Avião bateu em prédio perto do aeroporto de Lagos
Foto;AFP

=====================================

Um avião de passageiros colidiu neste domingo (3) com um prédio de um bairro de Lagos, na Nigéria, segundo autoridades e testemunhas.

O voo, da companhia aérea Dana Air, ia de Lagos para Abuja quando se chocou contra o edifício e pegou fogo, disse a Autoridade Nigeriana de Aviação Civil à agência Associated Press.

Até o momento não há informações sobre vítimas. As informações preliminares indicam que aproximadamente 150 pessoas estariam a bordo da aeronave no momento do acidente.

(Com informações do IG, Agencia Brasil e BBC)

====================================
A NOTÍCIA NO JORNAL PÚBLICO, DE PORTUGAL

Um avião DE LINHA comercial CAIU neste domingo à tarde, em Lagos, na Nigéria. Segundo a agência Associated Press, o aparelho colidiu contra um prédio de dois andares num bairro próximo do aeroporto.

O voo da Dana Air era proveniente de Abuja, capital nigeriana, e ia pousar em Lagos, segundo o chefe da Autoridade de Aviação Civil da Nigéria, Harold Denuren, citado pela mesma agência.

De acordo com a BBC, a mesma fonte disse que não acredita que haja sobreviventes entre os 153 passageiros. Os meios de socorro ainda estão chegando ao local.

O porta-voz da polícia de Lagos, Joseph Jaiyeoba, disse à AFP que o avião caiu no bairro de Iju, que fica na zona norte da cidade onde moram cerca de 15 mil pessoas.

“Posso confirmar que um dos nossos aviões caiuhoje na periferia de Lagos”, afirmou um porta-voz da companhia aérea, Tony Usidamen. Em declarações à AFP, acrescentou que perderam o contacto com o avião e remeteu para um comunicado que será divulgado mais tarde, com mais informações.

A companhia nigeriana Dana Air existe desde 2008 e é uma das principais empresas daquele país, com uma frota de Boeing M83, segundo os dados disponíveis na sua página da Internet. A empresa voa diariamente para Abuja, Calabar, Lagos, Port Harcourt e Uyo.

Em Agosto de 2010, os Estados Unidos autorizaram as companhias aéreas nigerianas a voar diretamente para solo americano, colocando o país na categoria mais elevada de segurança.

O governo da Nigéria diz que o radar aéreo já cobre o país inteiro, mas são frequentes as falhas nos geradores eléctrios e a gás dos aeroportos, fazendo com que os ecrãs dos radares fiquem em branco.


Bruno Barreto com Gloria Pires e Miranda Otto
—————————————————————-

Lota de Macedo e Elizabeth Bishop

==================================

“FLORES RARAS”

Rosane Santana

Fiquei encantada com a notícia de que o cineasta Bruno Barreto começa a filmar, em junho, “Flores raras”, com roteiro baseado no romance “Flores Raras e Banalíssimas”, de Carmem Oliveira, uma história de amor entre a urbanista Lota de Macedo Soares e a poetisa americana Elizabeth Bishop.

O romance, que li há mais de 10 anos, impressionou-me exatamente por resgatar uma figura desconhecida do grande público, a de uma urbanista de família carioca, nascida em Paris, Maria Carlota Costallat de Macedo Soares, amiga de Carlos Lacerda que idealizou a construção do aterro do Flamengo, nos anos 60.

Não há no livro, nenhuma apologia ao homossexualismo, mas uma história sobre duas personalidades marcantes, uma delas, uma brasileira de destaque na alta sociedade carioca, esquecida num tempo de tanques e fuzis nas ruas, muito provavelmente por ser homossexual, e que encerrou a vida tragicamente em Nova Iorque.

A outra, a poetisa americana Elizabeth Bishop, pouco conhecida fora dos círculos acadêmicos e literários, que viveu muito tempo no Brasil, ao lado da urbanista, em Petrópolis, e viajou pela Amazônia etc. Seu poema mais popular, “A arte de perder”, é obra-prima que deve ser lida muitas vezes, pela beleza e intensa carga lírica e afetiva.

Ao falar sobre o filme, em entrevista ao jornal Folha de São Paulo, Barreto indica que seguirá a trilha deixada por Carmem Oliveira no romance. Discutir a alma de duas mulheres modernas, uma forte, poderosa, a Lota de Macedo Soares, de família aristocrática, que foi se tornando fraca, porque não soube perder; e uma fraca, Bishop, que se tornou forte, porque, ao longo da vida, fez, espiritualmente, trajetória inversa a de sua companheira.

