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OPINIÃO POLÍTICA

Zorra total

Ivan de Carvalho


A partir da segunda-feira, o deputado Paulo Maluf já deve ter posto, sem receio ou reservas, no topo do seu currículo político, a visita do ex-presidente Lula a sua casa. Maluf foi incluído pela justiça norte-americana na lista de procurados pela Interpol, mas não pode ser preso sem um mandado do Supremo Tribunal Federal, o que não existe. Já Lula não é réu no processo do Mensalão, a respeito do qual nada sabia, e é muito estimado pelo povo, de modo que não deve ser problema e talvez seja uma honra para Maluf haver recebido tal convidado.

Dizem que Lula saiu de sua própria residência com muito mau humor, mas algo deve ter ocorrido no caminho, pois desembarcou nos jardins malufistas com notório felicidade, o que atestam as primorosas fotos de Lula, Maluf e Haddad. A impressão que se tem é que o presidente do PT, Rui Falcão, que acompanhou os outros petistas na visita, não compartilhava o sentimento e evitou quanto pôde as lentes dos fotógrafos. Mas isso é irrelevante.

Relevante foi a reação da deputada e ex-prefeita de São Paulo, Luiza Erundina. Ela foi indicada pelo PSB para a vaga de vice na chapa de Haddad antes do PT fazer a aliança com Maluf. Quando aconteceu, mostrou-se surpresa e até chocada. Mesmo assim, Erundina chegou a dar declarações que davam praticamente a certeza de que permaneceria na chapa. Ainda ontem, ela dava declarações que a colocavam em cima do muro – do tipo “vou, não vou, saio, não saio, posso ficar, posso sair, sei lá, entende?”.

Mas no fim da tarde deu a palavra final – está fora da chapa e fim. Um desastre para a candidatura de Haddad. As deliciosas fotos de Lula, Haddad e Maluf nos jardins deste último foram o tiro de misericórdia. Como são fotogênicos! Não deu para Erundina, que não é, engolir. Principalmente, suponho, porque a militância socialista de São Paulo e o eleitorado de Erundina não as engoliu.

E enquanto Julian Assange, do site Wikileaks, fugiu da prisão domiciliar onde estava, na Inglaterra, à espera de ser enviado para julgamento na Suécia e pediu asilo político ao Equador, os Aloprados – acusados de prepararem um falso dossiê contra o tucano José Serra, agora adversário de Haddad na disputa pela prefeitura paulistana – são desde ontem réus de processo instaurado contra eles. Não há notícia de que pretendam pedir asilo político.

Sem a mesma visibilidade dos casos Lula-Maluf-Haddad e Julian Assange, mas aqui no terreiro baiano, quem não parece ter se saído muito bem é o deputado e candidato Nelson Pelegrino na sua investida pelo apoio do PP. O acerto foi feito, o PP entraria na coligação, indicaria para vice-prefeito o ex-secretário municipal José Mattos, dos Transportes e Infraestrutura.

Então começou a nova via crucis de Pelegrino. O prefeito João Henrique, que é filiado ao PP, deu uma desbotada declaração de apoio a ele, para logo liberar o PTN – partido bem situado no eleitorado de Salvador – para apoiar quem quiser, com direito a querer ACM Neto. E, ato contínuo, viajou para a Espanha, um modo de não comparecer ao ato de formalização do apoio do PP ao candidato petista a prefeito, nem à convenção do PT que oficializará a candidatura de Pelegrino. Visto o ânimo (desânimo) do prefeito, o PP perdeu peso e, talvez para mostrar ao PT que ainda está vivo, refez o que havia desfeito: recolocou no cenário a candidatura do deputado João Leão à prefeitura.

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