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Postado em 18-05-2012
Arquivado em (Artigos) por vitor em 18-05-2012 23:30

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Deu no Público (Portugal)

Durante mais de uma década, a voz de Warda al-Jazairia não se ouviu porque o marido a proibira de cantar. Retomou a carreira em 1972 depois do divórcio que a levou para os braços de um grande compositor a quem deve o apogeu. Hoje, a diva argelina da música clássica árabe calou-se para sempre. Depois de mais 300 canções de patriotismo e amor, o seu coração parou subitamente aos 72 anos.

De seu nome verdadeiro Warda Fatouki, a cantora mas também atriz que os fãs conheciam por Warda al-Jazairia (rosa argelina) ou apenas por Warda, nasceu em Puteaux, na região de Paris, em 1940, filha de uma libanesa e de um argelino. Foi num clube do pai, no Quartier Latin, aos 11 anos, voz possante, expressivos olhos castanhos e elegância nos gestos, que começou a chamar a atenção, entoando versões dos lendários egípcios Umm Kulthoum (aclamada como “rouxinol do Cairo”), Mohammed Abdelwahab e Abdelhalim Hafez. O seu apoio à Frente Nacional de Libertação (FLN) durante a guerra da Argélia forçou-a a deixar a França, em 1958.

Refugiada, primeiro, em Rabat (Marrocos) e depois em Beirute (Líbano), Warda decidiu mudar-se para o Egito, onde teve lições com os mestres que emulava. Ganhou fama com uma magistral interpretação de “al-Watan al-Akbar” (A pátria maior), hino patriótico composto por Wahhab. Em 1962, voltou à Argélia para celebrar a independência e casar-se. O marido confinou-a à casa e ela só voltou a atuar em 1972, quando o então presidente, Houari Boumediène, a convidou para retomar os palcos. O povo emocionou-se quando a ouviu cantar “Min Baide” (De longe), um louvor à nação livre.

A aceitação do convite conduziu ao divórcio. De regresso ao Egipto, onde fixou residência, Warda conheceu Baligh Hamdi, compositor célebre, que se tornou segundo marido e artífice de uma carreira brilhante na música (agora feita de originais) e no cinema. Este casamento também fracassou mas não a parceria artística, com êxitos memoráveis como “Harramt ahebbak” (Não me é permitido amar-te). Para o estrelato, que ultrapassou as fronteiras linguísticas e musicais do Magrebe e do Mashreq, contribuiu também muito o mentor tunisino Sade Thuraya.

Nos anos 1990, para atrair gerações mais novas, Warda começou a misturar o clássico com a sonoridade pop. Um dos seus maiores êxitos foi “Batwanis beek”, uma melodia de amor com diferentes significados nos vários dialectos árabes. No Egito, por exemplo, é traduzida como “Passei um momento bom contigo”; no Iraque, por lhe ter sido atribuído um pendor fortemente sexual, foi proibida de passar nas rádios.

Admiradora de Gamal Abdel Nasser e dos seus ideais pan-arabistas, Warda nunca perdeu esse fervor nacionalista. “El Ghala”, uma das suas canções, de um repertório que vendeu mais de 100 milhões de discos em todo o mundo, tornou-se controversa. Era um elogio da família de Maomé, o profeta do islão, mas também da de Muammar Khadafi, o líder líbio entretanto deposto e assassinado por uma rebelião. Essa canção fez com que Anwar Sadat a banisse do Egipto durante três anos. A proibição só foi levantada graças à intervenção de Jehane, a mulher do presidente.

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