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Postado em 26-05-2012
Arquivado em (Artigos) por vitor em 26-05-2012 14:13


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http://youtu.be/EmlSXLO1KbE

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CRÔNICA

Eu, Donna Summer e os Bee Gees

Janio Ferreira Soares

Embora muitos dos nascidos na década de 80 saibam, é sempre bom lembrar que houve um tempo em que a música baiana era feita de ederaldos, batatinhas, rauls e pretas pretinhas; os telefones eram fixos; computador só em filmes de ficção; os amigos eram reais; e toda nudez era analógica e ficava arquivada apenas na memória de quem a via, consequentemente sem nenhuma chance de alguém encontrar por aí seu próprio peito balançando nas redes mundiais (é pena que muitos desses acontecimentos se perderam nas cavernosas conexões cerebrais e infelizmente não dá mais para recuperá-los, digitalizá-los e mandá-los de volta para uma espécie de grandesmomentodaminhavida@nuncamais.com.saudades).

Nessa época as discotecas dominavam a cena e eram as principais diversões da moçada, aí incluindo as famosas Hippopotamus e Papagaio – que funcionavam nas grandes capitais – e as amadoras, que rolavam em qualquer salão ou garagem onde se pudesse pendurar uma luz negra e uma estroboscópica, que assim se transformavam em locais perfeitos para um face to face sob os auspícios da maviosa voz de Barry White sugerindo algum tipo de upgrade anatômico.

Aqui em Paulo Afonso não foi diferente e a febre das boates pegou até este locutor que vos fala que, convidado por amigos para fazer o som numa festa beneficente, se empolgou e ficou uns dois anos entre akais, cubas libres e Fly Robin Fly.

Pouco antes das mortes de Donna Summer e de Robin Gibb (do Bee Gees) eu estava arrumando uns discos e encontrei no meio deles um pedaço de papel onde anunciava uma “Sensacional festa na Sede dos Bandeirantes ao som de Janio’s Tapes!”. O ano e a data estavam rasgados, mas seguramente era um sábado qualquer entre 75 e 77, dia perfeito para colocar no velho Garrad-Gradiente algum vinil dessa turma que fazia a pista ferver com músicas que, ao contrário das bate-estacas atuais, serviam para dançar, decorar e até arriscar umas notas embaixo do chuveiro antes de sair para a noite à caça de alguma menina que certamente Barry White ajudaria a levar pra casa.

Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura, Turismo e Esportes de Paulo Afonso, na margem baiana do Rio São Francisco

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