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Ao contrário do que se imaginava até o início deste mês, a Comissão da Verdade não terá alguns nomes considerados emblemáticos na luta contra crimes políticos durante o regime militar. Dos sete nomes confirmados pela presidenta Dilma Rousseff (PT) na noite desta quinta-feira (10), apenas um figurava na lista de prováveis membros da Comissão da Verdade.

O diplomata Paulo Sérgio Pinheiro foi o único “acerto” das apostas de especialistas em Direitos Humanos. Pinheiro foi relator do Conselho de Direitos Humanos da ONU para o Myanmar/ Burma e desde o início do ano era dado como certa a sua indicação para a Comissão da Verdade.

A lista da presidenta Dilma excluiu personagens considerados “emblemáticos” como o ex-ministro de Direitos Humanos, Nilmário Miranda ou o cardeal Dom Evaristo Arns. Também eram apontados como possíveis integrantes da comissão Clarisse Herzog, mulher de Vladimir Herzog e Vera Lucia Facciolla Paiva, filha do ex-deputado Rubens Paiva, cujo mandato foi cassado pelos militares. Outra ausência foi a do idealizador da Comissão da Verdade e ex-ministro da Secretaria de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi.

Entre os sete membros da Comissão da Verdade, a que teve uma luta mais destacada contra o regime foi advogada Rosa Maria Cardoso da Cunha. Ela especializou-se na defesa de presos políticos durante a ditadura. Os outros membros tiveram participações consideradas apenas pontuais contra o regime, como o também advogado José Carlos Dias. Dias foi um dos signatários da Carta aos Brasileiros, redigida em 1977, na faculdade de Direito da USP, repudiando a Ditadura Militar.

A falta de um grande “símbolo da luta contra a ditadura” na prática dá um caráter mais técnico à Comissão da Verdade. Dos sete membros, cinco são ligados ao Poder Judiciário. Um deles é ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e atualmente responsável pela maior revisão já vista no Código Penal Brasileiro. De quebra também afasta a alcunha de uma comissão “totalmente esquerdista”.

Também chama a atenção o fato da Igreja Católica não ter tido um representante oficial na Comissão. No início da composição da Comissão da Verdade, a presidenta tinha a intenção de incluir ao menos um integrante da Igreja.

A Comissão da Verdade foi criada em 18 de novembro do ano passado, por meio da lei 12.528 e tem como objetivo “esclarecer as graves violações de direitos humanos” praticadas durante o Regime Militar. Ela tem dois anos para apresentar um relatório contendo o resultado das investigações. Todo o acervo elaborado pela comissão será encaminhado para o Arquivo Nacional e integrará o projeto Memórias Reveladas.

Ela será instalada oficialmente na quarta-feira da próxima semana, dia 18, quase seis meses após sua criação. A comissão não visa à punição de crimes cometidos durante o regime militar. O lançamento da Comissão da Verdade contará com a presença dos ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso (FHC), José Sarney, Fernando Collor e Luiz Inácio Lula da Silva.
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Veja abaixo mais detalhes sobre os sete membros da Comissão da Verdade.


Maria Rita Kehl

José Carlos Dias
Nascido em 1939, José Carlos Dias é graduado em direito pela Universidade de São Pulo (USP) e foi presidente da Comissão de Justiça e Paz de São Paulo, foi secretário de Justiça durante o governo de Franco Montoro e ministro da Justiça do tucano Fernando Henrique Cardoso. O ministro foi demitido por FHC após criticar o então secretário antidrogas Walter Maierovitch por ter antecipado a realização de uma operação contra o tráfico. Atualmente, Dias exercia o cargo de conselheiro da Comissão de Justiça e Paz. Dias foi um dos signatários da Carta aos Brasileiros, redigida em 1977, na faculdade de Direito da USP, repudiando a Ditadura Militar. Dias também foi advogado de presos políticos e atuava diretamente na Justiça Militar, durante o regime. Nos últimos anos, Dias também vem trabalhando em favor das minorias como grupos homossexuais.

Gilson Dipp

Foi considerado em 2009 um dos 100 brasileiros mais influentes, o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) é considerado um juiz rigoroso em suas decisões. Em 14 de abril, por exemplo, ele negou liminar impetrada pela defesa de Carlinhos Cachoeira pedindo a defesa do bicheiro. Ele está no STF desde 2008. Atualmente, ele tem como maior missão a reforma no Código Penal brasileiro. No novo Código estão sendo estudados atos ligados ao aborto, criminalização do enriquecimento ilícito.

