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OPINIÃO POLÍTICA
O sonho e a realidade

Ivan de Carvalho

1. A direção estadual do PC do B decidiu, ontem, manter a candidatura da deputada federal Alice Portugal à prefeitura de Salvador, deixando de atender, pelo menos por enquanto, aos vigorosos e insistentes apelos do governador e do PT. Mas não foi uma coisa definitiva – uma porta foi deixada aberta para uma possível revisão da decisão, a partir de reunião do diretório municipal, que estaria mais próximo dos problemas da capital.

Em verdade, o que há com o PC do B é que a pressão pela desistência da candidatura própria em favor do apoio ao candidato do PT, deputado Nelson Pelegrino, é muito forte. Os comunistas integram a base do governo estadual petista, no qual têm cargos, incluindo a Secretaria Especial da Copa.

O segmento do partido que participa diretamente do governo tem tendência, digamos, “natural”, para atender o apelo visando à unidade da base em torno de Pelegrino.

Outra corrente do PC do B, incluindo a quase totalidade da militância, quer a candidatura própria de Alice Portugal, que vem deixando clara sua vontade de levar a candidatura a prefeita até às urnas. Esta é, aliás, a orientação fixada pela direção nacional do PC do B para estas eleições, a ser aplicada onde for possível. O partido tem considerável expressão político-eleitoral em Salvador. O resultado dessa divergência interna – ainda que camuflada – logo será conhecido.

2. Outra questão é a posição tomada pelo PSB, cuja liderança de maior expressão na Bahia é a senadora Lídice da Mata, que conduz o partido na Bahia em conjunto com o secretário estadual de Turismo, ex-deputado Domingos Leonelli.

O PSB já descartou a candidatura de Lídice à prefeitura, porque a senadora mesma resolveu pelo apoio do PSB ao petista Pelegrino, em nome da unidade da “base” do governo Wagner, do enfrentamento do que PSB, PT e governo chamam de “direita” e em gratidão pelo esforço de Wagner para assegurar a eleição da senadora em 2010, quando o PT tendia a concentrar seus esforços na eleição apenas de Walter Pinheiro, deixando a Lídice a tarefa difícil de vencer quase que só por conta própria o senador César Borges, candidato à reeleição.

Bem, o interessante é que surgiu na mídia uma curiosa hipótese, um raciocínio atribuído ao PSB ou a parte dos socialistas, pelo menos. Lídice foi apoiada por Wagner e consequentemente pelo PT em 2010, apoia Pelegrino este ano, pagando a “dívida” e em 2014 realiza o sonho – um sonho que ela sempre teve – de disputar o governo do Estado com o apoio do PT.

“Sonho meu, sonho meu”. Mas não do PT. Para realizar o sonho da senadora e ex-prefeita, o PT teria de desvencilhar-se das aspirações do senador Walter Pinheiro, do secretário Sérgio Gabrielli, do prefeito Luiz Caetano e do secretário-chefe da Casa Civil, deputado Rui Costa, para não falar de aspirantes não petistas como o presidente da Assembléia Legislativa, Marcelo Nilo.

Mais grave: o poder no Estado da Bahia é importante para o projeto de poder e consolidação da hegemonia do PT em âmbito nacional. O PSB não tem motivos para imaginar que o PT tenha vocação para Fernando Lugo. Especialmente quando o PSD, presidido e comandado pelo governador Eduardo Campos, de Pernambuco, apresenta, no campo da chamada “esquerda”, crescimento rápido, que no momento o coloca como aliado-concorrente do PT, com possibilidade de tornar-se apenas rival em futuro não distante.

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