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Opinião Política

Oposição e sucessão

Ivan de Carvalho

No meu entender, a Executiva Estadual do PSDB, ao emitir nota oficial após sua reunião de ontem, procurou usar uma linguagem pouco acessível, mas não alcançou esse objetivo. O conteúdo político da nota ficou tão exposto quanto joelho de escoteiro.

Vale referir, para reforçar o entendimento, que o Democratas vai realizar, na segunda-feira, às 15 horas, um evento ao qual deverá estar presente o presidente nacional do partido, senador Agripino Maia e ao qual o DEM está se esforçando para trazer todos os seus 27 deputados na Câmara federal. Um ou outro talvez acabe faltando, afinal há sempre alguém com um quê de Rogério Andrade.

É neste evento que será lançada a candidatura de ACM Neto, líder do DEM na Câmara dos Deputados, a prefeito de Salvador. Oficialmente, talvez pelo carrancismo da legislação eleitoral, que tem gerado alguns cacoetes de linguagem, a candidatura está sendo e continuará sendo chamada, até o dia da convenção que a formalizará, de pré-candidatura. Esta nomenclatura de faz-de-conta é fundamental. Não fosse ela o Brasil estaria perdido.

Bem, voltando à nota da Executiva estadual do PSDB. Vale proclamar: embora os tucanos hajam deixado o rabo de fora, produziram um texto ocultista. Mas o rabo de fora funciona como as palavras Cleópatra e Ptolomeu na Pedra de Roseta. E por aí decifra-se o enigma. Na nota, que tem dois pontos, o A e o B, a Executiva Estadual revela propósitos no primeiro ponto, o A, e no ponto crítico, que é o B, faz uma recomendação à Executiva Municipal.

Reproduzo esses pontos da nota, assinalando antes que nela a Executiva invoca as “prerrogativas que lhe confere o Estatuto Partidário”:
A) Continuar trabalhando pela unidade das forcas políticas de oposição visando um grande e responsável projeto de reestruturação para Salvador, recuperando os serviços públicos, e preparando a cidade para o futuro.

B) Mantendo-se as condições atuais, nos seus diversos âmbitos, enfatiza o prosseguimento das tratativas com o PMDB, objetivando a unidade, e recomenda à Executiva Municipal estabelecer condições para evitar candidaturas concorrentes entre o PSDB e o DEM.

No primeiro ponto, apenas a disposição de continuar trabalhando pela unidade. Aliás, os tucanos têm sido sinceros nisto, eles quiseram sempre a unidade das oposições para esta sucessão em Salvador. Mas nem sempre querer é poder.

No segundo ponto, o fundamental, diz que continua conversando com o PMDB “objetivando a unidade” e recomenda à Executiva Municipal “evitar candidaturas concorrentes entre o PSDB e o DEM”. É nestas duas coisas que tudo está.

Com o PMDB trata-se da unidade. A unidade, que está dificílima, só ocorreria com uma só candidatura apoiada por PMDB, PSDB e DEM, pelo menos. O PR poderia juntar-se, como lucro – e lucro importante. Já “evitar candidaturas concorrentes entre PSDB e DEM” significa que se o DEM lançar candidato (ACM Neto), o PSDB não o fará, o que implicaria na desistência da candidatura de Imbassahy. Mas o PSDB poderia aliar-se ao PMDB, apoiando o candidato deste, para disputar com os demais, inclusive o do DEM? Pela nota do PSDB, entende-se que não. Pois as conversas do PSDB com o PMDB são somente visando à unidade das oposições, não uma aliança entre os dois partidos apenas.

A nota só admite aliança entre PSDB e DEM, aos quais outros partidos poderiam evidentemente somar-se.

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Comentários

Calazans on 21 Abril, 2012 at 20:41 #

Grande Ivan, meu professor de texto. Que falta fazem articulistas letrados…


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