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OPINIÃO POLÍTICA

Decisões na oposição

Ivan de Carvalho

Duas coisas já estão decididas na área da oposição estadual, em relação às eleições para a sucessão do prefeito de Salvador, João Henrique, atualmente no PP e que já antecipou sua intenção de concorrer às eleições para governador, em 2014.
Quase diria que tanto a intenção quanto a antecedência são surpreendentes, mas não são. Há uns meses (não vou pesquisar a data exata) escrevi neste espaço que o prefeito “é um visionário” e que não seria surpresa se, mesmo estando naquela época com uma nada invejável avaliação popular, acalentasse a ideia de ser candidato a suceder Jaques Wagner.

É verdade que algo mudou desde que escrevi essas coisas – o PP da Bahia perdeu o Ministério das Cidades, que Mário Negromonte ocupava. Isso enfraquece o atual partido do prefeito no jogo da sucessão de 2014. Mas não necessariamente desestimula a ideia-projeto político de João Henrique. Pois se continuasse ministro até 2014, Negromonte, presidente estadual do PP, talvez se animasse para ser, ele mesmo, candidato a governador.

No entanto, Negromonte não mais se animará a isto e não será, portanto, um obstáculo absoluto à fantasmagórica candidatura de João Henrique à sucessão de Wagner. Vai calcular se a ideia de João Henrique, caso este a mantenha, lhe convém e ao seu partido ou não. O mesmo cálculo haverá de fazer outro dos três principais líderes do PP da Bahia, o deputado João Leão, candidato a prefeito de Salvador. O terceiro dos principais líderes do PP baiano é, evidentemente, o próprio prefeito João Henrique.

Bem, volto às duas coisas já decididas na área da oposição estadual para as eleições do prefeito de Salvador. Um candidato da oposição é ACM Neto, do Democratas, com o apoio do PSDB e, portanto, a exclusão da candidatura de Antonio Imbassahy ao cargo de prefeito.

Esta decisão já se tornara quase explícita com a nota pseudo-cifrada, mas de clareza cristalina, da comissão executiva estadual do PSDB, há poucos dias. Sintetizando-a: o PSDB continuava conversando com o PMDB em busca da unidade das oposições e não teria candidatura concorrente com um candidato do Democratas.

Mas já se sabia que o comando do PMDB, por estar na base do governo federal petista, não apoiaria um candidato do DEM nem tampouco do PSDB, oposições a esse governo. Então, não podia haver unidade, salvo se todo mundo apoiasse o candidato do PMDB, que seria o ex-prefeito Mário Kertész.

Poderia até acontecer, se Imbassahy desistisse e o PMDB assegurasse a ACM Neto, do Democratas, apoio para uma candidatura a governador em 2014. Mas aí havia dois entraves: a ideia de Geddel Vieira Lima, principal líder do PMDB da Bahia, de disputar o governo (pela segunda vez) em 2014. E a reação do governo federal e do comando nacional de seu partido, o PT, à promessa de apoio a ACM Neto, do DEM, para o governo.

Em síntese: 1) Não havia como construir a unidade. O PMDB não podia entrar na coalizão. O deputado Jutahy Júnior declarou afinal encerradas as negociações pela unidade com o PMDB; 2) O DEM tem o candidato ACM Neto e o PSDB, Antonio Imbassahy. Mas o PSDB, além de ter na Bahia e em Salvador uma estrutura muito mais frágil que o DEM, precisa apoiar o candidato do DEM aqui para garantir o apoio do DEM a José Serra em São Paulo. O PSDB, ajustados detalhes, logo anunciará seu apoio a ACM Neto.

O PR, comandado pelo ex-governador e ex-senador César Borges, ainda é um mistério.

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