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Postado em 15-06-2012
Arquivado em (Artigos) por vitor em 15-06-2012 00:34

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OPINIÃO POLÍTICA
Melando o marketing

Ivan de Carvalho

No começo do mês, o PPS formalizou seu apoio à candidatura do deputado democrata ACM Neto a prefeito de Salvador. Destaquei que isto tinha um expressivo significado político, embora se saiba que, no âmbito nacional, o Democratas e o PPS, juntamente com o PSDB, integrem o núcleo da oposição ao governo federal, que conta com o nanico e combativo PSOL e com alguns penduricalhos, a exemplo do atual e fastasmagórico PCB e do aguerrido e desaforado PSTU.

Mas uma coisa é o âmbito federal, outra o baiano. O PPS, herdeiro do antigo Partido Comunista Brasileiro, o verdadeiro PCB, apelidado de Partidão – não aquela “encosto” que surgiu depois buscando assumir, ao menos na nomenclatura, a vaga deixada pelo PCB de Carlos Prestes, que fez profunda revisão da realidade – sempre se deu mal com o carlismo. Isso apesar de o ex-governador ACM haver ajudado alguns políticos de destaque no Partidão, por amizade e certamente atento à compensação política que o simples fato de ajudar lhe acarretaria.

Mas isso não apagava a malquerença do reciclado PPS. Até parecia perseguição. Onde ACM ia botar o pé, vinha sempre depressa o presidente do PPS, primeiro senador e depois deputado Roberto Freire, e acomodava uma casca de banana. Não esquecia também de bradar algo como “não passarás!”.

Mas ACM já não pertence a este mundo, mas à história, e o carlismo – como escrevi logo após o apoio do PPS a ACM Neto – também deixou de ser um movimento político para ser um fenômeno histórico. Além disto, o antigo PFL – que já se formara a partir de uma ala rebelde do PDS, da mesma forma que o PSDB formou-se de uma ala rebelde do PMDB – resolveu, convencido pelos resultados eleitorais, empreender em si mesmo uma mutação, cujas partes mais visíveis foram a mudança de nome e a autonomia em relação ao PSDB, do qual vinha se tornando mero apêndice, com grande prejuízo eleitoral continuado.

Essas circunstâncias afastaram quaisquer dificuldades de uma coligação que inclui os democratas e o PPS (além do PSDB) e não se nota nenhuma infelicidade do deputado Roberto Freire, presidente nacional do PPS, com isso. Observei, ao escrever sobre o assunto antes, que o apoio do PPS rasga o rótulo de “conservador” ou seja lá o que for nessa linha (inclusive o ininteligível “direitista”) que se pretenda impor ao Democratas na Bahia e mais especificamente a ACM Neto e à candidatura que vai sustentar-lhe a candidatura.

Há um propósito nessas observações em parte repetitivas, tendo em conta o que escrevi logo após o apoio do PPS. É que ACM Neto recebeu formalmente o apoio do Partido Verde, para sua candidatura e ainda vai preencher a vaga de vice em sua chapa com Célia Sacramento, do PV. Ora, o PV pode não ser o partido sem pecado – o que o faz igual aos outros. Afinal, grudou no governo Lula por causa do Ministério da Cultura, deu legenda, mas depois zangou-se injustamente com a ex-senadora e ex-candidata a presidente da República Marina Silva, levando-a a deixar o partido.

Mas o PV é considerado um partido “de esquerda”, dito também “progressista” (sejam lá o que forem esses dois impenetráveis qualificativos-rótulos). O PV está com ACM Neto, apesar do chilique da ONG Steve Biko, e isso atrapalha o marketing adversário baseado em criativas e espertíssimas classificações ideológicas

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Comentários

hugo cerqueira on 15 junho, 2012 at 7:09 #

desde quando combater uma mentira oportunista, passa a ser chilique, está parecendo que esse colunista uma tal de Ivan é um obtuso e embusteiro


Graça Azevedo on 15 junho, 2012 at 13:47 #

Com todo o respeito à opinião do Ivan, manifesto o meu apoio à ONG Steve Biko. A referida senhora não pode usar o nome da entidade em proveito político.


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