões, e começa a fazer os primeiros testes de produção. A unidade terá capacidade de produção de 4 milhões de litros de refrigerantes, energéticos e água mineral por ano.

Pureza

“A qualidade e o volume da água foram os fatores mais determinantes para a empresa escolher o município”, diz o diretor Comercial da peruana ISM, Francisco Galdos. “A água da região apresenta uma correta proporção de sais e alta pureza, que praticamente eliminam a necessidade de tratamentos adicionais”, conta. “Além disso, a região não tem outras indústrias que possam potencialmente comprometer a qualidade dos poços.”

Segundo estudos feitos pelo grupo ISM, os principais índices de impureza da água medidos no ponto onde a planta está instalada, os de alcalinidade e dureza, foram muito menores em Alagoinhas do que nas outras indústrias da empresa, localizadas no Peru e na República Dominicana. Com menos impurezas, os investimentos necessários para tratar a água são menores. O volume disponível para uso, 1,04 milhão de litros por dia, também é maior que o das outras plantas.

(LEIA REPORTAGEM NA ÍNTEGRA NO eSTADÃO)
http://www.estadao.com.br/noticias


Uauá:cenáriom do desastre

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O professor Nelson de Souza Paletó, da Universidade de Pernambuco (UPE) é um dos mortos do acidente de ontem, sábado(14), quando um avião de pequeno porte caiu no município baiano de Uauá, região do Polígono das Secas, a 416 km de Salvador, matando duas pessoas.

De acordo com o guarda municipal Everaldo Gonçalves, as vítimas foram o professor de inglês da Universidade de Pernambuco (UPE), Nelson de Souza Paletó, que pilotava a aeronave, e Fernando Faccnetti de Oliveira, tenente da Polícia Militar que morava em Juazeiro.

Segundo a Polícia Militar local, o combustível do avião acabou e a filha de Nelson foi levar de carro e retornou para Juazeiro em seguida. Assim que decolaram, o avião caiu.

Uma equipe do Departamento de Polícia Técnica (DPT) de Senhor do Bonfim esteve no local fazendo perícia. As causas da queda do avião só devem ser conhecidas após o trabalho dos peritos.

(Com informações do jornal A Tarde e site Bahia TodoDia)


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A NEOJIBÁ, Orquestra Juvenil da Bahia, toca um obra prima musical de George Gershwin, Rhapsody in Blue, no fechamento do concerto European – Southeastern Brazilian Tour. Sob a condução do maestro Ricardo Castro, o concerto foi apresentado em julho de 2010, no Claudio Santoro Hall, em Campos do Jordão (São Paulo), durante o Festival Internacional de Inverno na cidade, onde foi gravado o vídeo do YOU TUBE, que o BP dedida aos seus ouvintes neste domingo (155).

BOA TARDEA TODOS!!!

(Vitor Hugo Soares)


Abaeté:”joia natural desbastada”

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DEU EM O GLOBO E A TARDE, EDIÇÃO IMPRESSA DESTE DOMINGO(15)

Dívida

Caetano Veloso

Não gosto que se pense que Odoricos e milicos venceram

Vim a uma Bahia chuvosa só para cantar num evento fechado, esse tipo de compromisso que ajuda a pagar as contas de quem não crê mais em viver de direitos autorais. Mas nem a chuva desbotou o encanto da cidade nem o evento deixou de oferecer alegrias. Sob nuvens escuras, as dunas da parte norte do litoral parecem paisagens de neve. A areia aqui é mesmo branc como a neve, coisa curiosa que não vejo nem em Natal nem no Ceará nem em Cabo Frio, onde também há dunas.

Acho curioso sobretudo porque a areia das praias de Salvador é morena. Kátia Mattoso deve ter dito, naquele livro tão bonito sobre a geografia da região da Baía de Todos os Santos, algo que explique a razão dessa brancura. Mas não lembro. O vento levantará só os grãos alvos da mistura que dá o moreno das praias baianas, carregando-os para as encostas? Não sei. Só tenho pena de que, apesar da canção extraordinária de Caymmi, não se tenha impedido que a construção civil desbastasse essa joia natural. E a turma de ACM tenha feito a obra mais criminosamente feia na Lagoa do Abaeté.

Mesmo assim, o que resta dessas dunas é belíssimo — e ainda dá para a gente tomar vergonha na cara e preservar. Nesses dias de inverno, elas me apareceram deslumbrantes. E no evento havia a orquestra Neojibá.

Você pode procurar no YouTube. No mínimo a encontrará tocando “Tico-tico no fubá” em algum palco europeu. Dá orgulho. Gente jovem da Bahia, com cara de gente da Bahia, tocando com afinação e firmeza.

