Hospedagem cara no Rio é ameaça a participação

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O Parlamento Europeu decidiu cancelar a sua participação na conferência Rio+20, lançando mais um ponto de interrogação rumo ao mega-evento das Nações Unidas sobre o desenvolvimento sustentável. Líderes de países centrais para as negociações – como os Estados Unidos, Reino Unido e Alemanha – também não vão estar presentes.

Para os eurodeputados, o principal problema são os custos. O preço dos hotéis disparou para valores que chegam a 600 euros por noite. Além disso, apesar de a conferência oficial decorrer apenas entre 20 e 22 de Junho, os hotéis só aceitam reservas para períodos mais alargados, dado que os eventos paralelos começam dia 13. “A Rio+20 oficial tem apenas três dias. Alguns membros do Parlamento planejavam reservar apenas duas noites, mas teriam de pagar sete a dez noites”, justificou ao PÚBLICO o eurodeputado holandês Gerben-Jan Gerbrandy, que lideraria a delegação.

O custo total rondaria os 200 mil euros, dos quais cerca de 50 mil euros seriam para pagar noites de hotéis que não seriam utilizadas. “Não deveria ser assim. O Governo brasileiro deveria ter cuidado melhor disso”, diz o eurodeputado.

Resultado: o Parlamento não terá uma delegação formal na Rio+20. “Infelizmente é a nossa decisão final”, afirma Gerbrandy, que tentará ir, mesmo assim, com o seu próprio orçamento pessoal como eurodeputado.

Os elevados custos da participação na Rio+20 têm sido criticados tanto por delegações de países com menores recursos, como por organizações não-governamentais. Várias pediram à Comissão Europeia para utilizar saldos de projetos seus financiados por Bruxelas para poderem estar presentes no Rio. Mas não tiveram sucesso. “Há uma demissão da União Europeia em relação ao Rio”, afirma João José Fernandes, presidente da associação humanitária portuguesa Oikos, que também recebeu um “não” de Bruxelas e aguarda financiamento para poder ir à conferência.

A própria Comissão Europeia irá reduzir a sua delegação à Rio+20, segundo Gerben-Jan Gerbrandy. Para o eurodeputado, estas dificuldades acrescem aos obstáculos nas próprias negociações do que será aprovado no Rio. “Há também o problema do conteúdo da conferência”, diz Gerbrandy. A cimeira da ONU pretende dar um rumo concreto a planos anteriores para o desenvolvimento sustentável, delineados há duas décadas na Conferência das Nações Unidas sobre Ambiente e Desenvolvimento, a Eco-92. Mas o discussão sobre o documento central a aprovar em Junho arrasta-se sem grandes resultados, com grandes divergências sobre o estabelecimento de metas para a sustentabilidade e sobre a aposta economia verde como solução dos problemas do planeta. “As negociações não estão a ir na direção certa”, lamenta Gerbrandy.

Mais de uma centena de chefes de Estado ou de governo – incluindo o primeiro-ministro português Pedro Passos Coelho – confirmaram a sua participação na Rio+20. Mas alguns líderes das principais economias mundiais não estarão presentes. O presidente norte-americano Barack Obama e o primeiro-ministro britânico David Cameron já tinham anunciado que não iriam. Na semana passada, foi a vez da chanceler alemã Angela Merkel, que comunicou por telefone à Presidente do Brasil, Dilma Roussef, que não poderá participar, devido à votação do orçamento alemão.

Do lado das maiores economias emergentes, está para já garantida a participação dos primeiros-ministros da China, Wen Jiabao, e da Índia, Manmohan Singh.

(Com informações do jornal Público, de Lisboa)

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