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OPINIÃO POLÍTICA

No PT, barata voa

Ivan de Carvalho


Politicamente, o deputado Nelson Pelegrino, candidato do PT a prefeito de Salvador, não poderia ter pedido a Deus coisa mais inconveniente. E certamente não pediu, mas está recebendo, restando a dúvida quanto a se é mesmo de Deus ou não o presente. Pode-se, apesar de tudo, admitir a hipótese afirmativa, pois Pelegrino é reconhecidamente uma pessoa digna e de boa índole. Isto pode levar, afinal, à interpretação (não inquestionável, mas examinável) de que Deus está se esmerando em escrever certo por linhas tortas. E ponham-se linhas tortas nisso.

Apesar de contar com o apoio do maior partido na Bahia, que é o seu, e com a sustentação representada pelos governos federal e estadual, a candidatura de Pelegrino decola – sob o aspecto popular ou eleitoral, segundo sugerem pesquisas eleitorais de resultados reservados – com a agilidade de um jabuti. Mas não foi Deus que, direta ou evolucionariamente, não importa, criou o jabuti?

Pelegrino e seu partido vêm olhando de esguelha, durante meses a fio, para a incômoda, irritante e rebelde candidatura concorrente da deputada Alice Portugal, do PC do B – há anos o mais alinhado e amarrado aliado do PT e que agora decidiu, por questão de sobrevivência, romper as algemas nas cidades onde isso seja possível e conveniente.
Sem contar o deputado Marcos Medrado, que anuncia candidatura a prefeito, desiste para fazer acordo de apoio ao candidato petista, vem o partido, no caso e agora, o PDT, repõe o deputado, à força, no trono de candidato e fica esperando para ver se ele permanece lá ou sai outra vez e de que jeito.

Também não ajuda muito a decolagem de jabuti do candidato petista a falha geológica que se abriu no terreno governista com a decisão do PP de lançar candidato à prefeitura o deputado João Leão, do mesmo partido do atual prefeito, João Henrique, que todo mundo já sabe que pretende ser candidato a governador em 2014, até porque ele disso não faz segredo. Nem ele nem o pedetista Marcelo Nilo, presidente da Assembléia Legislativa. Só que este coloca sua postulação para 2014 como uma alternativa para a base política governista, mas ressalva que, de qualquer maneira, seu candidato a governador “será o candidato do governador Jaques Wagner”.

Mas voltemos ao presente referido lá nas primeiras linhas. Trata-se da hipótese da candidatura a prefeita da senadora e ex-prefeita Lídice da Mata, do PSB. Não é uma novidade, já estava aí como hipótese pensada, mas não admitida há meses, nos bastidores, ganhando visibilidade maior há algumas semanas, quando Lídice finalmente admitiu a hipótese, cheia de dedos e cautelas, enquanto o deputado estadual socialista Capitão Tadeu Fernandes insistiu no “se não ela, eu”.

Ontem, no entanto, foi bem diferente. A candidatura da senadora – verdadeiro abantesma para o PT e para a quarta tentativa de Pelegrino chegar à prefeitura – foi posta objetivamente, em entrevista ao site Política Livre. Lídice disse que seu partido estuda a possibilidade de apresentar sua candidatura. Revela que conversou com o presidente nacional da legenda, governador Eduardo Campos, deixando claro que ele lhe sugeriu disputar a prefeitura. E Lídice acrescentou que conversou também com o governador Wagner, deixando clara a intenção de “apresentar um projeto partidário para a cidade” – em linguagem corrente, isso significa que o PSB está doido para apresentar candidatura própria. Que, ela deixou claro, vai depender ainda de análises de conjuntura locais e nacionais.

O fim de semana no PT vai ser de barata voa. E muito pior seria se as oposições se houvessem unido.
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