A passagem de Koellreutter, Eros Martim Gonçalves, João Augusto Azevedo, Yanka Rudzka e Lina Bo Bardi pela Salvador entre os últimos anos 1950 e os primeiros 1960 não foi em vão, já sabemos: o cinema de Glauber (para não dizer o Cinema Novo como um todo) e o Tropicalismo são fenômenos que têm débito direto com o que essas pessoas fizeram aqui. Lina não era da equipe do reitor Edgard Santos, a cuja visão quase sobrenaturalmente inspirada devemos a vinda de todos os outros citados, mas terminou colaborando com Martim Gonçalves nas montagens da “Ópera de três tostões”, de Brecht, e do “Calígula” de Camus, no vão incendiadodo Castro Alves. Quando a revista “Cahiers du Cinéma” entrevistou um Glauber incensado por seus críticos, ele atribuiu a força estética de seus filmes à visão da peça de Brecht na versão baiana. E eu tenho repetido quão impactante foi o ambiente cultural soteropolitano dessa época para Bethânia e para mim. Há o livro de Antonio Risério sobre a vanguarda na Bahia dos anos 1950 até 1964, quando veio o golpe militar e, concluindo um trabalho contra Lina feito por Odorico Tavares, desativou o Museu de Arte Moderna (que ficava no foyer do Castro Alves queimado) e inaugurou uma exposição de “material subversivo”.

Mas não gosto que se pense que Odoricos e milicos venceram. Lina (que intitulou um artigo sobre seu período baiano, com amarga ironia, “Cinco anos entre os brancos”) disse que não voltaria à cidade. Mas voltou e fez a sede do Olodum, a reforma da Misericórdia e a Casa do Benin. Comove-me pensar que ela tenha entrado em sintonia com a explosão de cultura popular (tão importantemente negra) que, a partir dos anos 1970, deu vazão à energia artística da cidade. Ela atendeu a convite de Roberto Pinho, então colaborando com Mário Kertész, que era prefeito (o que não quer dizer que ele deva voltar a ser). Esse laço direto entre ela e o novo carnaval baiano é, para mim, simbólico. Diz explicitamente da energia histórica (expressão que me agrada muito, que aprendi com Roberto Schwarz e que Reinaldo Azevedo tentou em vão desqualificar) de Salvador. Essa energia está também no quanto teatro se fez nesses anos desprotegidos: no Bando de Teatro Olodum, nas comédias de grande popularidade, nas carreiras brilhantes de Wagner Moura, Lázaro Ramos e Wladimir Brichta, para citar só os mais óbvios. E está na orquestra Rumpilezz, na Sambone e nessa Neojibá (sinfônica) com cujo conjunto de metais tive a honra e a alegria de tocar na quinta-feira.

Escrevo isso tudo ainda na Bahia, em cantinhos do aeroporto. Paro para continuar no avião. Volto ao Rio para ver o “Recanto” de Gal em sua estreia carioca numa sala de espetáculos grande. Ao chegar ao portão de embarque, quem encontro? Laís Salgado, a ex-dançarina da Escola de Dança da Universidade da Bahia a quem devo meu encontro com Gal. Ela estava embarcando um dos filhos bonitos que tem com o dançarino americano Clyde Morgan. Fiquei tão emocionado que nem pude comentar com ela toda essa sincronicidade. Eu saindo da Bahia, escrevendo sobre esssas coisas, indo ver Gal no Rio, lendo Tom Zé na “Bravo” (volto ao “lixo lógico” domingo próximo), e encontrar a pessoa que me disse que eu devia ouvir uma menina chamada Gracinha, Gal, vizinha de uma aluna da escola de dança chamada Dedé.

Tom Zé deve diretamente a Koellreutter: estudou nos Seminários Livres de Música da UFBA. Mas eu dizer aqui que “Tropa de elite” deve muito a Eros Martim Gonçalves não deve parecer absurdo a ninguém, embora Padilha nem precise saber quem foi Eros.

Comecei a ler um livro que desde as primeiras páginas me impressiona: chama-se “Debt” (“dívida”, em inglês), de David Graeber, um antropólogo anarquista americano. É um livro que faz pensar. A começar pelo sentido da palavra “dívida”. Trouxe-o para ler em Salvador. E não pensei que fosse pensar na dívida inquantificável. Pode ser que domingo eu, para manter a confusão, misture o lixo lógico com Graeber.

jul
15
Posted on 15-07-2012
Filed Under (Charges) by vitor on 15-07-2012


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Zope, hoje, no potal A Charge Online

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