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CRÔNICA

São João com clima de Natal

Janio Ferreira Soares

Embora a Rio + 20 sirva apenas como um belo pretexto para a galera do oba-oba praticar a velha arte de encher linguiça (só que, nesse caso, não pode ser uma linguiça qualquer; ela tem que ser verde, de preferência feita de pele de calango mantido a base de alface, pistache e caldo de cana, criado num cativeiro sustentável iluminado por vaga-lumes reforçados por microchips solares nos rabos, e abastecido por energia da combustão do estrume de jegues alimentados com papelão orgânico), reconheço que algo realmente anda fora de ordem nesse mundão de meu Deus. É tanto que, assim de revestrés, não me recordo de nenhum outro São João com um jeito tão de Natal como o deste ano.

Para você ter uma ideia de como estão às coisas por essas bandas, o clima anda confundindo até os mais experientes sertanejos, como meu tio Lindemar (quase 90 anos, recentemente eleito numa pesquisa informal como o melhor prefeito que Glória (BA) já teve), que outro dia chegou da feira meio ariado pelo sol de quase dezembro a lhe queimar o quengo achando que já era fim de ano, só porque a difusora estava tocando uma velha canção de Roberto. Mas isso é por conta dos delírios climáticos motivados pelos falsos sinais enviados pela atmosfera, que perdeu de vez a outrora condição de calendário alternativo do sertão.

Houve uma época em que bastava contemplar o mundo para saber qual festejo batia à nossa porta. Céu azulado, meio cinzento, acompanhado de um vento norte arrastando folhas secas pelas veredas? Neguinho já podia sonhar trovoada, mulher iniciava à engorda do peru e menino subia no armário atrás dos burrinhos e das lâmpadas coloridas para decorar as lapinhas dos velhos natais. Passarinhos se acasalando? A Semana Santa era questão de dias. Nuvens baixinhas quase triscando as serras? Podia plantar o milho que Antônio, João e Pedro garantiam o forró.

Em todo caso já fiz minha fogueira e, por via das dúvidas, colocarei um sapatinho na janela do quintal. Vai que Papai Noel confunda um balão com uma estrela cadente… Feliz São João.


Lugo:entrevista na TV Pública

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Centenas de manifestantes que se reuniram em frente a TV Pública do Paraguai, protestando sobre a suposta censura que a emissora teria sofrido, foram surpreendidas pela repentina aparição do ex-presidente Fernando Lugo, que sofreu um impeachment decidido em pouco mais de 24 horas.

Segundo informações do jornal paraguaio ABC?, em meio a seguidores e flashes de câmeras, por volta de 0h15 (1h, em Brasília), Lugo fez um discurso.

“Aceitei o veredicto injusto daquele parlamento pela paz e pela não violência”, afirmou o ex-bispo, acrescentando que tinha informação de que um grupo preparava algo parecido com o ocorrido em 1999, quando sete jovens foram mortos por atiradores no Congresso, episódio que ficou conhecido como “março paraguaio”.

Lugo disse que os presidentes de Brasil, Argentina e Uruguai são amigos do Paraguai e alertou para o “retorno da ditadura” no país. “A comunidade internacional vê com objetividade e serenidade o processo aqui no Paraguai. Vocês têm noção de que nossos amigos, os presidentes do Brasil, da Argentina, do Uruguai, estão retirando seus embaixadores daqui”, disse o ex-presidente.

“Mesmo o Paraguai sendo um país mediterrâneo, o governo está ilhando o nosso país. Eles serão responsáveis pela pobreza e pelo retorno da ditadura ao Paraguai.”

O presidente cassado reafirmou que apesar de se retirar da presidência, não renunciaria como cidadão paraguaio. “Eu sou um cidadão comum que foi honrado por decisão popular, no dia 20 de abril de 2008. Os órfãos do futuro, os órfãos da democracia, os órfãos da cidadania mudaram a vontade do povo.”

Ele afirmou também que, uma vez que a nação “pede” que seja feita uma greve pacífica, ele, como cidadão paraguaio vai se juntar a essa greve.