“Elas se amaram e viveram juntas os momentos mais importantes de suas vidas. Bishop ganhou o Pulitzer quatro anos depois de estar com Lota. E Lota fez o parque do Flamengo, que é uma das melhores obras do mundo. Por muito tempo elas cresceram juntas, depois começaram a crescer em direções opostas”, disse Barreto.
Dito isso, deve-se acrescentar ainda os elogios do cineasta ao desempenho de Glória Pires no papel de Lota, falando inglês – língua através da qual se comunicava com sua namorada -, cujo papel será desempenhado pela australiana Miranda Otto (Senhor dos Anéis).

É esperar, para conferir. E, quem não conhece o livro, esta aí uma boa oportunidade para ler o romance e saber um pouco mais do Rio de Janeiro dos anos 60, que foi varrido para debaixo do tapete pela ditadura militar.
Em tempo: Bruno Barreto está com dificuldades de arranjar patrocinadores para o filme, e declara ,abertamente, que o fato de a obra falar do romance entre duas mulheres é a causa principal.

Não tenho dúvida.

Rosane Santana, jornalista e professora universitária, mestre em História pela UFBA, mora em Caravelas e ensina na universidade em Teixeira de Freitas, extremo sul da Bahia.

jun
03


====================================

DEU NO JORNAL A TARDE

João Pedro Pitombo

A busca por crescimento no âmbito dos municípios deverá colocar em xeque a unidade da base liderada pelo governador Jaques Wagner A disposição do PT em comandar os maiores municípios baianos tem gerado insatisfações em outros partidos da base governista

Os aliados não escondem suas queixas: “O PT está um pouco guloso Se fosse só eu que me queixasse, talvez o problema fosse comigo Mas todos estão se queixando”, dispara o presidente estadual do PDT, Alexandre Brust.

No PCdoB, aliado histórico dos petistas, a percepção é a mesma, como revela o presidente estadual da sigla, Daniel Almeida: “Todo mundo reclama que o PT quer tudo para si. Esta é uma constatação de todos os partidos, incluindo o nosso”.

Base x base – Os nove partidos que oficialmente formam a base aliada deverão se enfrentar na maioria dos municípios baianos. Até o momento, a base não está totalmente unida em nenhum dos dez maiores colégios eleitorais – cenário que será demonstrado por A TARDE esta semana, na série de reportagens que segue até o próximo sábado.

Dos dez principais colégios eleitorais, o PT tem pré-candidatos em Salvador, Feira de Santana, Vitória da Conquista, Camaçari, Itabuna, Ilhéus, Juazeiro, Lauro de Freitas e Alagoinhas. A exceção, por ora, é Jequié, onde o partido compôs com o PP e vai indicar o candidato a vice.

Presidente estadual do PT, Jonas Paulo admite que o partido ainda pode abrir mão da disputa em alguns municípios. E cita Juazeiro e Ilhéus como cidades onde a legenda negocia com parceiros. “Vamos trabalhar com humildade e serenidade, respeitando os espaços dos aliados”, promete o petista.

Por outro lado, Jonas defende a legitimidade de o PT ampliar seu espaço em Salvador e nas cidades do interior. “Temos 14 deputados estaduais, 10 federais. É natural que o partido também cresça nos municípios”. A meta petista é eleger pelo menos 100 prefeitos na Bahia.

Sem interferência – Vice-presidente do PP na Bahia, o deputado João Leão acha que o processo eleitoral deve “correr solto” nos municípios, sem a interferência das executivas estadual e nacional.
“É claro que todos os partidos querem ter mais prefeitos. Mas quando as lideranças começam a se envolver muito, criam problemas para a base governista”, avalia Leão. Segundo ele, o PP planeja eleger em outubro entre 80 e 100 prefeitos.

Na próxima segunda-feira (4), as eleições em Salvador – Na segunda matéria da série sobre as eleições, a repórter Patrícia França traz uma análise sobre o cenário que se delineia na disputa pela Prefeitura de Salvador

jun
03
Posted on 03-06-2012
Filed Under (Artigos) by vitor on 03-06-2012


Demóstenes no plenário, onde será decidido seu futuro/ Foto: André Dusek/AE
======================================

DEU NO IG

Quarenta um senadores já decidiram que vão votar a favor da cassação do mandato do colega Demóstenes Torres (sem partido-GO), acusado de ser o braço político do esquema do bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.

