Borges e Wagner: amigos outra vez graças ao BB

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Entrevista exclusiva do ex-governador carlista , Cesar Borges, publicada esta segunda-feira (21) no jornal Tribuna da Bahia, que está nas bancas.

OSVALDO LYRA

EDITOR DE POLÍTICA

Longe da mídia desde a derrota na última eleição para o Senado, o agora vice-presidente de Governo do Banco do Brasil, César Borges, admite conversar com o governador Jaques Wagner, deixando a oposição na Bahia ainda mais fragilizada. Em entrevista exclusiva à Tribuna, ele diz que está aberto ao diálogo e que a ida para o governo Dilma, do PT, não condiciona o apoio do PR ao pré-candidato petista, Nelson Pelegrino

Tribuna da Bahia – Desde que perdeu a última eleição, o senhor sempre evitou falar com a imprensa. Isso foi uma estratégia de guerra?
César Borges – Não, de forma nenhuma. Eu acho que a gente tem que estar sempre disponível para falar com a imprensa, mas só se deve falar quando, efetivamente, você tem o que dizer. Eu acho que só devo me relacionar, falar com a imprensa e para todo o público leitor em um momento que me procuram e que posso esclarecer posições da vida política, empresarial e administrativa do Estado, do Brasil e da nossa cidade.

Tribuna – Agora, vice-presidente do Banco do Brasil, como avalia o seu retorno à cena política?

Borges – Na verdade, não é um retorno à cena política. Eu nunca saí da cena política porque tinha o mandato de senador, disputei a eleição de 2010, os resultados das urnas não foram favoráveis, entretanto, eu continuei presidente do Partido da República da Bahia e isso sempre me manteve na cena política. Agora é um outro momento onde fui convidado pela presidente Dilma para ocupar um posto de relevância na estrutura do Banco do Brasil. Nós vamos ter uma função administrativa no BB e vamos manter, também, a nossa atividade política, como dirigente do PR em nível estadual.

Tribuna – Qual a sua meta à frente do BB?

Borges – É possível ter uma noção da importância desse banco. Bicentenário, maior e mais importante banco da América Latina, detém mais de 25% dos depósitos e do crédito de todo o país e é um banco que tem mais de 110 mil funcionários, mais de 50 milhões de clientes, mais de cinco mil agências, 60
mil pontos de atendimentos no país, portanto muito importante para qualquer política pública do ponto de vista econômico, do desenvolvimento do país, das atividades empresariais. A minha área específica, no Banco do Brasil, é aquela que diz respeito aos governos federal, estaduais e municipais e, também, os poderes Legislativo e Judiciário. Toda essa área tem as suas negociações, depósitos, fundos, remuneração de fundos, folhas de pagamento com a vice-presidência de Governo. Essa é a vice-presidência que passei a exercer desde a última semana.

Tribuna – A sua indicação para o Banco do Brasil foi uma decisão pessoal da presidente Dilma ou teve alguma interferência do partido?

Borges – Eu recebi o convite da presidente Dilma e, talvez, não tenha falado à imprensa nessa última semana pelo fato de que caberia a ela divulgar a conversa privada que nós tivemos. Não me achei à vontade para divulgar qualquer informação antes que as coisas acontecessem, pois existem algumas precauções pelo Banco do Banco ser uma empresa de economia mista e ter ações na Bolsa de Valores. Foram exatamente esses cuidados que fizeram com que eu não tivesse o prazer de dar uma entrevista, antes, ao nosso querido repórter que está me entrevistando, meu amigo Osvaldo Lyra.

Tribuna – O governador Jaques Wagner deu o aval à ida do senhor para o BB?
Ele incentivou um contato do senhor com a presidente Dilma nesse processo?

Borges – Apenas o governador Jaques Wagner, que sempre tem comigo uma relação cordial, independente das posições políticas, poderia lhe responder essa pergunta. Eu não sei se ele teve ou não esse contato com a presidente Dilma. Eu acredito que ele sempre deve ter contato com ela, mas não exatamente tratando desse tema. Eu, na verdade, fui contatado pela própria presidente, que me chamou no Palácio do Planalto, me fez o convite e conversamos demoradamente. Uma conversa muito agradável, e foi assim que aconteceu o fato. Eu não sei se ela fez ou não consultas a quem quer que seja e ao governador Wagner. Eu acho que, pela relação partidária que eles têm, acredito que ela deva participar ao governador, mas é uma dedução, eu não tenho nenhuma convicção sobre isso.

