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CRÔNICA/TEMPO

Cambalache, efeitos do século XX !

Maria Aparecida Torneros

Já se passaram 12 anos que ele se foi… balela…porque o tal século XX segue com seus efeitos sobre nossas cabeças pensantes e nossas almas inquietas. Eta período conturbado… guerras grandes, mundiais, frias, econômicas, do petróleo, da ambição, das falcatruas, dos avanços tecnológicos, das redes sociais em organização, da internet, das mentiras, das verdades, dos amores livres, da pílula anticoncepcional, da mini saia, dos Beatles, da hegemonia de povos sobre a decadência de outros povos, do empobrecimento da Europa, da ascensão quase silenciosa da China Continental, das Koreas, dos tufões, dos vulcões, dos novos prêmios Nobel da Paz, da Ciência e da Literatura. Um século que se perpetua para ser digerido ainda…

O tango Cambalache, para mim, resume bem essa época em que a humanidade se encontrou e se perdeu na própria descoberta de seu caminho integrador e progressista. A sede ou a corrida do ouro que é a qualidade de vida, a saúde , a educação, o respeito à diversidade, a preservação da Terra, planeta que tenta se sustentar apesar dos efeitos estufas, da poluição e da ganância devastadora do meio ambiente.

Volto a ouvir Cambalache, em penitência saudável para me re-conscientizar do quanto a minha geração pós-segunda guerra pôde absorver um conteúdo variado de valores que nos foram impostos em prateleira cultural e financeira, sob a égide de um consumismo alienante ou talvez estimulante para que as nações sobrevivam, em tempos de movimentação de capital flutuante e classes sociais emergentes ou naufragantes.

Século de cinema de Hollywood, suas grandes estrelas, seu glamour inegável, as figuras que nos encantaram de sonhos de amor e de ascenção social.
Um século problemático e febril como descreve o tango, que nos convida a repensar que é o mesmo ser honrado ou ladrão…
Vejamos, ouçamos, reflitamos, ousemos nos colocar de fora…

Difícil, sim, quase impossível, em memo aos efeitos dos cem anos de solidão acompanhada de perplexidade, tensão, alegrias e copas do mundo do futebol brasileiro ou olimpíadas dos esportes mundiais propagandeando marcas, valorizando passes, movimentando grana preta ou branca, em vai-e-vem frenético.

Saudades dos subúrbios do século XX, tão diferentes das comunidades do XXI… havia famílias e solidariedade em grau de sinceridade e afeto de tal forma que seria possível sentir-se querido e amado em cada esquina sem ser roubado ou aviltado…nostalgia pura… evidente que há solidariedade e programas sociais no XXI… em larga escala, em ONGS atuantes, em perseguição à igualdade de oportunidades. Não podemos desmerecer o trabalho em prol dos povos sofridos que tantas organizações empreendem hoje, apesar dos pesares, contra tudo e contra todos.

Criaturas que se movem em torno de causas, leilões beneficentes, como o da semana que vem, por exemplo, em que a brasileira rica Lily Safra, com suas jóias na Crhistie de Londres, vai doar todo o montante arrecadado para instituições de caridade e até uma cidade baiana de 25 mil habitantes será contemplada para obras de saneamento básico.

Há salvação , claro, nada está perdido… apenas não custa repensar sobre o tempo em que vivemos e seus efeitos em cascata, em cachoeiras, em corrupção e baixo caráter, em desrespeito e lamento…

Merengue, melange, mistura, confusão, ser direito ou traidor? tudo é igual? como canta o tangueiro, “outra afana en su ambición”, calma, minha gente, há leis, há passeatas, há primavera árabe, um jeito de dar-se um jeito, e uma copa para brindar à salvação da lavoura… ainda temos 88 anos pela frente para dar a volta e mudar a cara da humanidade no século XXI…

Maria Aparecida Torneros , escritora, jornalista e blogueira, mora no Rio de Janeiro

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