O número é resultado da enquete feita pelo iG na semana passada. A reportagem ouviu 61 senadores de quarta-feira a sábado. Em casos de cassação, a votação tem de ser secreta, por isso a maioria dos senadores só aceitou declarar o voto se houvesse identificação por nome.

Veja aqui como foi o depoimento de Demóstenes Torres ao Conselho

Dos 61 senadores ouvidos pelo iG nenhum garantiu que vai poupar Demóstenes da cassação. Vinte senadores disseram que ainda não decidiram ou simplesmente não quiseram informar como vão votar. O iG não conseguiu falar com outros 20 senadores.

Antes de ser votada no plenário do Senado, a cassação do mandato de Demóstenes precisa ser aprovada pelo Conselho de Ética da Casa – onde o voto é aberto. Relator do caso do senador goiano, Humberto Costa (PT-PE) pretende apresentar o relatório esta semana.

Na terça-feira passada, depois de ouvir o depoimento de Demóstenes ao Conselho por mais de cinco horas, Costa afirmou haver “indícios suficientes” para cassar o mandato do colega goiano . “O Senado deve uma decisão antes do início do recesso”, disse.

Durante o depoimento, Demóstenes admitiu que ganhou um telefone Nextel do bicheiro Carlinhos Cachoeira e reconheceu ainda que a conta era paga pelo contraventor. O senador, porém, negou ter atuado a serviço de Cachoeira.

A maioria dos senadores não se convenceu e até adiantou publicamente o seu voto em penário. “Vou votar pela cassação”, disse a senadora Kátia Abreu (PSD-TO). “Minha posição e do PT são claras: pela cassação”, afirmou Walter Pinheiro (PT-BA), líder da bancada no Senado.

Na quinta-feira, Demóstenes foi chamado para prestar depoimentos à CPI do Cachoeira. Logo no início, ele requisitou o direito constitucional de permanecer calado, o que provocou um bate-boca entre o deputado Silvio Costa (PTB –PE) e o senador Pedro Taques (PDT-MT).

Costa atacou Demóstenes, acusando-o de demagogo e hipócrita. Disse ainda que o senador “não vai para o céu”. Taques interrompeu a fala do deputado e alegou que “qualquer cidadão merece ser tratado com dignidade”, como prevê a Constituição.

Alguns senadores acharam que o deputado tentou humilhar Demóstenes. “Vou votar tecnicamente, avaliar onde ele errou. Não vou cassá-lo só por ser amigo de bicheiro”, disse o senador Ivo Cassol (PP-RO), que não quis adiantar como deverá votar em plenário

===========================
Perfeita combinação de letra, melodia e interpretação. No domingo ou em qualquer de qualquer tempo.Cofira.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)


Carlos Araujo:o advogado ex-militante
—————————————————-
Dilma :”ela era muito bonita, a gente se amou rápido”

==================================

DEU NA COLUNA DE MÔNICA BÉRGAMO, NA FOLHA DE S. PAULO, REPRODUZIDA NO SITE CONTEÚDO LIVRE

‘Dilma foi o meu maior amor’

Ex-marido e grande amigo da presidente, Carlos Araújo fala de prisão, tortura e também de paixão: ‘Dilma é romântica e gosta de sonhar’

“Um café? Sim, quando você quiser, meu anjo.” E assim, no primeiro telefonema, e em menos de cinco minutos, foi possível marcar um encontro com o advogado trabalhista Carlos Araújo, 74, ex-marido de Dilma Rousseff. Uma semana depois, ele abria a porta de sua casa, à beira do rio Guaíba, em Porto Alegre, para uma entrevista.

De temperamento oposto ao da presidente, tira fotos, é filmado. “Pode, sim”, repete, a cada solicitação. “Olha, pode tudo. Aqui é liberdade total.” Só vacila uma vez: “O quarto do bebê [Gabriel, 1, neto dele e de Dilma]? Não, aí…” Esfrega a testa: “Olha, a minha filha [Paula] é brava. Ela é muito brava”.

Araújo continua a caminhar pela casa de quatro cômodos onde viveu com os pais, Afrânio e Marieta, já mortos, e depois com a presidente por 22 anos. “Quem vai levar uma bronca daquelas é a Dilma”, diz. Paula viajou para Nova York e deixou Gabriel com a avó em Brasília -com a recomendação expressa de que não fosse fotografado pela imprensa. “Mas a Dilma se entusiasmou, levou ele lá na porta do Palácio.”

