Neiva Moreira: exemplo internacional de jornalista e político…
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…nascido na Nova Iorque do Maranhão

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Morreu em São Luís do Maranhão, na madrugada desta quinta-feira (10), o jornalista, editor e ex-deputado federal pelo Partido Democrático Trabalhista (PDT, partido que ele ajudou a fundar ao lado de Leonel Brizola), José Guimarães Neiva Moreira, de 94 anos. Neiva Moreira, figura exemplar tanto no jornalismo quanto no parlamento, estava internado no Hospital UDI, na capital maranhense, desde o dia 31 de março. Morreu de insuficiência respiratória.

Neiva, como era chamado por seus amigos mais próximos, parentes e companheiros nas duas atividades que ele exerceu, plena e intensamente, com espírito de cidadão do mundo, mas principalmente de “homem da América Latina (foi ele o criador e editor durante anos dos Cadernos do Terceiro Mundo ) nasceu irônica e emblematicamente no município de Nova Iorque, no interior do Maranhão. Jornalista reconhecido internacionalmente , foi presidente nacional do PDT, líder na Câmara por duas vezes e presidente da Comissão de Relações Exteriores.

O corpo de Neiva Moreira será velado na Rua dos Afogados, no Centro de São Luís do Maranhão. O sepultamento será no Cemitério do Gavião, às 16h.

Saiba mais

Nascido em 10 de outubro de 1917, em Nova Iorque, município localizado a 496 quilômetros de São Luís, na região leste maranhense, Neiva Moreira ficou órfão de pai aos seis anos. Mudou-se então com a família para Barão de Grajaú, onde fez o primário. Já em Floriano (PI) iniciou o curso ginasial, continuando-o no Liceu Piauiense, de Teresina, e no Liceu Maranhense, de São Luís.

Ajudou, desde garoto, na subsistência familiar, vendendo bolos, remando canoas no Rio Parnaíba e como cobrador da Associação dos Empregados do Comércio de Floriano, cidade onde deu os primeiro passos no jornalismo, na redação do jornal estudantil A Luz. Em 1932 mudou-se, com a mãe e os irmãos, para Flôres (atual Timon). Em Teresina, ao mesmo tempo em que estudava, fundou e dirigiu, com Carlos Castelo Branco (o Castelinho, do Jornal do Brasil, um dos mais completos articulistas políticos do País), o jornal A Mocidade.

O portal G1-Maranhão registra no obituário: No início de 1942 Neiva Moreira viajou para o Rio de Janeiro, trabalhando como repórter free lancer, no Diário de Notícias, Diário da Noite, O Jornal e da revista O Cruzeiro, então o mais prestigioso semanário nacional, e ali fez brilhante carreira de repórter político, destacado para diversas missões no Brasil e no exterior. Ainda no Rio de Janeiro colaborou em A Vanguarda, O Semanário, e fundou O Panfleto.

Em abril de 1950 voltou a São Luís para fundar o Jornal do Povo, do qual se tornou proprietário em outubro de 1952. No jornal, tornou-se, desde a fundação, o maior porta-voz das oposições maranhenses, assim como conferiu a seu dirigente e principal redator a posição de mais importante líder político de São Luís. Nesse mesmo ano de 1950, foi eleito deputado estadual, com votação consagradora, notadamente do eleitorado da capital, iniciando uma carreira que lhe conferiu, a contar de 1954, três mandatos consecutivos de deputado federal. Por sua atuação em diversas comissões, na liderança da Minoria, na Frente Parlamentar Nacionalista e na Mesa da Câmara, Neiva Moreira projetou-se como um dos mais combativos e admirados parlamentares brasileiros. Desempenhou papel fundamental na transferência da Câmara dos Deputados para Brasília.

Atuação política

Ex-presidente nacional do PDT, Neiva Moreira já liderou a bancada do PDT na Câmara dos Deputados por duas vezes, além de ter sido presidente da Comissão de Relações Exteriores da Casa. Ex-deputado estadual pelo antigo Partido Social Progressista (PSP) de 1951 a 1955, o maranhense é um dos políticos que mais tempo passou na Câmara Federal, tendo mandatos efetivos nas legislaturas de 1955-1959; 1959-1963 e 1963-1964 [todos pelo PSP]. Já pelo PDT, ele assumiu mandatos de 1993-1994 (Congresso Revisor); 1997-1999; 1999-2003 e de 2003-2007.

Licenciou-se do mandato de Deputado Federal, nas Legislaturas 1999-2003 e 2003-2007, para assumir o cargo de Secretário Extraordinário Municipal de Assuntos Políticos de São Luís. Assumiu, como suplente, o mandato de deputado federal, na Legislatura 1991-1995, em virtude do licenciamento do deputado José Carlos Sabóia. Assumiu e foi efetivado no mandato de deputado federal, na Legislatura 1995-1999, em 3 de janeiro de 1997.

No início de 1961 ele aproximou-se do ex-governador do Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, Leonel Brizola, com quem passou a percorrer o país pregando as reformas de base do presidente João Goulart e articulando as chamadas forças nacionalistas. Por sua atuação no Congresso, quando era um dos líderes da Frente Parlamentar Nacionalista (FPN), teve seu mandato de deputado federal cassado em 9 de abril de 1964, através do Ato Institucional nº 1.

Moreira foi preso e depois obrigado a exilar-se na Bolívia, de onde depois se mudou para o Uruguai, para, novamente com Brizola, organizar a resistência à ditadura, que se prolongaria por 20 anos. Nesse período ele ajudou a organizar movimentos sociais em vários países da América Latina e África.

Nesse período ele ajudou a fundar a Cadernos do Terceiro Mundo, revista de cunho político e social, ao lado de jornalistas uruguaios e argentinos. Com a implantação da Anistia, em 1979, Neiva Moreira retornou a São Luís, onde implantou o PDT, partido que Leonel Brizola fundara ao chegar do exílio. Depois foi para o Rio de Janeiro, onde refundou os Cadernos do Terceiro Mundo.

Além da trajetória política, foi fiscal da prefeitura de São Luís; redator do Instituto Brasileiro de Comunicação (IBC); Secretário de Comunicação Social do Rio de Janeiro (1983-1985); presidente do Banco de Desenvolvimento do Estado do Rio de Janeiro (Bancoderj) de 1985-1986; e membro da Academia Maranhense de Letras, ocupando então a cadeira de número 16.

Neiva Moreira publicou, entre outros, os seguintes livros: Fronteiras do mundo livre. Rio de Janeiro, Editora A Noite, 1949; O Exército e a crise brasileira. Montevidéu: 1968; Modelo peruano. Buenos Aires: La Linea, 1973 (este livro foi reeditado em diversos países, inclusive no Brasil – Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1975); Brasília, hora zero. Rio de Janeiro: Terceiro Mundo, 1988 (depoimento sobre a transferência da Capital Federal para Brasília, trabalho em que o autor exerceu decisivo papel).

(Postado por Vitor Hugo Soares, com informações do Portal G1-Maranhão)

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Comentários

Cida Torneros on 10 Maio, 2012 at 11:48 #

Grande Neiva, obrigada por seu exemplo profissional e humano! Descanse em Paz!


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