OPINIÃO POLÍTICA

Desfile vira problema

Ivan de Carvalho

Enquanto o prefeito João Henrique, de paradeiro incerto e não sabido, desenvolve “compromissos oficiais” na Espanha ou nada com os golfinhos no Atlântico (provável, ele pratica natação) ou ainda, na Disneylândia, olha ironicamente o Pateta, como quem diz “pensaram que eu era você, mas você não sou eu e sim eles”, uma espécie de pesadelo vai se impondo em algumas áreas, ante a aproximação do desfile cívico do 2 de Julho.

A ausência de um prefeito no 2 de Julho, partindo garboso do Largo da Lapinha, era inimaginável. Hoje é considerada quase uma certeza, embora possa ainda sofrer uma reviravolta. É que não foi anunciada a data do retorno de João Henrique a Salvador, mas apenas que a viagem iria durar “menos de 30 dias”. Então, ele está à vontade para prosseguir no mundo encantado de Walt Disney além do 2 de Julho ou apresentar-se no desfile para os aplausos ou vaias da galera.

Mas, se chegar de fininho e aparecer de surpresa na Lapinha quando a cidade ainda o julgava no exterior, isto pode até funcionar como uma excelente jogada de impacto. Se ele, sem que seja esperado, aparece, ali, sob sol ou chuva, cumprindo o “dever cívico”, solidário com Joana Angélica, Maria Quitéria, o general Labatut, os caboclos e os outros heróis, correria o risco de se tornar um deles.

E o pesadelo? Bem, ele pode estar povoando, pelo menos por enquanto, as mentes do governador Jaques Wagner e do candidato do PT a prefeito, deputado Nelson Pelegrino. Por uma circunstância muito especial: a greve dos professores da rede estadual de ensino, que no 2 de Julho já terá superado os 80 dias, se não acabar antes. Um esforço político, aliás, está sendo feito para abreviar a greve, mas o desfecho é incerto, pois o PSOL e o PSTU, que têm influência predominante no movimento grevista, não são de jogar conversa fora. São pau, e pedra, o fim do caminho.

Pode-se imaginar – e digo isso porque já tem muita gente imaginando coisas a respeito – “grupos de vaias” às margens das pistas do desfile, o que não pode ser combatido, por causa da liberdade de expressão, embora esta forma de expressão contenha forte dose de incivilidade. Mas é muita usada no mundo quase todo.

Espera-se que no topo dos prédios mais altos do caminho do cortejo não se formem “grupos de ovos” nem “grupos de sacos de água” e muito menos “grupos de lançamento de rolos de fitas adesivas”, estes últimos bastante ativos contra José Serra quando ele disputou com Dilma Rousseff a presidência da República. Essas coisas são agressões que, dependendo de seus efeitos, podem até ser tipificadas como crimes de lesão corporal leve. Estratégia defensiva pode ser o uso de chapéus, guarda-chuvas e guarda-ovos.

Será deseducada e nada democrática a atuação de “grupos de lançamento de bolinhas de papel”, embora quando José Serra foi atacado dessa forma, não faltou quem declarasse a coisa uma brincadeira, mais para rir que para reclamar. Mesmo que à bolinha de papel haja precedido o rolo de fita adesiva, conforme comprovado por imagens inequívocas, escamoteadas na TV. De qualquer sorte, o ataque com bolinha de papel pode ser considerado até crime de injúria, a depender do que esteja escrito no papel da bolinha.

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