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(VHS)

DEU NO CORREIO DA BAHIA

Da Redação

A presidente Dilma Rousseff disse ao líder do governo do Senado, Eduardo Braga (PMDB-AM), que prefere sua permanência no cargo, disseram interlocutores. Ele avalia deixar o posto para disputar a prefeitura de Manaus, depois que seu adversário, o tucano Arthur Virgílio, anunciou que vai entrar no páreo. Braga prometeu uma resposta até 30 de junho.

Se a saída ocorrer, será a segunda vez que Dilma troca o líder do governo em três meses. Em março, Romero Jucá (PMDB-RR) saiu porque a presidente queria deslocar o centro de poder dentro do PMDB, aglutinado por Renan Calheiros (AL) e Jucá.


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VIRAMUNDO

Composição: Gilberto Gil e Jose Carlos Capinan

Interpretação:Marinês e sua gente

Sou viramundo virado
Nas rondas da maravilha
Cortando a faca e facão
Os desatinos da vida
Gritando para assustar
A coragem da inimiga
Pulando pra não ser preso
Pelas cadeias da intriga
Prefiro ter toda a vida
A vida como inimiga
A ter na morte da vida
Minha sorte decidida

Sou viramundo virado
Pelo mundo do sertão
Mas inda viro este mundo
Em festa, trabalho e pão
Virado será o mundo
E viramundo verão
O virador deste mundo
Astuto, mau e ladrão
Ser virado pelo mundo
Que virou com certidão
Ainda viro este mundo
Em festa, trabalho e pão

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DÁ-LHE, MARINÊS!!!

BOM SÁBADO PARA TODOS!!!

(Vitor Hugo Soares)

jun
16
Posted on 16-06-2012
Filed Under (Charges) by vitor on 16-06-2012


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Zé Dassilva, hoje, no Diário Catarinense (SC)

jun
16
Posted on 16-06-2012
Filed Under (Artigos, Vitor) by vitor on 16-06-2012


Desaparecidos no Araguaia: “Amigos sumindo assim,
pra nunca mais”.

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ARTIGO DA SEMANA

Bebida amarga na Comissão da Verdade

Vitor Hugo Soares

“Como beber dessa bebida amarga?/Tragar a dor engolir a labuta?/Mesmo calada a boca resta o peito/ Silêncio na cidade não se escuta/ De que me vale ser filho da santa?/ Melhor seria ser filho da outra /Outra realidade menos morta /Tanta mentira tanta força bruta”.

“Cálice”, Chico Buarque e Gilberto Gil

Foi uma semana de amargar: A complacência e a cumplicidade (de quase todo lado) andaram juntas e de mãos dadas em Brasília. Abriam caminho para a impunidade no barro fofo do jogo de cena mambembe das falsas aparências e meias verdades na CPI do Cachoeira. Coisas de estarrecer e fazer corar frade de pedra, principalmente durante os depoimentos dos governadores de Goiás, tucano Marconi Perillo, e do Distrito Federal, petista Agnelo Queiroz.

Enquanto isso, na Folha de S. Paulo, o Exército reconhecia formalmente, pela primeira vez, através de nota do Ministério da Defesa, que foram destruídos todos os documentos que estavam em poder da corporação militar sobre os mortos e desaparecidos na Guerrilha do Araguaia, movimento armado contra a ditadura na região amazônica brasileira, entre fins da década de 1960 e a primeira metade da década de 1970.

Neste caso é a “força bruta”, de que fala há tantos anos a letra da canção de Chico e Gil, consagrada na interpretação de Milton Nascimento, que volta a bater inclemente contra o concreto. Mal disfarçada tentativa de romper diques de resistências da lei e da democracia, e de impedir ou atrapalhar a investigação que pode lançar luz sobre as sombras de um dos mais macabros e vergonhosos episódios envolvendo responsabilidade do Estado brasileiro na história recente do País.

