Pelegrino: com o PC do B mas sem JH

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OPINIÃO POLÍTICA

A candidatura do PT

Ivan de Carvalho

Depois de intensos esforços, redobrados nos últimos dias, o PT, com a indispensável ajuda do governador Jaques Wagner, conseguiu, em relação a alianças partidárias, quase tudo o que queria para organizar sua tentativa de conquistar a prefeitura de Salvador nas eleições deste ano. Montou uma coligação formada por 15 partidos – PT, PC do B, PSD, PSC, PR, PSB, PTB, PP, PDT, PRP, PSDC, PT do B, PTC, PMN, PPL. Não vou me dar ao trabalho de decifrar nem explicitar o exato significado de algumas dessas siglas, mesmo porque isso não interessa mesmo.

Quase tudo não é tudo. Pelo menos três coisas importantes o PT não conseguiu para reforçar a candidatura do perseverante deputado Nelson Pelegrino, que pela quarta vez representa seu partido em tentativas para chegar à prefeitura da capital. Se houvesse ganho as prévias internas do PT para Walter Pinheiro em 2008 seria a quinta vez. Vamos reconhecer e fazer justiça – é muita estrada.

Mas o governo e o PT não conseguiram para a candidatura de Pelegrino, além de várias coisas de modesta relevância, assegurar a integração da administração do prefeito João Henrique na campanha eleitoral. Isso foi buscado com especial empenho por intermédio do PP, partido que o prefeito integra e que, em troca, indicaria o candidato a vice na chapa de Pelegrino. Mas, depois de tudo muito bem arrumado pelos outros, o prefeito fez o que já chamei de uma “estonteante manobra” que desarrumou as coisas. Pelegrino vai fazer campanha com o apoio do PP e o prefeito vai cuidar do último semestre de sua administração de oito anos.

Outra coisa relevante que o PT não conseguiu para Pelegrino foi o apoio do PTN, cujo presidente estadual é o deputado João Carlos Bacelar, secretário municipal de Educação e que vem fazendo um excelente trabalho desde que assumiu a pasta. O PTN é um pequeno partido, mas em Salvador tem densidade eleitoral. E, liberado Bacelar por João Henrique, decidiu seu partido apoiar o candidato a prefeito com o qual tem não recente afinidade, o democrata ACM Neto.

Uma terceira coisa também não pôde ser satisfatoriamente obtida. Desde que o ex-senador César Borges foi nomeado para a vice-presidência de Governo do Banco do Brasil, ficou evidente que o PR, que ele preside na Bahia, ingressaria na coligação, caso o governador e o PT quisessem. Quiseram e, de repente, dando grande importância a isso, talvez pela detecção de um crescimento da candidatura peemedebista de Mário Kertész, criando a hipótese “intolerável” de um segundo turno com este e ACM Neto, excluído o candidato do PT.

Como se sabia que iria, o PR foi. Levou seu tempo de propaganda eleitoral “gratuita” no rádio e televisão, que se agrega ao da coligação encabeçada pelo PT. Não levou parte de sua bancada de deputados estaduais e, na bancada federal, o deputado com liderança eleitoral expressiva em Salvador, Maurício Trindade, que era pré-candidato do PR a prefeito, resolveu apoiar ACM Neto. Isso extrapolou as expectativas e o candidato democrata deve estar rindo para as paredes.

Mas certamente foi relevante para o PT e seu candidato a decisão – ainda que previsível – do PDT de apoiá-los, ao invés do lançamento de candidato próprio e foi importante a decisão do PC do B de imolar no altar petista a candidatura por meses e meses tão afirmada da deputada Alice Portugal. Também com a comunista Olívia Santana tornando-se vice na chapa de Pelegrino, isso resolveu um problema para este candidato. E o lugar de vice nas três principais chapas (ACM Neto, Mário Kertész e Nelson Pelegrino) coube a pessoas negras – nos casos de ACM Neto e Pelegrino, mulheres.

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