OPINIÃO POLÍTICA

O discurso de cada um

Ivan de Carvalho

Dos três principais candidatos à prefeitura de Salvador, dois têm seus discursos de campanha praticamente estabelecidos – o radialista Mário Kertész, da coligação liderada pelo PMDB e complementada pelo PSC e o deputado ACM Neto, sustentado por uma coligação mais ampla, liderada pelo Democratas.

O principal elemento do discurso de Kertész será sua experiência de político e administrador, único entre os três candidatos principais que tem experiência executiva, inclusive como secretário do Planejamento do Estado da Bahia – quando a Secretaria do Planejamento teve forte componente executivo e foi responsável pelo plano, projeto e implantação do Centro Administrativo da Bahia.

Mas Kertész deverá usar, principalmente, sua experiência passada como prefeito de Salvador por duas vezes na formulação de um discurso que lhe permita convencer o eleitor que está plenamente capacitado a encontrar as soluções possíveis para melhorar a cidade e resolver alguns de seus problemas, atenuando outros.

Como sabe que a campanha da coligação liderada pelo PT vai bater muito na tecla de que é importante ter um prefeito politicamente vinculado ao governo do Estado e ao governo federal, Kertész vai fazer, neste particular, quase exatamente o que fará o candidato democrata ACM Neto – sustentar que o que vale para conseguir colaboração e recursos do Estado e principalmente da União é ter bons projetos e levá-los aos lugares certos.

Kertész terá ainda, nesse aspecto, a possibilidade de uma alegação da qual não dispõe ACM Neto – se for eleito, ele terá vinculação, sim, com o governo federal, pois seu partido, o PMDB, é o principal aliado do governo chefiado pela presidente petista Dilma Rousseff. Mesmo que esta e o ex-presidente Lula venham a aparecer nos programas de propaganda eleitoral na televisão declarando sua preferência pela candidatura petista de Nelson Pelegrino, a preferência do eleitor não precisa coincidir com a da presidente e do ex-presidente para que a vinculação política com o governo federal exista.

Nesta questão, ACM Neto se diferenciará de Kertész, pois o candidato democrata representa a oposição tanto ao governo estadual quanto ao federal. Ele terá de sustentar que bons projetos e conhecer os caminhos pelos quais se chega aos recursos para executá-los são suficientes, enquanto, sem envolver-se em elogios, preserva de críticas importantes o atual prefeito. Também fará, como é evidente, um apelo ao novo – já que Mário Kertész obviamente não está à vontade para fazê-lo, não pela idade, mas por já ter sido prefeito duas vezes, enquanto Pelegrino também não, pois é a quarta vez que concorre à prefeitura de Salvador, isso sem contar a prévia de 2008, que perdeu para Walter Pinheiro.

Kertész não poupará a administração municipal e com isso estará atirando automaticamente também contra o PT, que dela participou durante quase todo o primeiro mandato do prefeito João Henrique, inclusive comandando, entre outros, o setor de saúde, que nessa época apresentou gravíssimos problemas – além da habitual questão do mau desempenho, regra do SUS em todo o país e de modo especial no Nordeste e Norte.

Pelegrino será quem encontrará mais dificuldade para formular um discurso atraente e isso é grave para quem tem 13 minutos de propaganda gratuita na mídia eletrônica em cada bloco. Além do antediluviano argumento da afinidade com os governos estadual e federal, já usado até o cansaço pelo extinto carlismo, que mais incluirá no seu discurso? Não parece haver interesse nem condições para ataque frontal à atual administração municipal.

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