Tribuna – A ida do senhor para o governo federal lhe aproxima do governo Wagner, aqui na Bahia?

Borges – Não há essa relação direta, mas eu não tenho dúvida que, no momento em que eu chegue ao governo federal, a presidente Dilma sendo do partido do governador, sempre vai ter uma conversação. E tem que manter esse diálogo mais permanente do que anteriormente porque o PR era de oposição. Ressalto que toda a imprensa sempre acompanhou, sempre foi uma posição de oposição construtiva e não destrutiva ou contra os interesses da Bahia. Sempre uma oposição procurando somar e externar as preocupações com relação ao destino do Estado. Estando no governo federal, acredito que as nossas relações se estreitam efetivamente.

Tribuna – Qual o caminho que o PR vai tomar? Como o partido vai se posicionar a partir de agora?

Borges – Política é destino, é conversa, nós estamos abertos, não há nenhuma dificuldade em conversar com qualquer setor político da Bahia, sobretudo com o governador Jaques Wagner. Eu tenho mantido essa postura porque eu acho que não devemos ter inimigos políticos, eventualmente podemos ter adversários. Adversários podem compor desde que se ponham em primeiro lugar os interesses públicos e partidários. Eu tenho conversado com todas as forças políticas que têm me procurado para trocar ideias sobre o momento político atual, que é da sucessão municipal dos municípios baianos, com mais destaque para a cidade do Salvador. Eu tenho conversado com vários postulantes a candidatos ou presidentes de partidos. É claro que, entre eles, se encontra o próprio PT, o próprio governador Jaques Wagner. Não há nenhuma dificuldade, eu acho que o tempo do patrulhamento ou do estigma de que você não conversa com A ou com B já foi superado na política baiana.

Tribuna – Acredita que uma decisão do senhor e do PR de aproximar-se do governo estadual vai conseguir levar também os deputados na Assembleia?

Borges – Uma aproximação se dá a partir de um convite, você não se oferece, há um convite. Se houver essa vontade do governo, nós conversaremos normalmente, e qualquer convite, qualquer conversação eu procurarei repassar para os companheiros de partido para tomarmos uma decisão colegiada. Os deputados federais, estaduais, vereadores, prefeitos e companheiros de partido serão todos ouvidos. Mas, eu sei que, para você construir um consenso completo, dentro de um partido, é muito difícil. Nós vamos respeitar posições individuais que eventualmente existam, isso é democrático e procurarei conduzir, assim, qualquer decisão que venha a tomar, dentro do partido, na direção que o partido deva caminhar.

Tribuna – O senhor falou que não houve nenhum tipo de conversa sobre espaços porque o convite ainda não partiu, obviamente, do governo…

Borges – Não chegou a esse nível de conversa. Não posso adiantar nada porque, efetivamente, não existiu esse tipo de conversa.

Tribuna – Como o PR vai se comportar aqui em Salvador?

Borges – Em Salvador, a grande preocupação não é de governo ou oposição, eu acho que essa é uma dicotomia equivocada. O que Salvador tem que ter é um projeto bom, pois a cidade está vivendo um momento difícil. É unanimidade que a cidade precisa de muito apoio, seja do governo estadual ou federal, mas, principalmente, que o próprio município faça o seu papel. O poder público municipal é o condutor, é o responsável maior e não pode transferir a responsabilidade nem para o governo do Estado e nem para o governo federal. Por isso, eu quero ver o melhor projeto para Salvador, aquele que possa somar mais esforços, que possa nos assegurar um futuro que resolva os problemas graves na área da mobilidade urbana, da segurança. É muito bom quando essas esferas todas se juntam em um único projeto para servir à cidade.

LEIA INTEGRA DA ENTREVISTA DE CÉSAR BORGES NA EDIÇÃO IMPRESSA DA TRIBUNA DA BAHIA QUE ESTÁ NAS BANCAS.

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