MK:”Eu sei o que fiz e sei, também,
os erros que cometi”

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DEU EM A TARDE

PATRÍCIA FRANÇA (repórter da editoria de Política)

Prefeito de Salvador duas vezes – entre 1979 e 1981, ao ser nomeado pelo então governador Antonio Carlos Magalhães, e em 1986, desta vez eleito pelo PMDB –, Mário Kertész diz que volta à política partidária, após 20 anos, porque tem um projeto consistente para a cidade. Admite que o PMDB sairá só na eleição e critica as alianças baseadas não na identidade ideológica ou de propostas, mas no tempo que os partidos têm na TV. Kertész transmite seu último programa de rádio na noite desta quinta-feira, antes da convenção do PMDB que homologará na sexta sua candidatura, e entra firme na campanha.

A TARDE – O senhor chegou a dizer que se as oposições não se unissem caminhariam para a derrota. Mesmo assim, resolveu sair candidato. O senhor mudou de opinião ou é estratégia do PMDB para manter sua força em Salvador?

Mário Kertész – Eu mudei de opinião, sim. Estávamos querendo fazer um projeto político e não um projeto eleitoral. O projeto político significa a gente ter uma visão estratégica da política da Bahia, que passa, necessariamente, pela eleição de 2012. Então, as oposições unidas iriam para esse embate com muito mais chance de vitória. E, consequentemente, com muito mais chance de vitória em 2014. Como não foi possível construir essa unidade, em função de interesses privados de outros candidatos (ACM Neto), o que me interessa, agora, é discutir a cidade. Não sou candidato à reeleição, não serei candidato a governador, a prefeito, a senador, a presidente da República. Eu encerrei minha carreira política há 20 anos e não quero reabrir. Mas eu estou com uma proposta para a cidade do Salvador, que está em uma situação de calamidade.

AT – O PMDB deve seguir sozinho. O senhor acha que tem alguma chance de chegar ao segundo turno?

MK – Não tenho a menor dúvida disso e vou lutar para isso. Não vai ser uma coisa fácil. Aqui na Bahia há uma tendência de se fazer polarização entre Bahia e Vitória (comparação figurada para falar de DEM e PT) como nenhum outro, mas há poucos anos o Colo-Colo de Ilhéus ganhou o campeonato baiano (nas últimas eleições na capital, DEM e PT foram derrotados por João Henrique, que se elegeu pelo PDT e se reelegeu pelo PMDB).

AT – O que dificultou a atração de outros partidos para o projeto do PMDB?

MK – Inicialmente nós estávamos muito bem com o PSDB e estávamos bem com o DEM, porque ACM Neto, várias vezes, disse que seria candidato a governador. Ele não queria ser candidato a prefeito. Na hora que ele mudou, e que a decisão passou a ser uma decisão nacional, eles atropelaram um candidato forte, que era Antônio Imbassahy (deputado federal e ex-prefeito), por conta do apoio do DEM a José Serra em São Paulo. Foi daí que acabou a história (aliança das oposições). Agora, veja o seguinte: os apoios hoje têm sido buscados não em função de identidade de projeto ou identidade ideológica. É assim: quanto tempo você tem de televisão? Você viu que Maluf estava lá com Lula (apertando a mão), Lula assim, meio hã-hã. Todo mundo criticando muito, uma situação dificílima por causa de um minuto e 35 segundos de televisão.

AT – O fato de a candidatura de Neto ter sido imposta pelas executivas nacionais, dividindo o PDSB aqui, pode dificultar a candidatura do democrata?

MK – Não sei dizer, mas o PSDB vai dividido, eu não tenho a menor dúvida. Acho muito difícil conseguir um PSDB unido, mesmo porque a principal liderança do PSDB em Salvador é Antônio Imbassahy, e ele não dá mostras, nenhuma, de que irá apoiar Neto.

AT – O senhor tem conversado com Imbassahy? Acha que vai contar com o seu apoio?

MK – Ele não definiu o apoio a ninguém. Mas tenho conversado bastante com ele.

AT – Os demais candidatos sinalizam que não pretendem fazer críticas ao governo João Henrique e que preferem apresentar um projeto alternativo para a cidade. O senhor seguirá nessa linha?

MK – Acho que a discussão sobre projeto é a coisa mais importante. Agora, impossível é não fazer críticas a uma administração que, em oito anos, levou a cidade ao caos. Mas o mais importante é o projeto. Eu tenho um projeto para a cidade e pretendo apresentar. Mas eu vou criticar, sim, sem dúvida. É impossível não fazer crítica a João Henrique, passar batido. Tem candidato que está querendo o apoio dele; eu não quero. Se ele me oferecesse, chegasse e dissesse ‘eu vim lhe apoiar’, eu diria ‘não, não, não, passe…. vá por outra rua, vá bater em outro terreiro’.

AT – Para chegar ao segundo turno, o senhor terá de confrontar ACM Neto e Pelegrino, os dois candidatos que mais pontuam nas pesquisas. Qual será sua estratégia?

MK – Apresentar proposta para a cidade. O confronto comigo vai ser assim. Eu acho, inclusive, até pela intimidade que existe entre os principais candidatos, e Alice Portugal (PCdoB) também, já que todos nós nos conhecemos, nos damos bem, que cada um de nós vai apresentar proposta para a cidade. A discussão tem que ser em torno de Salvador, para a população dizer: vou votar naquele porque acredito que a proposta é a melhor.

AT – Como João Henrique, que terá o seu governo avaliado, o senhor, que também foi gestor da cidade, está preparado para ser vidraça?

MK – Tranquilamente. Não tenho nenhuma dificuldade em lidar com isso. Eu estou muito acostumado, fui vidraça muitos anos. Eu sei o que eu fiz e sei, também, os erros que eu cometi.

Leia entrevista completa de Mario Kertész na edição
impressa do jornal A Tarde desta segunda-feira(25)

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