Separados há 16 anos, ele e a presidente nunca se afastaram. “Ela que saiu daqui de casa. Sabe como é, a gente vai levando, eu não me separaria. Mas a Dilma tinha as razões dela. E depois eu a visitava, ela me visitava, a gente almoçava…” E a presidente comprou apartamento na rua do ex, “pra ficar pertinho, pra um proteger o outro”.

Até hoje, passam Natal, Réveillon e “os feriadões” que conseguem juntos -Dilma, a filha, o genro, o neto, o ex-marido e a arquiteta Ana Meira, com quem Araújo é casado pela quinta vez (ele tem dois outros filhos de outros relacionamentos). Na virada do ano, foram todos para uma praia na Bahia.

Os dois se conheceram em 1969, numa reunião do Colina, grupo guerrilheiro em que ela militava e ao qual ele queria aderir. Passaram a viver juntos, na clandestinidade, já no segundo encontro.

ELA ERA MUITO BONITA

“A gente se amou rápido. Existe amor à primeira vista? Foi isso. Ela era muito bonita. Muito bonita. Inteligente. Decidida. Nossas energias, nossas fantasias se combinaram ali. O nome dela [na clandestinidade] era “Vanda”. Eu era “Antero”. Sabia que era mineira, pelo sotaque, e ela, que eu era gaúcho. Mais nada.

Foi uma relação intensa. Uma noite, nós tivemos uma briga violenta, à 1h da manhã, numa rua movimentada do Rio, um gritando com o outro. Havia cartazes procurando a gente, e nós ali, correndo o risco de ser presos por uma briga afetiva.

Ela sempre foi muito brava, de personalidade forte -mas extremamente generosa e solidária. E é até hoje.”

Araújo sofre de enfisema pulmonar. Mesmo depois de separados, diz, Dilma sempre o cercou de cuidados. “Qualquer coisinha, já dava dura nos médicos.” Hoje, ele respira com o auxílio de máquinas de oxigênio. Não pode ir a Brasília por causa do ar seco. Recentemente, ficou internado. Mas não se arrepende de ter fumado por décadas. “Era um prazer imenso.”

Dilma foi presa em janeiro de 1970. Ele, em agosto. Neste período de separação forçada, Araújo teve um rápido romance com a atriz Bete Mendes, que também aderira à luta armada. Ele prefere não falar sobre isso. Estava com ela quando foi preso.

A TORTURA

” Fui preso pela equipe do [delegado Sérgio Paranhos] Fleury, no Dops. Me botaram no pau de arara, nu. Botavam fios nos dedos dos pés e das mãos, nos órgãos genitais, na língua, cabeça, orelhas. Ligavam aquilo na TV. Cada vez que passava de canal, era um pavor, pavor, pavor. Atiravam água e davam cacetada. Dói e parece que tu vai explodir. E o médico ali tirando a pressão pra ver se tu aguentava.

A pessoa, para torturar, ou é doente mental ou está animalizada. Pessoas que me torturaram se dopavam na minha frente, com injeção. Não tinham coragem, mas tinham que cumprir ordens.

Em geral, na literatura da esquerda, todos resistiram à tortura. Todos são heróis. E isso não é verdade, é ficção. Tem pessoas que aguentam mais, outras menos. Mas é insuportável. Acho que muitos morrem sem dizer palavra porque não têm o que dizer.

E o que acontece? As pessoas que vão ser torturadas não sabem que a tortura é praticamente irresistível e que elas vão precisar encontrar um mecanismo para amainar a situação. Nós não estávamos minimamente preparados. Toda pessoa, entre a dor continuada e a morte, prefere a morte. Porque é a forma de aliviar a dor.

Eu vi que não resistiria, que a dor era insuperável e que a única coisa digna que eu poderia fazer era me matar. Porque eu ia falar e entregar os meus companheiros.
Decidi: ‘Vou inventar [para os militares] um encontro com o [Carlos] Lamarca e me matar’. Enfermeiros passaram a noite me dando massagem para eu conseguir ficar de pé no dia seguinte. Na tortura, o físico desmorona.”

