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OPINIÃO POLÍTICA

PDT em transe

Ivan de Carvalho

O presidente da Assembléia Legislativa, Marcelo Nilo, fez ontem, em várias entrevistas – a primeira delas à Rádio Metrópole – uma declaração que equivale a uma advertência pública ao PDT da Bahia, do qual é, sem dúvida, o quadro político mais destacado: sairá do partido se este optar pelo apoio à candidatura de ACM Neto, do Democratas, a prefeito de Salvador.

O deputado Marcelo Nilo, com a antecipação de uma posição que poderá ou não se concretizar no futuro, a depender do rumo que seu partido adote na sucessão municipal na capital, busca certamente exercer algum nível de pressão política para influir na opção que o partido se prepara para fazer entre quatro alternativas teóricas – apoio a ACM Neto, apoio a Nelson Pelegrino, lançamento de candidato próprio a prefeito ou apoio a algum dos outros candidatos a prefeito.

Sabe-se, no entanto, que o PDT não está examinando a quarta dessas alternativas, ou seja, o que chamei de “apoio a algum dos outros candidatos a prefeito”. Vacila entre as três primeiras.

Volto a Marcelo Nilo, atualmente exercendo o terceiro mandato consecutivo de presidente da Assembléia Legislativa, com a eleição para o quarto mandato em sua pauta política e aspirante declarado ao governo do Estado, desde que, segundo ele mesmo definiu, se reunir as condições que o levem a receber o apoio do governador Jaques Wagner.

Marcelo Nilo afirma que não tem nada de pessoal contra ACM Neto, considerando-o “um deputado de valor, bom tribuno, preparado”, mas lembra que combateu o carlismo durante 16 anos na Assembléia Legislativa e avisa que “não será agora, que afinal o carlismo está em estágio terminal, que eu vou estender-lhe a mão para ajudá-lo a soerguer-se”.

Marcelo Nilo, que defende o apoio do PDT ao petista Nelson Pelegrino, diz que não viu “ninguém defendendo o apoio a ACM Neto na convenção do partido” realizada no domingo em Salvador. “Vi a maioria defendendo candidatura própria. Aceito esta hipótese, como aceito o apoio do partido a qualquer outra candidatura, exceto à candidatura de ACM Neto, pois aceitar isto seria jogar fora toda minha história política oposicionista. Não posso, isso ultrapassa o meu limite. Se acontecer, prefiro, até sentindo muito, e com risco para o meu mandato, sair do partido, e acho que muitos sairão, não somente eu”, afirmou.

Marcelo Nilo assinala ainda que, quando entrou no PDT, este era um partido aliado do governo Jaques Wagner e isto foi fundamental para optar pela legenda ao deixar o PSDB, “exatamente quando este se aliou ao carlismo”. E completa: “Confio no presidente Lupi, confio no presidente Brust, mas entrei em um partido que tinha lado e se ele mudar de lado fico impossibilitado de permanecer”. Lupi é o presidente nacional do PDT, Brust, o estadual. Em tempo: o DEM oferece ao PDT a vice na chapa de Neto. Pelegrino não pode, porque o vice de sua chapa deve ser do PP.

Resolução do TSE referendada pelo STF diz que o mandato é do partido, não do mandatário e que o mandatário que mudar de legenda sem justificativa pode perder o mandato. As justificativas são duas: perseguição política ou mudança de orientação partidária. A de Marcelo Nilo, evidentemente, seria a segunda. E, é claro, uma pendência, se materializada, seria decidida no Judiciário.

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