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Centro Niemeyer: pauta sortida e vibrante

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CENTRO NIEMEYER, DA POLÊMICA AO SUCESSO

Luis Guilherme Pontes Tavares*
(Especial para Bahia em Pauta)

A agenda do Centro Niemeyer em Avilês, no extremo norte da Espanha, está sortida. A polêmica que se estabeleceu no final de 2011 entre o governo de Astúrias e a administração do Centro pelo visto está superada. No dia 30 de junho, o auditório para cerca de mil pessoas estará ocupado durante seis horas pelo Festival de Salsa & Latin Jazz 2012. Desde a inauguração, na primavera do ano polêmico de 2011, o Centro exibiu inúmeras exposições e espetáculos. Por lá passaram, dentre outros, o guitarrista espanhol Paco de Lucia, o cantor e compositor Gilberto Gil e o cineasta e clarinetista Wood Allen.

Em outubro de 2011, meses após a inauguração, o Centro Niemeyer, também denominado de Centro Cultural Internacional de Avilês, foi ameaçado de interdição. O governo de Astúrias exigiu o controle sob a nova instituição. Na época, próximo de completar 104 anos, o arquiteto brasileiro Oscar Niemeyer, autor do projeto, manifestou-se em carta aberta de que destacamos este pequeno trecho:

Tenho esperanças de que a decisão quanto a seu fechamento ou interrupção provisória de suas atividades seja revertida, prontamente esquecida. Irei lamentar (não importa se de longe, a acompanhar o desdobrar de uma crise, que é a do capitalismo global decadente) se aquele Centro Cultural encerrar as suas atividades, mesmo que seja por um lapso de tempo.

O Centro Niemeyer é a única obra do arquiteto brasileiro na Espanha. Na apresentação do site www.cciaviles.com sobre o Centro consta que o ele o considera “sua melhor obra na Europa e um dos projetos que mais o agrada”. Custou cerca de 44 milhões de Euros e a construção. O conjunto criado por Niemeyer em 2006, num gesto de gratidão pelo Prêmio Príncipe de Astúrias das Artes que recebera em 1989, localiza-se próximo da foz de rios que em Avilês desembocam no Mar Cantábrico, numa ampla área entre o porto e a zona industrial da cidade.

O conjunto inclui o auditório; a cúpula, que cobre área de quatro mil metros quadrados destinado a exposições, área encimada por imenso lustre criado por Niemeyer; a torre de 20 metros de altura, que é mirante e restaurante; o edifício polivalente, de que fazem parte o café, a recepção, a sala de projeção, a loja e a galeria infantil; e a praça de multiuso com 22 mil metros quadrados. Niemeyer adotou no auditório do Centro de Avilês o mesmo que concebera para o teatro do Parque do Ibirapuera, em São Paulo, que é a boca de cena adicional que se abre para a praça e assim amplia o público que assiste o espetáculo.

Acabo de dar conhecimento ao grande brasileiro Oscar Niemeyer que viajei em 05 de junho, data do aniversário de minha filha Gabriela, para Avilês tão-somente para conhecer a nova obra dele. Desde de Madri, passando por Bilbao, são cerca de 700 quilômetros. Fiquei muito pouco tempo por lá mas saí satisfeito e emocionado com um marco da inteligência brasileira edificado pelo valente povo espanhol. Fiz fotografias e comovi-me há pouco quando tomei conhecimento que os doceiros de Avilês acabam de inventar os “niemeyitas”, doce inspirado nas cúpulas de Niemeyer, a que se agregam os mais variados recheios.

Viva Niemeyer! Viva o Brasil! Viva a Espanha!


* Jornalista e produtor editorial. É diretor de Cultura da ABI (gestão 2011-2012).Acaba de retornar de viagem à Espanha.

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Comentários

Cida Torneros on 29 junho, 2012 at 14:00 #

adorei o artigo! parabéns!


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