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OPINIÃO POLÍTICA

ROBERTO SANTOS

Ivan de Carvalho

Roberto Figueira Santos, por proposta da Mesa Diretora, aprovada pelo plenário da Assembléia Legislativa, recebe hoje, às 10 horas, a Comenda 2 de Julho. A saudação ao ex-governador será feita pelo presidente da Casa, Marcelo Nilo, porque foi quem teve a idéia da homenagem. Mas ele não podia apresentá-la como uma proposta dele, pois esta é uma prerrogativa da Mesa Diretora como um todo – o que, aliás, contribui para a relevância da comenda.

Quando foi escolhido governador da Bahia, o homenageado de hoje confidenciou a algumas pessoas próximas que gostaria de ser chamado, pela imprensa e a mídia eletrônica, de Roberto Figueira Santos, a forma que usei no início desta nota. Este seu desejo, talvez reflexo de praxes de uma intensa e vitoriosa vida acadêmica, não foi atendido no ambiente informal da política e da mídia.

Prevaleceu quase que imediatamente o tratamento de Roberto Santos e, como acaba ocorrendo com a maioria dos líderes políticos e outras pessoas muito conhecidas e muito citadas pela mídia e pela população, logo passou a ser Roberto. Pelo menos, alternativamente, pois muitas vezes, nas ocasiões solenes ou quando os editores precisavam de mais letras na manchete, usavam Roberto Santos. Creio que ele entendeu a “intimidade” pública e percebeu sua vantagem.

Mas vale lembrar outras coisas sobre Roberto Santos. Médico pela Universidade Federal da Bahia, especializado em clínica médica durante temporada nas universidades de Cornell, Michigan e Harvard (EUA) e em medicina experimental em Cambridge (Inglaterra), atuou na medicina, inclusive como professor na UFBa, foi secretário da Saúde da Bahia, cargo que deixou quando nomeado reitor da UFBa, posição que já fora ocupada por seu pai, Edgard Santos. Foi governador, presidente do CNPq, ministro da Saúde, presidente do Conselho Federal de Educação, representante do Brasil no Conselho Diretor da Organização Mundial de Saúde, órgão da ONU.

Depois de exercer o mandato de governador e para ajudar as oposições, disputou eleições para o governo mais duas vezes, a primeira delas em condições que, ele certamente sabia, inviabilizavam sua eleição e a segunda em circunstâncias que a tornavam, não impossível, mas muito difícil. Em 1986, apoiou a candidatura de Waldir Pires ao governo. E em 2010 publicou artigo em que – mesmo sendo do PSDB, que apoiava Paulo Souto – explicava as razões pelas quais iria votar em Jaques Wagner. Não tentei fazer aqui uma síntese da vida política de Roberto Santos, só mencionar alguns dados.

Como governador, ele foi importante. Coube-lhe uma tarefa vital para a Bahia, uma grande parte da implantação do Pólo Petroquímico de Camaçari. A barragem de Pedra do Cavalo, responsável pela maior parte do abastecimento de água de Salvador e Feira de Santana. Em Salvador ainda, o Centro de Convenções, o Museu de Tecnologia e toda a implantação dos equipamentos do Parque Metropolitano de Pituaçu, criado por decreto do então prefeito Fernando Wilson Magalhães. Mais: construção de 3 mil salas de aulas, 33 Centros Sociais Urbanos e construção de habitações populares pela URBIS.

No entanto, tão importante quanto tudo que acima foi citado e muito mais que ele fez, terão sido o exemplo de dignidade, honradez e seriedade que tem dado ao longo de toda a sua vida, pública e privada.

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Comentários

Olivia on 14 junho, 2012 at 10:54 #

Plenário da Assembleia Legislativa da Bahia lotado em homenagem a esse grande baiano. Festa bonita na manhã desta quinta-feira para Roberto Santos.


Olivia on 14 junho, 2012 at 10:57 #

Plenário lotado na Assembléia Legislativa da Bahia em homenagem ao ex-governador Roberto Santos. Festa bonita, grande baiano.


rosane santana on 14 junho, 2012 at 11:18 #

Parabéns, Ivan, pelo ótimo artigo sobre a justíssima homenagem.


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