Processo de impeachment

A Câmara dos Deputados paraguaia aprovou na quinta-feira a abertura do processo de impeachment contra Lugo como reflexo de um conflito agrário que deixou 17 mortos – entre policiais e sem-terra – durante a reintegração de posse da fazenda de um empresário ocorrida há uma semana.

jun
24
Posted on 24-06-2012
Filed Under (Charges) by vitor on 24-06-2012


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Mariano, hoje, no site A Charge On Line
http://www.chargeonline.com.br/

jun
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Cem anos de Luiz Gonzaga, e sempre Luiz Gonzaga.

Esta foi uma das últimas músicas que ouvi dona Jandira, minha mãe, cantar pouco antes da partida.E não era tempo de festeto junino.

Saudades!!!

(Vitor Hugo Soares)

OPINIÃO POLÍTICA

Desfile vira problema

Ivan de Carvalho

Enquanto o prefeito João Henrique, de paradeiro incerto e não sabido, desenvolve “compromissos oficiais” na Espanha ou nada com os golfinhos no Atlântico (provável, ele pratica natação) ou ainda, na Disneylândia, olha ironicamente o Pateta, como quem diz “pensaram que eu era você, mas você não sou eu e sim eles”, uma espécie de pesadelo vai se impondo em algumas áreas, ante a aproximação do desfile cívico do 2 de Julho.

A ausência de um prefeito no 2 de Julho, partindo garboso do Largo da Lapinha, era inimaginável. Hoje é considerada quase uma certeza, embora possa ainda sofrer uma reviravolta. É que não foi anunciada a data do retorno de João Henrique a Salvador, mas apenas que a viagem iria durar “menos de 30 dias”. Então, ele está à vontade para prosseguir no mundo encantado de Walt Disney além do 2 de Julho ou apresentar-se no desfile para os aplausos ou vaias da galera.

Mas, se chegar de fininho e aparecer de surpresa na Lapinha quando a cidade ainda o julgava no exterior, isto pode até funcionar como uma excelente jogada de impacto. Se ele, sem que seja esperado, aparece, ali, sob sol ou chuva, cumprindo o “dever cívico”, solidário com Joana Angélica, Maria Quitéria, o general Labatut, os caboclos e os outros heróis, correria o risco de se tornar um deles.

E o pesadelo? Bem, ele pode estar povoando, pelo menos por enquanto, as mentes do governador Jaques Wagner e do candidato do PT a prefeito, deputado Nelson Pelegrino. Por uma circunstância muito especial: a greve dos professores da rede estadual de ensino, que no 2 de Julho já terá superado os 80 dias, se não acabar antes. Um esforço político, aliás, está sendo feito para abreviar a greve, mas o desfecho é incerto, pois o PSOL e o PSTU, que têm influência predominante no movimento grevista, não são de jogar conversa fora. São pau, e pedra, o fim do caminho.

Pode-se imaginar – e digo isso porque já tem muita gente imaginando coisas a respeito – “grupos de vaias” às margens das pistas do desfile, o que não pode ser combatido, por causa da liberdade de expressão, embora esta forma de expressão contenha forte dose de incivilidade. Mas é muita usada no mundo quase todo.

Espera-se que no topo dos prédios mais altos do caminho do cortejo não se formem “grupos de ovos” nem “grupos de sacos de água” e muito menos “grupos de lançamento de rolos de fitas adesivas”, estes últimos bastante ativos contra José Serra quando ele disputou com Dilma Rousseff a presidência da República. Essas coisas são agressões que, dependendo de seus efeitos, podem até ser tipificadas como crimes de lesão corporal leve. Estratégia defensiva pode ser o uso de chapéus, guarda-chuvas e guarda-ovos.

Será deseducada e nada democrática a atuação de “grupos de lançamento de bolinhas de papel”, embora quando José Serra foi atacado dessa forma, não faltou quem declarasse a coisa uma brincadeira, mais para rir que para reclamar. Mesmo que à bolinha de papel haja precedido o rolo de fita adesiva, conforme comprovado por imagens inequívocas, escamoteadas na TV. De qualquer sorte, o ataque com bolinha de papel pode ser considerado até crime de injúria, a depender do que esteja escrito no papel da bolinha.

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