Não faltam alertas, de velhos e novos conselheiros, ao autor dessas linhas, que viu bem de perto essas coisas: “Amigo, deixa isso prá lá. É murro em ponta de faca. Você não vai ganhar nada com isso, a não ser mais porradas e dissabores. Esquece esse assunto triste. Escreva mais sobre suas viagens pelo mundo e as coisas mais amenas da vida. Experimenta! Faz bem ao leitor e é melhor também para você”.

Entendo – e agradeço – o conselho e o recado, mas não consigo seguir a recomendação. Principalmente ao ver pela TV, algumas cenas da CPI do Cachoeira transmitidas ao vivo para o País, ou abrir o site da Folha e ler o título: ”O Exército diz não ter papéis sobre Guerrilha do Araguaia”.

E no texto da matéria, assinada pelos repórteres Rubens Valente e Lucas Ferraz, a informação que confirma a suspeita levantada desde o ano passado, quando o então ministro da Defesa, Nelson Jobim, apenas admitira que os documentos sobre a guerrilha brasileira em poder do Exercito, “estavam todos desaparecidos”.

Duro de engolir. Mas o que foi confirmado oficialmente, esta semana, é ainda pior e mais indignante. “Os documentos do Exército sobre a Guerrilha do Araguaia – uma das principais promessas para a elucidação do conflito – foram todos destruídos, informou o Ministério da Defesa à Folha. Linhas mais adiante : A admissão foi encaminhada à reportagem como resposta a um pedido de consulta feito baseado na Lei de Acesso à Informação, que entrou em vigor mês passado.

A reportagem esclarece: foram solicitados materiais produzidos entre 1970 e 1985 sobre ações do Exército contra a guerrilha, “o maior foco armado contra a ditadura (1964-1985), no sul do Pará e hoje norte de Tocantins. O conflito, organizado pelo PC do B, ocorreu entre 1972 e 1974”.

Segundo o jornal paulista , “na resposta do Serviço de Informação ao Cidadão, do Exército, criado para atender as demandas da nova lei, a instituição diz que um decreto de 1977 “permitia a destruição de documentos sigilosos, bem como dos eventuais termos de destruição”.

Diante do exposto, a garganta trava. É melhor sair do site, desligar o computador para não arrebentar o peito. Antes, porém, decido buscar na Internet o cartaz com a foto dos desaparecidos na guerrilha amazônica, ritual dolorido que pratico de vez em quando, como testemunha distante desta trágica história, e imagino o mesmo – e ainda mais dolorido – dos familiares em busca da verdade sobre os que aparecem naquelas fotografias.

No cartaz revejo os rostos de alguns de meus mais queridos, generosos e leais colegas e amigos da juventude, na Universidade Federal da Bahia e nas ruas vibrantes e resistentes de Salvador. Uma cidade, então, ainda não domesticada, culturalmente rica e politicamente indomável. Lá estão, entre outros: Dermeval Pereira, o colega e amigo maior e inseparável da Faculdade de Direito da UFBA, beque central elegante e imbatível nas peladas no campus do Canela; parceiro das sessões do Clube de Cinema da Bahia, no tempo do professor e crítico Walter da Silveira, aos sábados, no Cine Guarani, na Praça Castro Alves, e dos shows no TCA e Teatro Vila Velha.

Vejo ainda: Antonio e Dinalva (a Dina) Monteiro, o casal mais bonito e unido que já vi. Capaz de causar frisson a cada passagem de mãos dadas a caminho do Restaurante Universitário, no corredor da Vitória. Rosalindo Souza, o líder e amigo da primeira hora e de sempre. Primeiro negro a vencer uma eleição para presidente do histórico Diretório Acadêmico Ruy Barbosa (CARB). O cartaz exibe também a fotografia do quase imberbe pernambucano, Duda Collier, “um pão de Recife na figura de anjo barroco da Bahia” (segundo definição de muitas de suas colegas e admiradoras na UFBA), que apareceu de repente na Faculdade de Direito, e tão de repente quanto surgiu, um dia sumiu, “para nunca mais”, como em outra canção de Gil.