Cláudio Fontelles

Procurador-geral de República entre 2003 e 2005, Fonteles atuou no movimento político estudantil como secundarista e universitário e foi membro grupo Ação Popular (AP) que comandou a União Nacional dos Estudantes (UNE) na década de 60. É considerado um homem de centro.

Rosa Maria Cardoso da Cunha

Hoje com 65 anos e dona de um escritório de advocacia, Rosa Maria Cardoso da Cunha foi advogada da presidenta Dilma Rousseff (PT) durante o regime militar e também de Carlos Franklin Paixão de Araújo, ex-marido da petista. Especialista em defender presos políticos, constantemente era alvo de revistas vexatórias dos militares. Houve ocasiões em que precisou ficar completamente nua na frente dos militares antes da visita de alguns de seus clientes, normalmente líderes da esquerda.

José Cavalcante Filho

Filho de um ex-militante comunista e escritor, Paulo Cavalcante, José Cavalcante Filho é advogado e considerado um homem com uma boa formação em direitos humanos. Viveu na pele as consequências do regime miliar já que seu pai foi perseguido pelos militares. Foi ministro interino da Justiça e ex-secretário-geral do ministério da Justiça no governo José Sarney. É consultor da Unesco e do Banco Mundial. Foi presidente do Conselho de Administrativo de Defesa Econômica (Cade) entre 1985 e 1986.

Paulo Sérgio Pinheiro

Diplomata, Paulo Sério Pinheiro é considerado o homem da “experiência internacional” da Comissão da Verdade e tem uma formação sólida em causas ligadas aos Direitos Humanos. Professor da Universidade de São Paulo (USP), Pinheiro foi secretário especial de Direitos Humanos no governo Fernando Henrique Cardoso. Participou do grupo de trabalho nomeado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva responsável por preparar o projeto da Comissão da Verdade. É Relator da Infância da Comissão Interamericana de Direitos Humanos.

Maria Rita Kehl

Psicanalista, cronista e crítica literária. Foi editora do jornal Movimento, um dos mais importantes entre as publicações alternativas que circularam durante o período militar. Trabalhou nos principais veículos de comunicação do país. É autora de seis livros e vencedora do Prêmio Jabuti. É apontada como mulher com grande compromisso na defesa dos Direitos Humanos.


( Com informações da Agência Brasil )

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Comentários

vangelis on 11 Maio, 2012 at 10:20 #

E o Toinho Malvadeza, mesmo do outro lado, vai emplacar seu menino César Borges na Vice-Presidência do Banco do Brasil…
AVE CÉSAR!!!


rosane santana on 12 Maio, 2012 at 10:35 #

Aí está o porquê da nomeação de César, Vangelis.

Júnia Gama / Correio Braziliense

O Palácio do Planalto dá sinais de preocupação com o depoimento que o ex-diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) Luiz Antonio Pagot poderá prestar à CPI do Cachoeira Ontem, lideranças do PR, partido ao qual Pagot era filiado até cerca de um mês atrás, estiveram no Planalto para
discutir o assunto

Durante a conversa, ministros palacianos foram avisados de que Pagot será convocado à comissão para prestar esclarecimentos sobre denúncias que fez em entrevistas contra dirigentes do PR…


vangelis on 12 Maio, 2012 at 12:42 #

Amiga, vai muito mais além do Pagot(piada pronta, o “homi” do pagou, pagou e não comeu). Pior entrave do que o Pagot era o Sergio Oliveira, esse sim, que batia de frente contra as políticas econômicas do Mantega, e queria ter o controle do fundo de pensão dos funcionários-Previ onde os funcionários associados e beneficiários não tem voz e nem vez, lá é onde está a força da grana. Os demais Presidente e Vices tem coluna de molusco especialmente o Cafarelli, que substituiu, no escândalo do mensalão, o Henrique Pizzolato, o cara que alimentava a DNA Propaganda(do Marcos Valério, outra piada pronta alimentar o DNA com grana) com o granulário da Visanet (empresa de controle de cartões onde o maior cotista era o BB junto com o Bradesco, agora se chama Cielo, outra piada Céu em italiano, negócio de máfia) autorizado por Luiz Gushiken e Cássio Casseb. A voracidade dos Petralhas ao chegar ao poder pode ser chamada de pantagruélica.
É por isso que o Boris Casoy canta o Funk: “Tá Tudo Dominado”.

http://www.youtube.com/watch?v=INC_-TtmJO8

http://www.youtube.com/watch?v=SQ-AvTNbUXU


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