João e ACM Neto: divergem mas nao se hostilizam
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Opinião Politica

Difícil já estava

Ivan de Carvalho

A candidatura do deputado ACM Neto a prefeito de Salvador, pré-lançada (ah, essas frescuras mal intencionadas da legislação eleitoral) pelo Democratas, aparentemente criou uma grande dificuldade para que se chegue à unidade dos principais partidos de oposição ao governo estadual nas eleições deste ano para a sucessão do prefeito João Henrique.

Digo aparentemente porque na realidade, mesmo, a hipótese de unidade já se revelava extremamente difícil. Todo mundo via e continua vendo. O grande problema, melhor dizendo, o maior, é juntar o PMDB, da base do governo federal e com seu principal líder na Bahia, Geddel Vieira Lima, participando da administração federal, com o Democratas e o PSDB, os dois principais partidos de oposição ao governo Dilma Rousseff, do PT.

Vale ir registrando, no entanto, outros aspectos do cenário sucessório. O PMDB e o PSDB – representados pelos pré-candidatos Mário Kertész e Antonio Imbassahy, ambos ex-prefeitos desejosos de voltar a governar a cidade – fazem dura, radical oposição ao governo do prefeito João Henrique, do PP e que tem seu próprio candidato, o deputado João Leão.

Mas com o Democratas é diferente. No segundo turno das eleições de 2008 para prefeito, João Henrique, concorrendo na época pela legenda do PMDB e ressuscitado politicamente praticamente por este partido e seu líder na Bahia, o então ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima – obteve estreitíssima vantagem sobre o segundo colocado, o petista Walter Pinheiro, apoiado pelo governador Jaques Wagner. O terceiro colocado, com apenas três por cento de votos a menos que os dois primeiros, foi ACM Neto, candidato do Democratas.

Então veio o segundo turno. O PSDB e seu candidato Imbassahy, sem maiores motivos salvo o mal querer que sentiam pelo prefeito, para cuja primeira eleição os tucanos contribuíram decisivamente e foram a certa altura forçados a desembarcar do governo devido a desentendimentos insanáveis, deram um apoio pró-forma ao petista Walter Pinheiro e deixaram prá lá.

Mas com o Democratas foi diferente. ACM Neto, que tivera 27 por cento dos votos no primeiro turno, apoiou formalmente João Henrique e os 27 por cento de eleitores que haviam votado no Democratas votaram pela reeleição do prefeito. Porque ACM Neto recomendou ou porque esta era a tendência natural dessa faixa do eleitorado, a tendência de não votar no PT? Certamente por causa das duas razões, mas principalmente – é minha opinião – por causa da segunda.

Daí começou a haver um tratamento gentil entre o governo de João Henrique e o Democratas, especialmente ACM Neto. Algumas coisas mudaram (democratas que ocupavam postos discretos no governo municipal já não os ocupam mais), mas JH e ACM Neto não se hostilizam. Esta pode vir a ser (ou não, como diria Caetano, o Veloso) uma faceta importante da sucessão municipal, principalmente no segundo turno, se houver, como todo mundo diz que haverá.

Em síntese. Existem apenas dois traços de união entre os partidos que dizem desejar a unidade das oposições. O primeiro é a oposição dos três (que poderão vir a ser quatro, se for incluído o PR) ao governo Wagner. O segundo traço de união é a percepção de que, divididos ainda que só no primeiro turno, fica bem mais difícil vencer o PT, apesar do pré-candidato petista Nelson Pelegrino dar a impressão de que está usando sapatos de chumbo.

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