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OPINIÃO POLÍTICA

A Bahia e a relatividade

Ivan de Carvalho

Quem for muito pouco versado em economia – meu caso – pode até ficar feliz com a notícia segundo a qual o Plano Plurianual do governo federal para o período 2012 a 2015 destina à Bahia a respeitável quantia de R$ 19 bilhões. Parece até uma quantia bonita, se não nos lembramos de Albert Einstein, com a sua até hoje não desmontada Teoria da Relatividade.

Pois é, as coisas neste Universo que habitamos são relativas, relacionadas umas às outras, não há como avaliá-las de modo absoluto. E quanto a Deus, que é Absoluto, não temos como avaliá-lo.
Relativizar é a maneira de avaliar as coisas, de lhes atribuir – desculpem a redundância – o real valor. No caso em foco – e perdoem o trocadilho, que faço em homenagem ao colega e amigo Alex Ferraz – um valor em real.

Garimpando dados do Ministério do Planejamento, a oposição na Assembléia Legislativa descobriu esses R$ 19 bilhões destinados à Bahia no Plano Plurianual do governo federal. Ora, vários deputados estaduais da oposição voltaram há poucos dias de Pernambuco, aonde foram a convite do governador de lá, Eduardo Campos, do PSB, que é um não declarado, mas evidente aspirante a presidente da República (mais discreto do que ele, o governador baiano Jaques Wagner também é, mas no caso dele com muito mais cautela por ser do mesmo partido da presidente Dilma Rousseff e do ex-presidente Lula, os dois “candidatos naturais” do PT).

Bem, quando viram nos dados do Ministério do Planejamento os R$ 19 bilhões destinados à Bahia, esses deputados pensaram logo em Pernambuco e nas maravilhas que dizem ter visto por lá – embora eles não tenham afinidade política ou ideológica com o governador Eduardo Campos.
Bem, o Plano Plurianual que destina R$ 19 bilhões à Bahia em três anos destina a Pernambuco R$ 42 bilhões. Isto é, o dobro e mais R$ 4 bilhões. Aí, pela relatividade que dá a medida de todas as coisas, destinou o governo federal uma ninharia à Bahia, em relação a Pernambuco, ainda que considerando que os dois Estados fossem exatamente iguais.

Mas não são. A população baiana, de acordo com a estimativa do IBGE de 2011 (feita tomando como base o Censo de 2010, bem recente, portanto), é de 14 milhões e 97 mil pessoas. A de Pernambuco é de 8 milhões 864 mil pessoas. Em síntese: mais do dobro do dinheiro para perto de três quintos da população.

Há, no entanto, outro dado. A área territorial da Bahia, 564mil 692 km2, onde os R$ 19 bilhões devem ser aplicados é quase cinco vezes menor que a de Pernambuco, de apenas 98 mil 311 km2. Não estou sugerindo que Pernambuco esteja recebendo mais do que precisa, pelo contrário, precisaria de mais ainda. O problema é que a Bahia, relativamente a Pernambuco – que aqui nos serve apenas como unidade de medida – está terrivelmente prejudicada nesse Plano Plurianual do governo do PT. E note-se que tem a Bahia um governo do PT, enquanto Pernambuco não, se fosse correto esse antiético argumento, com gosto de chantagem, mas tão frequentemente usado há décadas e cada vez mais no país.

Em tempo: se no Orçamento Geral da União deste ano de 2012 teve o governo federal a covardia – eu nunca diria coragem nesse caso – de cortar R$ 5 bilhões do setor de Saúde, nada nos garante que alguns dos R$ 19 bilhões do Plano Plurianual destinados à Bahia não sejam cortados.

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