Escrevi recentemente sobre ele neste espaço, depois de ler a notícia do livro “Memórias de uma guerra suja”, com a revelação de um ex-delegado do DOPS, de que o corpo de Duda foi incinerado no forno de uma usina de açúcar do Rio de Janeiro. Agora, depois da notícia na Folha sobre a destruição dos documentos da Guerrilha do Araguaia, só uma pergunta: “Como beber desta bebida amarga?”.

Responda quem souber.

Vitor Hugo Soares é jornalista. E-mail: vitor-soares1@terra.com.br

jun
16

http://youtu.be/IrznmH3XZQ8
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Mireille Mathieu na transmissão de Michel Drucker de “Stars 90” em espetáculo memorável em 1993.

BOA NOITE!!!

(VHS)

Eleitoras egipcias
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OPINIÃO POLÍTICA

Um desfecho insondável

Ivan de Carvalho

O Egito, mais importante país árabe – condição potencializada pela vizinhança com Israel e por desempenhar papel essencial na determinação da paz ou da guerra entre árabes e judeus – mergulhou, na quinta-feira, em nova crise de desfecho obscuro, talvez insondável.

Não houve uma nova revolução, não houve um golpe. Houve uma decisão da Suprema Corte Constitucional (o correspondente ao nosso Supremo Tribunal Federal) a respeito da validade das eleições que haviam sido realizadas para o parlamento, dentro do processo para a democratização do país.

Acontece que a Suprema Corte Constitucional não se esforçou para manifestar qualquer talento para a dança do ventre, de modo a mostrar que, como se diz no Brasil, tem “jogo de cintura”. Simplesmente olhou o que está escrito na Constituição do Egito e aplicou.

Na Constituição está escrito que um terço da Câmara Baixa do parlamento deve ser composto por integrantes “independentes”, portanto, não filiados a partidos, enquanto caberia a estes preencher os outros dois terços. A Corte constatou que, na composição da casa legislativa, não foi obedecido o critério constitucional que fixa um terço de “independentes” e, assim, anulou as eleições parlamentares.

Manteve, no entanto, para este fim de semana, o segundo turno das eleições presidenciais, disputado por um candidato do “braço político” da Irmandade Muçulmana, Mohammed Mursi e por Ahmed Shafiq, último primeiro-ministro do governo do ditador-presidente deposto e recentemente condenado à prisão perpétua, Hosni Mubarak.
Por uma “lei de exclusão” votada pelo parlamento que na quinta-feira foi declarado inconstitucional pela Suprema Corte Constitucional, o ex-primeiro-ministro de Mubarak e outras pessoas ligadas ao regime anterior não poderiam ser candidatos. Algo semelhante à suspensão dos direitos políticos (mas ad aeternum) praticada por Atos Institucionais do regime militar brasileiro. A Suprema Corte declarou também inconstitucional esta lei e, assim, validou a candidatura do ex-primeiro-ministro.

Há uma presunção de que vencerá as eleições presidenciais o candidato da Irmandade Muçulmana. É o que mostravam as avaliações pré-eleitorais. Mas o candidato da Irmandade Muçulmana, mesmo dizendo acatar a decisão da Suprema Corte, disse ser “contra” a candidatura de seu oponente. A coisa, assim, ficou hilária – ele tem mesmo de ser “contra” a candidatura do adversário. Ou ele não acata a decisão judicial sobre a validade da candidatura de Shafiq? Neste caso, a Irmandade Muçulmana seria seletiva quanto a aceitar ou rejeitar as decisões da Suprema Corte Constitucional.

Mais complicação. Extinto o parlamento, o poder de legislar volta às mãos dos militares. Além disso, no Egito, há um embate talvez não totalmente declarado, mas não muito surdo: o sonho da Irmandade Muçulmana é o de instalar uma “república islâmica” no Egito, uma bomba imensa, pronta para estourar sobre Israel.

E o exército egípcio não admite tal “república islâmica”, mas somente um estado laico, e também não abre mão de exercer forte influência no Estado egípcio, exigindo, ainda, autonomia, inclusive orçamentária, das forças armadas. Em troca, promete assegurar a democracia.

Muita coisa a conferir, a partir deste fim de semana.

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