TENTATIVA DE SUICÍDIO

“No outro dia, me levaram a uma rua na Lapa. E eu comecei a vacilar. Dizia pra mim mesmo: ‘Bem que tu falaste ontem lá na tortura que tu ia chegar aqui e ia te acovardar e não te matar’. Aí comecei a pensar: ‘Quem sabe me atiro debaixo de um carro e não morro?’. Passou um fusca, veio uma Kombi. ‘É alto, pode ser que eu dê sorte’. E me atirei. Tô ali, um bolo de gente, e ouço o cara da Kombi: ‘Por que logo comigo, moço?’. Coitado, né? Decerto ia trabalhar e ficou desesperado.”

Dilma cumpriu pena em SP e ele, no Rio. Na cadeia, conheceu a sogra, Dilma Jane, que foi visitá-lo. “E aí nasceu uma amizade tão profunda que resiste ao tempo. Ela é brilhante, revolucionária. Pensa além de nosso tempo.” Araújo foi depois para o presídio Tiradentes, em SP, onde estava Dilma. As mães dos dois insistiram tanto que, “para se verem livres”, as autoridades os reconheceram como casal. “O [delegado] Romeu Tuma deu parecer como que abençoando a relação. Nossa certidão de casamento foi emitida pelo Dops.”

Dilma foi solta antes e passou a morar com os sogros em Porto Alegre, na casa onde Araújo vive até hoje. De lá, é possível avistar a Ilha do Presídio, para onde Araújo foi transferido logo depois. “Tá vendo aquele negócio verde ali? Ali, ó! Bem no meio do rio. Fiquei preso ali.”

Depois de libertado, e com a abertura, o casal passou a militar no PDT de Brizola. Puderam enfim ter uma vida (quase) normal. “Nós éramos militantes [Araújo foi deputado estadual]. Chegávamos em casa exaustos, às vezes tinha briga por causa de política. Mas era um casamento sem muito conflito.”

SONHAR JUNTO

“A Dilma é bastante romântica, sim. Gosta de música, de ficar junto, sonhando, pensando. Ah, não há dúvida: a Dilma foi o meu maior amor.”

VAIDADE

“Ela era pouco vaidosa. Foi ficando quando começou a ocupar cargos no Estado. Hoje gosta de se vestir… embora aquelas roupas que ela usa ali [risos]… São bonitas. Mas todo mundo fala que é sempre a mesma, né?” Em 2010, quando fez plástica, Dilma ligou para o ex: ‘Tu me leva lá? Fica lá comigo?’.”

Quando Lula passou a dar sinais de que seria candidata, Dilma chamou o ex-marido e a filha para jantarem num bistrô. “A Paula ficou perplexa também. Eu perguntei: ‘E tu te achas em condições de enfrentar essa parada?’. E ela: ‘Tranquilamente’. Esse negócio de dizer que a Dilma é poste, não gosta de política… Como não gosta se fez política a vida inteira?”

Quando Dilma revelou que estava com câncer, “foi um choque terrível”. “A gente acaba sendo meio irmão, sendo muita coisa ao mesmo tempo. Eu de certa forma sou a família da Dilma. Quem ela tem? A filha, a mãe e eu. E também ela será sempre a minha família. É impossível a gente pensar de outra forma.”

A assistente de Araújo o interrompe. “O embaixador João Carlos quer falar ao telefone.” Araújo atende: “Alô? Grande alegria, grande satisfação falar contigo, meu velho. Tu estás onde? Estamos com saudade de ti também. Tô louco para que tu venha para a gente se encontrar”. Desliga. “Ele vai trazer o [presidente do Uruguai José] Mujica aqui em casa, eu acho.”

Dias antes, Araújo havia recebido José Dirceu. Apesar da movimentação (“Ligam o dia inteiro atrás dele”, conta a assistente), Araújo diz que evita se envolver. “Tenho que ter um cuidado tremendo porque acham que o que eu falo é o que a Dilma pensa.”

Ele elogia a Comissão da Verdade. E critica a Lei da Anistia, “feita de cima para baixo”. “Assim como nós [militantes de esquerda] fomos julgados, todos deveriam ser. Somos uma democracia. Quero sublinhar que temos que respeitar o que está vigindo. Mas posso ter aspirações.”

Araújo acha que, por causa do neto, Dilma passará a visitar Porto Alegre com mais frequência. “Ela está encantada. Tá todo o tempo com ele no colo, brinca, pega na mão e anda por todo lugar. E ele pode tudo, tudo, tudo. Esse nunca vai levar bronca [de Dilma]. Esse vai dar bronca.”

jun
03
Posted on 03-06-2012
Filed Under (Artigos) by vitor on 03-06-2012


==================================
Simanca, hoje, no jornal A Tarde

  • Arquivos