jun
18
Postado em 18-06-2012
Arquivado em (Artigos) por vitor em 18-06-2012 18:28


====================================

====================================

ARTIGO

Rio+ 20: o encontro dos contra-pontos

Maria Aparecida Torneros

As instalações da grande exposição intitulada Humanidade 2012, magestosamente, invadem a pedra do Forte de Copacabana, soerguendo andares e andaimes com vista para um mar digno e azul, num Rio de Janeiro que recebe milhares de pessoas do mundo inteiro dispostas a discutir o futuro do Planeta. Um encontro magnânimo, tanto em sonhos e esperanças quanto em propostas e frustrações, em momento em que os ditos países ricos estão deveras preocupados em sobrevivência econômica e aumento de empregos, deixando a agenda ambiental em segundo e terceiro planos, legando o cerne da discussão energética, da economia verde à implementação das energias renováveis para as falas dos países em desenvolvimento, aqueles onde a energia ainda é , em sua maioria, advinda de fósseis, e, em percentagem substancial nem chega à vida e ao dia-a-dia de uma expressiva parcela das populações de África e Ásia, por exemplo.

O título é pomposo : Cúpula dos Povos, uma vez que de povos o mundo está mesmo repleto, com suas diferenças, suas histórias, anseios, medos, marcas de exploração, de guerras, de colonização e de progressos em nome de um desenvolvimento cujo modelo se esgotou mas não morreu ainda. Haja vista os contra-pontos que a Rio mais 20 enseja. Um sem número de falas ao vento, de expectativas ao léo, ou seria de água mole que finalmente, um dia, há de furar a pedra dura?

Difícil avaliar de um fôlego só tudo que acontece na cidade maravilhosa, nestes dias de Humanidade 2012, o nefasto poder dos poderosos, direcionando o burburinho aguerrido dos “sem poder” que buscam mostrar sua consciência ambiental acirrada, suas conquistas em termos de novas posturas quanto ao mundo dito industrializado e moderno, enquanto a mãe natureza, a terra dadivosa, o planeta fatigado ou o mundo em que vivemos, se dá conta de que precisa correr atrás do prejuízo em mudar o foco dos padrões desenvolvimentistas…

História de novas gerações antenadas, coisa de gente respeitosa, espaço de seres humanos honrados, repletos de bons propósitos e crenças de um mundo melhor a se legado às novas gerações.

Rendo-me aos sonhos e seus contra-pontos flagrantes nesta Rio mais 20, lugar de encontro onde todos tentam chegar a um denominador nada comum… os interesses vários se diluem e se perdem entre poderosos que representam capital internacional, governos industrialmente sustentados, modelos baseados em lucros a quaiquer preços, tecnologias que ao se tornarem obsoletas são transferidas mediante vendas e acordos aos que antes não tinham nada, e estes, humildemente, as recebem como solução temporária para seus problemas emergenciais…foi sempre assim, diz a história, mas pode mudar, gritam os novos arautos da humana idade do futuro.

Eis que algo como água da chuva bate em pedra muito dura e abre um veio, um caminho lento, uma canaleta de esperança… de contra-ponto em contra-ponto, alguém vislumbra um mundo novo possível, apesar dos contratempos, leio e releio textos sobre o evento, visito lugares, acompanho debates… destaco um trecho:

“Há grande expectativa quanto às decisões e conclusões que vão sair da tão falada Conferência das Nações Unidas, mas acima de tudo o que se espera é que haja flexibilidade para que as iniciativas possam ser incrementadas em todo o mundo, tanto em países desenvolvidos quanto em nações em desenvolvimento, despertando a consciência em cada pessoa. Outra das grandes questões e essa, sim, essencial é a de que a economia participe das mudanças e se mostre cooperante. Sem sintonia entre política e economia em questões tão urgentes e sensíveis quanto preservação ambiental e desenvolvimento sustentável dificilmente haverá espaço para um novo rumo.

Por enquanto, o espaço para o debate, discussão e reflexão está, sem sombra de dúvida aberto, desde as mais altas patentes políticas e governamentais, passando pela mídia até ao mundo virtual das redes sociais. O diálogo está lançado, resta saber que caminho as próximas duas semanas irá abrir. ”

A chave, o x da questão : política e economia, é isso mesmo…enquanto ambas se calcarem no egoísmo ou egocentrismo dos poderosos, tudo mudará mesmo muito lentamente, a despeito de contra-pontos pertinentes ao grande encontro no Rio de Janeiro.

Maria Aparecida Torneros, escritora e jornalista, mora no Rio de Janeiro, onde edita o Blog da Cida

Be Sociable, Share!
Deixe um comentário
Name:
Email:
Website:
Comments:

  • Arquivos